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Chance de jovem de baixa renda cursar ensino superior no AM é de 1,4%

ResumoAtlas da Mobilidade Social Brasil, do IMDS com o Prospera Lab, revela que apenas 1,43% dos jovens amazonenses de famílias de menor renda concluem o ensino superior na vida adulta. O gargalo inicia na educação básica, limitando a mobilidade social no Amazonas. A baixa taxa contrasta com a média nacional e evidencia desigualdade estrutural no acesso universitário.

Apenas 1,43% dos jovens amazonenses de famílias de menor renda concluem o ensino superior na vida adulta. O Atlas da Mobilidade Social Brasil, do IMDS com o Prospera Lab, expõe o gargalo que começa na educação básica.

Otávio Mancini
Otávio Mancini Repórter de Política e Bastidores · 03 de agosto de 2026 · 6 min de leitura
Chance de jovem de baixa renda cursar ensino superior no AM é de 1,4%

Chance de um jovem de baixa renda cursar ensino superior no AM é de apenas 1,4%, aponta estudo

Apenas 1,43% dos jovens amazonenses criados nas famílias de menor renda conseguem concluir o ensino superior na vida adulta. O dado integra o Atlas da Mobilidade Social Brasil e expõe uma das principais barreiras para a ascensão econômica no estado. O levantamento foi realizado pelo Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social (IMDS) em parceria com o Prospera Lab.

Qual é a chance de um jovem de baixa renda cursar ensino superior no AM?

A probabilidade é de 1,43%. O número, apurado pelo Atlas da Mobilidade Social Brasil, revela o tamanho do gargalo educacional no Amazonas. O estudo mostra que o problema começa antes da universidade: a chance de um jovem vindo de família de baixa renda concluir o ensino médio é de apenas 51,25%.

Ou seja, metade dos jovens desse grupo não chega ao fim da educação básica. Sem essa etapa concluída, o acesso ao ensino superior se torna exceção, não regra.

O que diz o Atlas da Mobilidade Social Brasil sobre o Amazonas

O Atlas da Mobilidade Social Brasil é uma iniciativa do IMDS em parceria com o Prospera Lab. A plataforma cruza dados de renda e escolaridade para medir como a origem socioeconômica influencia o destino dos brasileiros.

No Amazonas, o estudo aponta que a baixa escolaridade reflete diretamente na perpetuação da pobreza entre gerações. Apenas 19,8% dos filhos de famílias da metade de menor renda conseguem alcançar a metade mais rica da população na vida adulta.

Isso significa que 80,2% continuam retidos na metade inferior de rendimento. O índice é consideravelmente pior que a média nacional, onde a taxa de permanência na baixa renda é de 66,6%.

Ranking de mobilidade social: AM à frente apenas de Acre e Amapá

No ranking de mobilidade social entre as 27 unidades da federação, o Amazonas aparece à frente apenas do Acre e do Amapá. A posição no fim da tabela reforça a dificuldade estrutural do estado em oferecer caminhos de ascensão econômica.

Conforme a plataforma, sem a formação acadêmica, a distância entre a base e o topo da pirâmide socioeconômica se torna quase insuperável.

Os números da mobilidade social no Amazonas: raros no topo, presos à pobreza

O levantamento detalha como a falta de oportunidades limita o futuro dos jovens amazonenses. Os dados são divididos em três frentes:

Raros no topo

  • Apenas 1,15% dos filhos de famílias vulneráveis no AM chegam ao grupo dos 10% mais ricos do país.
  • Quando analisada a fatia dos 25% mais ricos, o acesso é de somente 5,82%.

Presos à pobreza

  • A imensa maioria (82,19%) continua na metade de menor renda.
  • 56,97% permanecem retidos entre os 25% mais pobres.
  • 26,13% continuam na faixa extrema dos 10% mais pobres.

Superação limitada

  • A probabilidade de o filho ter um rendimento relativo pelo menos 10% superior ao dos pais é de apenas 31,68%.

