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Turista argentino é acusado de racismo na Bahia após jogo da Copa

ResumoO turista argentino acusado de racismo na Bahia após jogo da Copa do Mundo protagonizou episódio de injúria racial contra um vendedor ambulante local. Autoridades policiais registraram ocorrência e investigam o caso. A comunidade baiana e especialistas debatem o preconceito estrutural e a necessidade de punição exemplar para coibir atos discriminatórios no turismo e no esporte.

Um turista argentino foi acusado de racismo na Bahia após um jogo da Copa do Mundo. O episódio, que gerou comoção e debates sobre preconceito, mobilizou autoridades e a comunidade local. Eu fui conversar com quem presenciou a cena e com especialistas para entender o contexto.

Raíssa Vasconcelos
Raíssa Vasconcelos Repórter de Cultura e Eventos Regionais · 16 de julho de 2026 · 4 min de leitura
Turista argentino é acusado de racismo na Bahia após jogo da Copa

Turista argentino é acusado de racismo na Bahia após jogo da Copa

Eu estava em Salvador quando a notícia correu pelas ruas do Pelourinho: um turista argentino foi acusado de racismo na Bahia após um jogo da Copa do Mundo. O caso aconteceu na noite de quinta-feira, 26 de junho, perto de um bar na Rua da Ajuda, no Centro Histórico. Testemunhas relataram que o homem, ainda não identificado oficialmente, teria chamado um vendedor ambulante de "macaco" após uma discussão por causa do preço de uma cerveja.

Segundo relatos de quem estava no local, o turista estava visivelmente alterado. "Ele gritou bem alto, e todo mundo ouviu. Foi uma cena triste", me contou dona Maria, que trabalha em uma loja de artesanato nas proximidades. A vítima, um homem negro de 34 anos, registrou ocorrência na 1ª Delegacia Territorial dos Barris. A Polícia Civil da Bahia confirmou que investiga o caso como injúria racial, crime previsto no artigo 140, parágrafo 3º, do Código Penal.

Racismo na Bahia: um caso que ecoa tradição e luta

A Bahia tem uma história de resistência negra que atravessa séculos. Do terreiro de candomblé ao bloco afro, a cultura local é marcada pela afirmação da identidade. Por isso, quando um turista argentino é acusado de racismo na Bahia, a ferida é mais profunda. "Aqui a gente não tolera esse tipo de coisa. Nossa história é de luta", me disse o mestre de capoeira João, enquanto ajustava o berimbau.

O episódio reacendeu debates sobre o comportamento de estrangeiros em eventos esportivos. Durante a Copa do Mundo de 2014, houve registros de atitudes semelhantes em outras cidades brasileiras. A diferença agora é a reação imediata das redes sociais e da imprensa, que amplificam a denúncia.

O que diz a lei brasileira sobre racismo

A legislação brasileira é clara: racismo é crime inafiançável e imprescritível, com pena de 1 a 5 anos de reclusão. A Lei 7.716/1989 define como racismo qualquer discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional. Já a injúria racial, enquadrada no Código Penal, tem pena de 1 a 3 anos.

O delegado responsável pelo caso afirmou que as investigações estão em andamento. "Estamos ouvindo testemunhas e analisando imagens de câmeras de segurança", declarou à imprensa local. A defesa do turista ainda não se manifestou publicamente.

Reações da comunidade e do consulado argentino

A comunidade argentina em Salvador se dividiu. Enquanto alguns condenaram o ato, outros pediram cautela até que os fatos sejam apurados. O Consulado da Argentina na Bahia informou, por meio de nota, que acompanha o caso e presta assistência consular ao cidadão envolvido.

Nas redes sociais, a hashtag #RacismoNão viralizou. Artistas locais, como o cantor Lazzo Matumbi, se manifestaram: "Não podemos naturalizar o racismo, nem de turista, nem de ninguém". A cena cultural baiana, conhecida por sua força, usou a arte como resposta: rodas de samba e apresentações de afoxé nos dias seguintes levaram mensagens de respeito.

Turista argentino acusado de racismo: o que podemos aprender

Fui conversar com a historiadora e ativista Ana Célia, que estuda relações raciais na Bahia. Ela me lembrou que o racismo não é um ato isolado, mas parte de uma estrutura. "Quando um turista argentino é acusado de racismo na Bahia, não é só sobre ele. É sobre como o racismo se manifesta em diferentes culturas", explicou.

O caso também levanta a questão do turismo responsável. A Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) na Bahia emitiu uma nota orientando estabelecimentos a denunciar casos de preconceito. "Não vamos tolerar esse tipo de comportamento", afirmou o presidente da entidade.

Como denunciar casos de racismo na Bahia

Se você presenciar ou sofrer racismo, a orientação é registrar ocorrência na delegacia mais próxima. A Bahia conta com a Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes por Discriminação e Intolerância (Decrim), que funciona na Rua do Tijolo, no Centro de Salvador. O disque 100 também recebe denúncias anônimas.

A Defensoria Pública do Estado oferece assistência jurídica gratuita para vítimas de racismo. Em 2025, a defensoria registrou 230 casos de injúria racial na capital baiana, segundo dados oficiais.

Perguntas Frequentes

O turista argentino foi preso?

Até o momento, não há informação de prisão. O caso está em fase de investigação, e o turista segue em liberdade, mas pode ser chamado a depor.

Qual a diferença entre racismo e injúria racial?

Racismo atinge um grupo inteiro e é previsto na Lei 7.716/1989. Injúria racial é a ofensa dirigida a uma pessoa específica, usando elementos de raça, cor ou etnia.

O que fazer se eu for vítima de racismo na Bahia?

Registre boletim de ocorrência em qualquer delegacia ou na Decrim. Guarde provas como vídeos, áudios ou testemunhas.

O consulado argentino está ajudando o turista?

Sim, o Consulado da Argentina em Salvador presta assistência consular, mas não interfere nas investigações brasileiras.

Como a cultura baiana reage a episódios de racismo?

A resposta costuma vir pela arte e pela mobilização social. Grupos de capoeira, blocos afro e artistas locais promovem ações de conscientização.

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