Periquito e verde e branco: os símbolos do Uberlândia Esporte Clube
Clube centenário decide a Série D neste domingo com o Parque do Sabiá como palco. Antes disso, a história: o periquito, o verde e branco e o apelido que veio pelos trilhos da Mogiana.
O Uberlândia Esporte Clube entra em campo neste domingo (13) para decidir a final da Série D do Campeonato Brasileiro contra o ASA de Arapiraca, no estádio Parque do Sabiá, em Uberlândia. O time venceu o primeiro jogo por 2 a 0, em Alagoas, e pode conquistar o título diante da torcida.
Antes da bola rolar, os símbolos que atravessaram a história centenária do clube voltam ao centro da cena. São eles: o verde e branco, o periquito, o escudo tradicional e apelidos como "Furacão Verde da Mogiana", "Periquitinho Verde", "Queridinho" e "Dão".
A história começa em 1º de novembro de 1922, data apontada pelo escritor Odival Ferreira, no livro "Uberlândia Esporte Clube: A história e seus personagens", como o dia da fundação do então Uberabinha Sport Club. Segundo Ferreira, um grupo insatisfeito com os dirigentes da Associação Sportiva de Uberabinha decidiu criar uma nova agremiação.
As cores verde e branco foram adotadas já na fundação. Segundo o atual presidente do clube, Jânio Cabral, a escolha está relacionada ao contexto em que a equipe surgiu, na antiga Vila Operária, e à participação de fundadores ligados ao grupo político local conhecido como "Coiós", entre eles Agenor Bino e Gil Alves dos Santos. Jânio afirma que não há documentação oficial suficiente para determinar exatamente qual significado os fundadores pretendiam dar às cores.
O periquito veio depois. Em uma cidade onde as aves são presença conhecida nas árvores e nos céus, a associação entre o clube e o pássaro surgiu há algumas décadas, reforçada pela predominância do verde e pela própria presença dos periquitos em Uberlândia. O Periquitão é hoje o mascote oficial, e, na leitura atual do clube, representa esperança e a vontade de voar alto.
O apelido "Furacão Verde da Mogiana" remete à antiga estrada de ferro que cortava a região e ligava o interior paulista a Catalão (GO), passando pelo Triângulo Mineiro. Como a linha férrea passava por Uberlândia, o clube passou a ser associado à Mogiana, segundo Jânio Cabral. O verde vinha das cores do time.
Há ainda um detalhe no escudo. Segundo o presidente, o modelo tradicional adotado pelo Uberlândia foi inspirado no do Santos Futebol Clube, que já era referência do futebol brasileiro quando as equipes começavam a consolidar suas identidades visuais. A prática, diz, era comum nas primeiras décadas do futebol brasileiro. O resultado ganhou personalidade própria, com o verde e o branco no lugar das cores santistas.
A documentação sobre os primeiros anos não é uniforme. O próprio livro de Ferreira reproduz diferentes versões encontradas em registros históricos. Uma delas aparece em uma ata atribuída a Agenor da Silva Pereira. Outra, baseada nos registros do historiador Tito Teixeira, aponta a criação do clube em 1922 e relata acontecimentos administrativos posteriores. É nessa colcha de retalhos de versões que a história dos símbolos começa.
O próximo movimento do tabuleiro é o mais concreto de todos: às 16h deste domingo, no Parque do Sabiá, o Verdão joga por um empate para erguer a taça da Série D diante da própria torcida.