Os percentuais mostram que a mobilidade ascendente é rara. A maioria dos jovens de baixa renda no AM permanece na mesma faixa de rendimento dos pais, ou em situação ainda pior.

Por que a educação básica é o gargalo da mobilidade social no AM

O estudo do IMDS e do Prospera Lab aponta que o gargalo educacional no Amazonas começa na educação básica. A taxa de conclusão do ensino médio de 51,25% entre jovens de baixa renda é o primeiro filtro que elimina metade do caminho até o ensino superior.

Sem o diploma do ensino médio, o jovem não acessa o vestibular, o Enem ou qualquer outra porta de entrada para a universidade. A consequência é a reprodução do ciclo de pobreza.

A leitura dos bastidores é direta: a política educacional que não ataca a evasão no ensino médio dificilmente terá efeito sobre o acesso ao ensino superior. O problema não está apenas na falta de vagas na universidade, mas na base que não se completa.

O que os dados significam para as políticas públicas no Amazonas

Os números do Atlas da Mobilidade Social Brasil funcionam como um termômetro para gestores e formuladores de políticas públicas. A permanência de 80,2% dos jovens na metade inferior de renda indica que as políticas de transferência de renda, sozinhas, não têm conseguido romper a barreira educacional.

O dado de 1,43% de conclusão do ensino superior entre os mais pobres sugere que o acesso à universidade ainda é privilégio de minoria. A comparação com a média nacional de permanência na baixa renda, de 66,6%, mostra que o AM está pior que o resto do país.

Há, no entanto, uma ressalva: o estudo mede probabilidades e trajetórias, não aponta culpados diretos. A leitura mais prudente é que o problema é sistêmico, envolvendo desde a qualidade do ensino básico até a oferta de vagas e permanência no ensino superior.

Como o Amazonas se compara ao resto do Brasil

A média nacional de permanência na baixa renda é de 66,6%. No Amazonas, esse índice chega a 80,2%. A diferença de quase 14 pontos percentuais coloca o estado em desvantagem clara.

No ranking das 27 unidades da federação, o AM só fica à frente de Acre e Amapá. Ou seja, há 24 estados com melhor desempenho em mobilidade social.

O cenário é de alerta, mas não é imutável. O estudo aponta o caminho: investir na conclusão da educação básica é o primeiro passo para aumentar a chance de um jovem de baixa renda chegar ao ensino superior.

O que esperar dos próximos passos

A divulgação do Atlas da Mobilidade Social Brasil tende a pressionar o debate público no Amazonas. O próximo movimento esperado é a cobrança por políticas específicas para a educação básica e para a permanência no ensino superior, como ampliação de bolsas, auxílio permanência e reforço no ensino médio público.

A decisão, porém, se fecha no corredor. Sem ação coordenada entre estado, municípios e universidades, os números de 1,43% dificilmente vão mudar no curto prazo.

Perguntas Frequentes

Qual é a chance de um jovem de baixa renda cursar ensino superior no AM?

A chance é de 1,43%, segundo o Atlas da Mobilidade Social Brasil, do IMDS com o Prospera Lab.

Quem realizou o estudo sobre mobilidade social no Amazonas?

O estudo foi realizado pelo Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social (IMDS) em parceria com o Prospera Lab.

Qual é a taxa de conclusão do ensino médio entre jovens de baixa renda no AM?

A taxa é de 51,25%, segundo o mesmo levantamento.

Quantos jovens de baixa renda no AM conseguem chegar aos 10% mais ricos?

Apenas 1,15% dos filhos de famílias vulneráveis no AM chegam ao grupo dos 10% mais ricos do país.

Qual é a posição do Amazonas no ranking de mobilidade social?

O Amazonas aparece à frente apenas do Acre e do Amapá entre as 27 unidades da federação.

O que significa a taxa de permanência na baixa renda de 80,2% no AM?

Significa que 80,2% dos filhos de famílias da metade de menor renda continuam na metade inferior de rendimento na vida adulta, contra 66,6% da média nacional.

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