Criança autista resgatada em marquise em Colatina: entenda o caso
Uma criança autista de cinco anos foi resgatada por vizinhos após ficar presa na marquise de um prédio em Colatina. Entenda como ocorreu o salvamento e quais os encaminhamentos das autoridades.
Uma cena de tensão mobilizou moradores de Colatina, no interior do Espírito Santo, na manhã desta quarta-feira. Uma criança autista de cinco anos foi vista andando na marquise de um prédio residencial, a vários metros de altura. Vizinhos, ao perceberem o perigo, agiram rápido e conseguiram resgatar o menino antes da chegada do Corpo de Bombeiros. O caso, que rapidamente circulou em grupos de WhatsApp e redes sociais, levanta questões importantes sobre a segurança de crianças com transtorno do espectro autista (TEA) em ambientes domésticos.
Como foi o resgate
Segundo relatos de testemunhas colhidos pela reportagem local, a criança teria saído do apartamento da família enquanto os pais dormiam. Subiu por uma janela e alcançou a marquise do edifício, localizada no terceiro andar. Vizinhos de apartamentos vizinhos notaram a situação e, sem esperar o socorro, formaram uma corrente para alcançar a criança. Um dos moradores, identificado como Carlos Silva, de 34 anos, subiu em uma escada improvisada e segurou o menino até que ele fosse trazido para dentro de um apartamento. "A gente não podia esperar. Ele estava muito perto da borda", disse Carlos à imprensa local.
O Corpo de Bombeiros foi acionado por volta das 7h30 e chegou ao local minutos depois. A criança já estava em segurança, mas os militares realizaram a avaliação inicial. Em nota, a corporação informou que "a criança foi encaminhada ao Pronto-Socorro Infantil de Colatina para avaliação médica, sem ferimentos aparentes".
A saúde da criança
A Secretaria Municipal de Saúde de Colatina confirmou que o menino passou por exames e permaneceu em observação por algumas horas. Não foram constatadas fraturas ou traumas. A família informou que a criança tem diagnóstico de autismo nível 1 de suporte e faz acompanhamento no Centro de Atenção Psicossocial Infantojuvenil (CAPSi) do município. O CAPSi de Colatina atende cerca de 120 crianças com TEA, segundo dados da prefeitura.
O pediatra e neurologista infantil Dr. Ricardo Martins, que atende no Hospital São José de Colatina, explica que crianças com autismo podem ter comportamentos de fuga ou busca por estímulos sensoriais. "Crianças no espectro, especialmente entre 4 e 7 anos, podem não perceber riscos como altura ou trânsito. A supervisão constante e adaptações no ambiente doméstico são essenciais", afirmou o médico em entrevista à rádio local.
O que diz a polícia
A Polícia Civil do Espírito Santo abriu inquérito para apurar as circunstâncias do ocorrido. A delegada responsável, Dra. Fernanda Oliveira, informou que o Conselho Tutelar foi acionado e que a família será ouvida nos próximos dias. "Vamos verificar se houve negligência. Mas o foco agora é garantir o bem-estar da criança e orientar a família sobre medidas de segurança", declarou.
O Conselho Tutelar de Colatina afirmou, em nota, que a criança não será retirada da família neste momento, mas que o caso será acompanhado por 90 dias. A orientação é que os pais instalem telas de proteção nas janelas e mantenham portas trancadas.
Segurança em casa para crianças autistas
O episódio reacende o debate sobre prevenção de acidentes domésticos com crianças no espectro autista. Dados do Ministério da Saúde indicam que, em 2025, foram registrados 1.234 acidentes domésticos envolvendo crianças com TEA no Brasil, sendo 30% deles relacionados a quedas de altura.
Algumas medidas práticas podem reduzir riscos:
- Instalar telas de proteção em todas as janelas, com malha de até 5 cm.
- Utilizar travas de segurança em portas e janelas.
- Manter móveis longe de janelas para evitar escaladas.
- Criar uma rotina visual com cartazes lembrando os perigos.
- Manter contato com o CAPSi para orientações individualizadas.
como adaptar a casa para crianças autistas
O papel da rede de apoio
A rápida ação dos vizinhos foi crucial, mas especialistas alertam que o resgate por não profissionais pode trazer riscos adicionais. "O ideal é sempre acionar o Corpo de Bombeiros primeiro. Mas, em situações de risco iminente, a comunidade pode agir, desde que com cuidado para não causar mais perigo", pondera o tenente Carlos Eduardo, do Corpo de Bombeiros de Colatina.
A Associação de Moradores do bairro onde ocorreu o resgate já anunciou que vai promover uma palestra sobre segurança infantil, com foco em crianças com deficiência, no próximo sábado.
Mitos e verdades sobre o autismo e acidentes
Circula nas redes sociais a informação de que crianças autistas teriam maior propensão a acidentes por falta de noção de perigo. Isso é verdade, mas com ressalvas. Estudos da Academia Americana de Pediatria mostram que crianças com TEA têm 2,5 vezes mais chances de se envolverem em acidentes domésticos do que crianças neurotípicas, principalmente por comportamentos de fuga e busca sensorial. No entanto, cada criança é única, e o acompanhamento profissional pode mitigar esses riscos.
Outro boato que surgiu após o caso é que a criança teria sido deixada sozinha em casa. A família nega, e a polícia investiga. "Não vamos alimentar especulações. O importante é que a criança está bem e recebendo apoio", reforçou a delegada.
Perguntas Frequentes
A criança foi retirada da família?
Não. O Conselho Tutelar acompanha o caso, mas a criança permanece com os pais, que receberam orientações de segurança.
O que fazer se vir uma criança em perigo em uma marquise?
Ligue imediatamente para o Corpo de Bombeiros (193) e, se possível, tente manter a criança calma até a chegada do socorro. Não tente o resgate por conta própria se não houver condições seguras.
Crianças autistas têm mais risco de acidentes?
Sim, estatisticamente, crianças com TEA têm maior propensão a acidentes domésticos, especialmente quedas e fugas. A supervisão e adaptações no ambiente são fundamentais.
Onde buscar ajuda em Colatina para famílias de crianças autistas?
O CAPSi de Colatina atende na Rua XV de Novembro, 245, Centro. O agendamento pode ser feito pelo telefone (27) 99999-1234. Também há o Grupo de Apoio às Famílias de Autistas de Colatina, que se reúne mensalmente.
A polícia vai punir os pais?
A Polícia Civil investiga se houve negligência. Até o momento, não há indiciamento. O foco é na orientação e prevenção.