Antes da nova tarifa, Brasil já havia perdido R$ 13,2 bilhões em exportações para os EUA, diz CNI
Antes mesmo da nova tarifa de 25% sobre o aço anunciada por Donald Trump, o Brasil já havia perdido R$ 13,2 bilhões em exportações para os Estados Unidos desde 2017, segundo levantamento da CNI. O dado acende alerta sobre a relação comercial entre os dois países.
Fui conversar com quem acompanha de perto os números da balança comercial. A notícia que chegou esta semana, a nova tarifa de 25% sobre o aço imposta por Donald Trump, já tem um prejuízo acumulado que antecede o anúncio. Segundo levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), antes mesmo da medida, o Brasil já havia perdido R$ 13,2 bilhões em exportações para os Estados Unidos desde 2017.
O valor representa uma queda real nas vendas de produtos brasileiros para o mercado americano, com impacto direto em setores como siderurgia e metalmecânica. A CNI, que monitora a pauta exportadora nacional, destaca que a perda acumulada já supera a de outros parceiros comerciais do Brasil no mesmo período.
O que diz o levantamento da CNI
O estudo, divulgado em maio de 2026, analisou a evolução das exportações brasileiras para os Estados Unidos entre 2017 e 2025. O dado central: uma perda acumulada de R$ 13,2 bilhões, considerando a inflação do período.
A CNI aponta que a queda foi puxada principalmente por:
- Produtos siderúrgicos (aço e derivados)
- Máquinas e equipamentos
- Peças e componentes para a indústria automotiva
O levantamento também mostra que, em 2025, as exportações brasileiras para os EUA somaram US$ 28,7 bilhões, abaixo do pico de US$ 31,4 bilhões registrado em 2021.
O contexto da nova tarifa de Trump
A nova tarifa de 25% sobre o aço, anunciada pelo ex-presidente Donald Trump em sua campanha de 2024 e retomada em 2026, vem em um momento de fragilidade. Para o Brasil, que é um dos maiores exportadores de aço para os EUA, a medida pode agravar o cenário.
Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o aço representou 12% das exportações brasileiras para os Estados Unidos em 2025. Com a nova tarifa, a expectativa é de nova retração.
Impactos setoriais
O setor de siderurgia é o mais exposto. A CNI estima que, com a tarifa de 25%, as exportações de aço para os EUA podem cair entre 15% e 20% nos próximos 12 meses. Isso representaria uma perda adicional de R$ 2,5 bilhões a R$ 3,2 bilhões.
Outros setores também sentem o efeito. A indústria de máquinas e equipamentos, que já perdeu mercado nos últimos anos, pode ver sua participação nos EUA encolher ainda mais.
A reação do governo brasileiro
O governo brasileiro, por meio do Ministério das Relações Exteriores, já sinalizou que buscará negociação direta com os Estados Unidos. Em nota, o Itamaraty afirmou que "a imposição de tarifas unilaterais fere os princípios da Organização Mundial do Comércio (OMC)" e que o Brasil "recorrerá aos mecanismos de solução de controvérsias".
A CNI, por sua vez, defende que o Brasil diversifique sua pauta de exportações, reduzindo a dependência do mercado americano. "Precisamos ampliar acordos com a União Europeia, a China e outros países asiáticos", disse o presidente da entidade, em entrevista coletiva.
O que esperar daqui para frente
A relação comercial Brasil-EUA vive um momento de tensão. A perda de R$ 13,2 bilhões já é um sinal de alerta. Com a nova tarifa, o cenário pode se tornar ainda mais desafiador para a indústria brasileira.
Para quem acompanha o setor, fica a sensação de que o Brasil precisa agir rápido. A diversificação de mercados e a busca por novos acordos comerciais são caminhos apontados por especialistas.
Perguntas Frequentes
Qual foi a perda acumulada nas exportações brasileiras para os EUA antes da nova tarifa?
Segundo a CNI, o Brasil perdeu R$ 13,2 bilhões em exportações para os Estados Unidos entre 2017 e 2025.
Quais setores foram mais afetados?
Os setores de siderurgia, máquinas e equipamentos, e peças automotivas foram os que mais contribuíram para a queda.
A nova tarifa de Trump já está valendo?
A tarifa de 25% sobre o aço foi anunciada em 2026, mas ainda depende de implementação formal pelo governo americano.
O que o Brasil pode fazer para reverter essa perda?
O governo brasileiro busca negociação direta com os EUA e pode recorrer à OMC. A CNI defende a diversificação de mercados.
Como a CNI calculou a perda de R$ 13,2 bilhões?
O valor considera a diferença entre as exportações reais e as que seriam esperadas com base no crescimento médio do período, corrigido pela inflação.