Anvisa aprova novo medicamento para linfoma não Hodgkin: Columvi
Anvisa publicou o registro do Columvi (glofitamabe), da Roche, para tratar linfoma difuso de grandes células B. O medicamento, em combinação com gencitabina e oxaliplatina, é voltado a pacientes com doença recidivante ou refratária, sem condições para transplante autólogo.
A cena da aprovação
Na segunda-feira, 20 de janeiro, o Diário Oficial da União trouxe uma notícia que ecoa nos consultórios de oncologia e nos corredores de hospitais por todo o Brasil. A Anvisa publicou o registro do Columvi (glofitamabe), um medicamento desenvolvido pelo laboratório Roche para um tipo de câncer que ataca o sistema linfático, aquela rede que sustenta nossa defesa imunológica.
Fui conversar com quem acompanha de perto o tratamento de linfomas. A sensação que fica é de que, para muitos pacientes, essa aprovação não é só mais um registro. É uma linha de chegada que se desenha no horizonte.
O que é o linfoma difuso de grandes células B
O linfoma difuso de grandes células B é um tipo de câncer hematológico agressivo, de crescimento rápido. É o subtipo mais comum de linfoma não Hodgkin agressivo. A evolução clínica é rápida, e a necessidade de tratamento eficaz se impõe, especialmente quando a doença é recidivante, quando reaparece, ou refratária, quando não responde aos tratamentos iniciais. Nesses casos, as opções para cura ou controle são limitadas.
Segundo a fabricante, cerca de 4 mil pessoas recebem o diagnóstico da doença por ano no Brasil. Um número que, para quem está na ponta, representa vidas reais, famílias inteiras.
Columvi: como funciona o novo medicamento
O Columvi (glofitamabe) é um anticorpo biespecífico. Em comunicado, a Anvisa explicou que o medicamento "representa uma inovação terapêutica relevante na área de oncologia hematológica, ao disponibilizar no Brasil um anticorpo biespecífico capaz de redirecionar o sistema imune contra células tumorais".
O tratamento é combinado com gencitabina e oxaliplatina. A aplicação é intravenosa e pode ser feita sem necessidade de internação. Ao todo, o tratamento dura aproximadamente 8,3 meses, com 12 ciclos determinados pelo protocolo.
O medicamento é indicado para pacientes adultos com linfoma difuso de grandes células B não especificado (LDGCB NOS) recidivante ou refratário. Também é recomendado a pacientes sem condições clínicas elegíveis ao transplante autólogo de células-tronco (TACT), procedimento que usa células-tronco da própria pessoa no tratamento.
Os números do estudo clínico
A Roche destacou que o estudo clínico global, publicado em novembro de 2024 na revista científica The Lancet, mostrou resultados expressivos. "Redução de 41% no risco de morte em comparação ao protocolo tradicional", afirmou a fabricante. "Além disso, também apontou que 50,3% dos participantes que receberam o novo esquema alcançaram a remissão completa da doença (contra 22% do grupo comparativo). Houve, ainda, uma redução de 63% no risco de progressão", completa a Roche.
Esses números, no entanto, vêm com a cautela que o momento exige. A aprovação da Anvisa é o primeiro passo. A eficácia em vida real, fora dos ensaios clínicos, ainda será observada.
O que muda para os pacientes
Para quem enfrenta o linfoma difuso de grandes células B, a aprovação do Columvi amplia o leque de opções terapêuticas. A Anvisa, em nota, disse que o novo medicamento "amplia as opções de tratamento para pacientes com câncer agressivo".
A possibilidade de administração intravenosa sem internação também é um ponto que alivia o peso do tratamento. Menos tempo no hospital, mais tempo em casa, com a família.
Contexto histórico do tratamento
O tratamento do linfoma não Hodgkin evoluiu nas últimas décadas. Até os anos 1990, as opções se resumiam a quimioterapia e radioterapia. Depois vieram os anticorpos monoclonais, como o rituximabe, que mudaram o padrão de cuidado. Agora, os anticorpos biespecíficos representam uma nova geração, moléculas capazes de engajar o sistema imune de forma mais precisa.
O Columvi chega nesse contexto, como mais uma ferramenta no arsenal contra um câncer que insiste em ser agressivo.
E os próximos passos?
Com o registro publicado, o Columvi agora pode ser comercializado no Brasil. A Roche deverá definir a estratégia de distribuição e o preço. Para os pacientes, o acesso dependerá da incorporação ao SUS e da cobertura por planos de saúde.
O estudo clínico continua sendo acompanhado. A comunidade médica aguarda dados de longo prazo para consolidar o papel do medicamento no tratamento.
Perguntas Frequentes
O Columvi é aprovado para todos os tipos de linfoma?
Não. O medicamento é indicado especificamente para linfoma difuso de grandes células B não especificado (LDGCB NOS) recidivante ou refratário.
Qual a diferença entre recidivante e refratário?
Recidivante é quando o câncer retorna após tratamento. Refratário é quando não responde aos tratamentos iniciais.
O tratamento com Columvi requer internação?
Não. A aplicação é intravenosa e pode ser feita sem necessidade de internação.
Quanto tempo dura o tratamento?
A duração fixa é de aproximadamente 8,3 meses, com 12 ciclos determinados pelo protocolo.
O Columvi já está disponível no SUS?
Não. O registro pela Anvisa é o primeiro passo. A incorporação ao SUS depende de avaliação da Conitec.