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Tarifaço dos EUA é interferência externa indevida, diz Durigan

ResumoO secretário-executivo da Fazenda, Dario Durigan, classificou o tarifaço dos EUA a produtos brasileiros como interferência externa indevida. A declaração intensifica o embate comercial entre os países. O governo brasileiro avalia contramedidas e busca apoio no Congresso para responder à medida norte-americana.

O secretário-executivo da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o tarifaço imposto pelos EUA a produtos brasileiros configura interferência externa indevida. A declaração acirra o embate comercial entre os dois países. Governo avalia contramedidas e busca apoio no Congresso.

Otávio Mancini
Otávio Mancini Repórter de Política e Bastidores · 16 de julho de 2026 · 4 min de leitura
Tarifaço dos EUA é interferência externa indevida, diz Durigan

Tarifaço dos EUA é interferência externa indevida, diz Durigan

O secretário-executivo da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que as tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros configuram interferência externa indevida. A declaração foi feita em reunião fechada com representantes do setor industrial na última quarta-feira, conforme apurou a reportagem com duas fontes do ministério que acompanharam o encontro.

A fala de Durigan representa o tom oficial que o governo brasileiro pretende adotar no contencioso comercial com a Casa Branca. O secretário-executivo teria dito que a medida americana "fere a soberania do Brasil" e que o país não aceitará imposições unilaterais. A reportagem checou a informação com três interlocutores diferentes, todos sob condição de anonimato, e confirmou o teor da afirmação.

O que está por trás da declaração de Durigan

A declaração de Durigan não é um improviso de bastidor. Ela reflete uma articulação costurada nos últimos 15 dias entre a Fazenda, o Itamaraty e a Casa Civil. O objetivo é construir uma narrativa de defesa da autonomia nacional antes de qualquer negociação direta com os Estados Unidos. Segundo uma fonte do Palácio do Planalto ouvida pela reportagem, "a ideia é mostrar que não vamos negociar sob pressão".

O secretário-executivo da Fazenda, número dois da pasta, foi escolhido para dar a declaração justamente por sua interlocução com o setor produtivo. Ele tem participado de reuniões com associações industriais e federações de comércio para alinhar o discurso. A apuração indica que o governo quer evitar que o setor privado negocie acordos paralelos com os americanos.

As tarifas americanas em números

Os Estados Unidos impuseram tarifas adicionais de 25% sobre aço e alumínio brasileiros, além de 10% sobre outros produtos como suco de laranja e etanol. O governo brasileiro calcula que o impacto pode chegar a US$ 3,2 bilhões em exportações afetadas no primeiro ano, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. O Itamaraty já apresentou uma lista de 22 produtos americanos que podem sofrer sobretaxa como retaliação.

A reação do Congresso e dos partidos

No Congresso, a declaração de Durigan encontrou eco em parte da base aliada, mas também gerou desconforto entre parlamentares da oposição. O líder do governo na Câmara, deputado José Guimarães (PT-CE), disse à reportagem que "o governo vai defender o interesse nacional" e que "não há espaço para interferência estrangeira". Já o líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), classificou a fala como "retórica eleitoreira" e defendeu negociação direta com os EUA.

A articulação nos bastidores do Legislativo indica que o governo tenta aprovar uma moção de repúdio às tarifas americanas no plenário da Câmara. A medida teria caráter simbólico, mas daria peso político à posição brasileira. A oposição, no entanto, já sinalizou que pode obstruir a votação.

O que esperar dos próximos passos

A reportagem apurou que o governo brasileiro prepara uma contraproposta a ser apresentada em reunião bilateral marcada para a segunda quinzena de junho. A ideia é oferecer redução de tarifas de importação para alguns produtos americanos em troca da suspensão das taxas sobre o aço e o alumínio. A negociação é tratada como delicada nos corredores do Itamaraty, e fontes avaliam que as chances de sucesso são de 40% a 50%.

Internamente, a Fazenda já estuda medidas de compensação para os setores mais afetados, como a indústria siderúrgica e o agronegócio. Durigan teria dito, segundo uma fonte presente na reunião, que "o governo não vai deixar ninguém desamparado". A declaração, no entanto, não foi acompanhada de números ou prazos concretos.

Perguntas Frequentes

O que Durigan disse exatamente sobre as tarifas dos EUA?

Durigan afirmou que as tarifas impostas pelos Estados Unidos configuram interferência externa indevida e ferem a soberania brasileira. A declaração foi feita em reunião fechada com representantes do setor industrial.

Quais produtos brasileiros foram afetados pelas tarifas americanas?

Aço, alumínio, suco de laranja e etanol estão entre os produtos brasileiros que sofreram sobretaxa de 25% ou 10%, dependendo do item.

O governo brasileiro vai retaliar?

O Itamaraty já preparou uma lista de 22 produtos americanos que podem sofrer retaliação, mas o governo prefere negociar antes de aplicar as contramedidas.

Qual é o impacto econômico estimado?

O governo calcula que as exportações brasileiras podem perder até US$ 3,2 bilhões no primeiro ano, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento.

Quando será a reunião bilateral com os EUA?

A reunião está marcada para a segunda quinzena de junho, em Brasília, com participação de representantes da Fazenda e do Itamaraty.

A oposição apoia a posição do governo?

Parcialmente. Parte da oposição critica a retórica do governo e defende negociação direta, sem confronto público.

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