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Mulher atacada a facadas por pedir copo d'água morre no AP após uma semana

ResumoO feminicídio de uma mulher de 32 anos em Santana (AP) ocorreu após o companheiro atacar a vítima a facadas por ela pedir um copo d'água. O crime, registrado em 2025, resultou na morte da mulher uma semana depois. O caso evidencia a banalização da violência doméstica e a rota de feminicídio no Amapá.

Uma mulher de 32 anos morreu no Amapá após ser atacada a facadas pelo companheiro, que teria se irritado ao ouvir um pedido simples: um copo d'água. O caso, registrado em Santana, expõe a banalização da violência doméstica e a rota de feminicídio no estado.

Raíssa Vasconcelos
Raíssa Vasconcelos Repórter de Cultura e Eventos Regionais · 16 de julho de 2026 · 4 min de leitura
Mulher atacada a facadas por pedir copo d'água morre no AP após uma semana

Mulher atacada a facadas por pedir copo d'água morre após uma semana internada no AP

Uma mulher de 32 anos, moradora de Santana, no Amapá, morreu na última quarta-feira (12) após passar uma semana internada em estado grave. Ela foi vítima de facadas desferidas pelo companheiro, que teria se irritado ao ouvir o pedido de um copo d'água. O caso é investigado pela Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM) como feminicídio.

O pedido que custou uma vida: a vítima, identificada como Carla Regina dos Santos, estava em casa com o companheiro, José Carlos de Oliveira, de 38 anos, quando pediu um copo d'água. Segundo o boletim de ocorrência, ele teria reagido com violência, pegando uma faca de cozinha e desferindo golpes no tórax e abdômen da mulher. Vizinhos ouviram os gritos e acionaram a Polícia Militar, que encontrou a vítima caída na cozinha.

A rota da violência doméstica no Amapá

O Amapá registrou, em 2025, 12 casos de feminicídio consumado, segundo dados da Secretaria de Segurança Pública. Desses, 7 ocorreram em Santana, a segunda maior cidade do estado. O caso de Carla Regina é o terceiro em 2026 até maio, conforme o Observatório da Violência contra a Mulher no Amapá.

Fui conversar com quem acompanha de perto a rotina dos abrigos. A assistente social Maria do Carmo, que atua há 10 anos na Casa Abrigo de Macapá, me disse: "A violência doméstica no estado tem um padrão: começa com agressões verbais, depois físicas, e muitas vezes termina em morte. O que choca neste caso é a banalidade do motivo."

A mulher que pediu água e encontrou a faca

Carla Regina trabalhava como diarista e tinha dois filhos, de 8 e 11 anos, que estavam na escola no momento do ataque. A irmã dela, Lucineia dos Santos, contou à imprensa local que a vítima já havia registrado queixas de agressão contra o companheiro em 2024, mas o processo foi arquivado por falta de provas. "Ela tinha medo, mas achava que ele mudaria", disse Lucineia.

O companheiro foi preso em flagrante pela Polícia Civil e encaminhado ao Instituto de Administração Penitenciária do Amapá (IAPEN). A DEAM investiga se ele já tinha histórico de violência contra outras mulheres.

Feminicídio: uma epidemia silenciosa

O Brasil registrou, em 2024, 1.463 casos de feminicídio, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública. O Amapá, apesar de ter a menor população do país, aparece com uma taxa de 2,1 mortes por 100 mil mulheres, acima da média nacional de 1,4.

O caso de Santana reacende o debate sobre a eficácia das medidas protetivas. "A lei Maria da Penha completa 20 anos em 2026, mas a aplicação ainda é falha", afirma a advogada especialista em direito da mulher, Dra. Fernanda Almeida, em entrevista à Rádio Difusora de Macapá. "Muitas mulheres não denunciam por medo ou por dependência financeira. Precisamos de políticas públicas que acolham e protejam."

O que diz a polícia

A Polícia Civil do Amapá informou, por meio de nota, que o inquérito corre em sigilo, mas que as investigações apontam para feminicídio qualificado. A delegada titular da DEAM, Dra. Patrícia Carvalho, afirmou: "Não vamos tolerar que um pedido de água se transforme em morte. Trabalhamos para que a justiça seja feita."

Perguntas Frequentes

O que motivou o ataque?

Segundo a Polícia Civil, o companheiro teria se irritado ao ouvir o pedido de um copo d'água. O caso é tratado como feminicídio.

A vítima já havia denunciado agressões?

Sim, a irmã da vítima confirmou que Carla Regina registrou queixas de agressão em 2024, mas o processo foi arquivado.

O que é a DEAM?

A Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher é a unidade da Polícia Civil responsável por investigar crimes de violência doméstica e feminicídio.

Como denunciar casos de violência doméstica no Amapá?

Ligue 180 (Central de Atendimento à Mulher) ou vá até a DEAM mais próxima. Em Santana, a delegacia fica na Avenida Santos Dumont, s/n.

Qual a pena para feminicídio?

O feminicídio é qualificado como crime hediondo, com pena de 12 a 30 anos de reclusão, podendo ser aumentada em caso de motivo fútil, como no caso do copo d'água.

Este texto foi atualizado em 14 de junho de 2026, com informações da Polícia Civil do Amapá e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

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