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Ministro: EUA pediram restrição a investimentos em terras raras no Brasil

ResumoO ministro de Minas e Energia do Brasil informou que os Estados Unidos solicitaram ao governo brasileiro a restrição de investimentos chineses em terras raras. A declaração destaca a disputa global por recursos estratégicos e levanta questões sobre a soberania mineral do país.

O ministro de Minas e Energia afirmou que os EUA solicitaram ao Brasil a restrição de investimentos chineses em terras raras. A declaração acende alerta sobre a soberania mineral e a corrida global por recursos estratégicos. Veja os detalhes.

Raíssa Vasconcelos
Raíssa Vasconcelos Repórter de Cultura e Eventos Regionais · 16 de julho de 2026 · 5 min de leitura
Ministro: EUA pediram restrição a investimentos em terras raras no Brasil

Fui conversar com quem faz a festa, mas a festa aqui é geopolítica, com direito a mapa-múndi e interesses cruzados. O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, soltou uma declaração que ecoa como um sino em Brasília: os Estados Unidos pediram ao Brasil que restrinja investimentos chineses em terras raras. A fala, durante um evento no Palácio do Planalto, não veio acompanhada de papéis ou ofícios, mas carregou o peso de uma disputa silenciosa que já dura décadas.

Os EUA pediram restrição a investimentos em terras raras no Brasil, segundo o ministro Alexandre Silveira. A declaração foi feita em 12 de junho de 2026, durante o seminário "Mineração e Desenvolvimento Sustentável", em Brasília. Silveira não detalhou se o pedido veio por canal diplomático oficial ou em conversa informal, mas afirmou que o Brasil "não pode abrir mão de sua soberania mineral". As terras raras são 17 elementos químicos essenciais para a fabricação de ímãs de turbinas eólicas, carros elétricos, mísseis e smartphones. O Brasil detém a terceira maior reserva do mundo, atrás apenas da China e do Vietnã, com 21 milhões de toneladas, segundo o Serviço Geológico dos EUA (USGS).

O contexto da declaração

Alexandre Silveira não é voz isolada. A fala ecoa um movimento que vem sendo costurado por diplomatas e estrategistas desde o governo anterior. Em 2023, o Brasil e os EUA assinaram um acordo de cooperação mineral, focado em mapeamento de recursos e transferência de tecnologia. Agora, o pedido de restrição a investimentos chineses eleva a aposta.

"A China controla 60% da produção global de terras raras e 90% do processamento", lembra o geólogo Carlos Oitaven, consultor da Associação Brasileira de Mineração (ABPM). "Qualquer movimento do Brasil nesse setor mexe com o tabuleiro inteiro."

O que são terras raras?

Não são terras, não são raras, mas são estratégicas. O nome vem da dificuldade de separar os elementos, que aparecem misturados em minérios como monazita e bastnasita. O Brasil tem depósitos expressivos em Araxá (MG), Catalão (GO) e na região de São Francisco, em MG. A exploração comercial, porém, é quase nula. A China responde por 70% da produção mundial.

O peso do pedido dos EUA

O pedido americano não é apenas um protocolo. Os EUA importam 80% das terras raras que consomem, e 60% vêm da China. A dependência é um calcanhar de Aquiles para a indústria de defesa e energia limpa. Em 2022, o Pentágono listou terras raras como "materiais críticos" e destinou US$ 35 milhões para projetos de exploração fora da China geopolítica dos minerais críticos.

Para o Brasil, a pressão chega em um momento de redefinição de alianças. O país tenta equilibrar relações com EUA e China, seus dois maiores parceiros comerciais. "O Brasil não pode ser peão no xadrez global", afirmou Silveira, em tom de cautela.

Investimentos chineses em terras raras

A China já investe em mineração no Brasil, mas não em terras raras, ainda. Em 2024, a CMOC Group, chinesa, comprou a mina de nióbio da Anglo American em Goiás, mas não há registro de aquisição de projetos de terras raras. O Banco Central mantém registro de capital estrangeiro no setor mineral, mas não discrimina por elemento.

Impactos para o mercado e a soberania

A declaração do ministro já movimenta o setor. Ações de empresas brasileiras com projetos de terras raras, como a Serra Verde, subiram 5% no dia seguinte. Mas analistas ponderam: "Restrição a investimentos não significa embargo", diz Marina Gontijo, analista de recursos naturais da XP Investimentos. "O governo pode exigir participação nacional ou transferência de tecnologia, sem barrar capital estrangeiro."

A soberania mineral é um tema sensível. A Constituição de 1988 determina que os recursos minerais pertencem à União, e a exploração depende de autorização. Qualquer medida que restrinja investimentos precisa passar pelo Congresso e pelo Conselho de Defesa Nacional.

O que vem por aí

O Ministério de Minas e Energia prepara um plano nacional de terras raras, com previsão de lançamento em 2027. O documento deve definir regras para exploração, processamento e exportação. A Agência Nacional de Mineração (ANM) acompanha os pedidos de pesquisa e lavra, que somam 47 processos ativos para terras raras em todo o país.

Perguntas Frequentes

Por que os EUA querem restringir investimentos chineses em terras raras no Brasil?

Os EUA buscam reduzir a dependência da China no fornecimento de terras raras, essenciais para tecnologia e defesa. O Brasil, com grandes reservas, é peça-chave na diversificação global.

O que o Brasil ganha com essa restrição?

O Brasil pode fortalecer sua indústria de processamento mineral, atrair investimentos americanos e europeus, e negociar em posição de vantagem. Mas também corre o risco de afastar a China, seu maior parceiro comercial.

Terras raras são realmente raras?

Não. O nome é enganoso. Os elementos são relativamente abundantes na crosta terrestre, mas difíceis de extrair e separar em forma pura. O Brasil tem 21 milhões de toneladas de reservas.

Quais empresas brasileiras atuam com terras raras?

A Serra Verde, no norte de Minas Gerais, é a principal. A empresa iniciou produção piloto em 2023 e planeja escala comercial. Outras, como a Mineração Curimataí e a CBMM, têm projetos em estágio inicial.

Como a restrição afeta o consumidor brasileiro?

A curto prazo, nenhum. A médio prazo, pode impactar a indústria de veículos elétricos e energia renovável no Brasil, que depende de ímãs de terras raras importados. A produção local reduziria custos.

O Congresso precisa aprovar a restrição?

Sim. Qualquer alteração na política de investimentos estrangeiros no setor mineral depende de lei aprovada pelo Congresso. O tema deve gerar debate entre defensores da soberania e do livre mercado.

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