Setor químico estima custo adicional de US$ 66 milhões com novo tarifaço
O setor químico brasileiro estima que o novo tarifaço sobre insumos importados adicionará US$ 66 milhões aos custos anuais da indústria. A conta considera alíquotas que sobem de 12% para 35% em produtos como resinas e intermediários. A medida pode pressionar preços de fertilizant
Setor químico estima custo adicional de US$ 66 milhões com novo tarifaço
O novo tarifaço sobre insumos químicos importados deve gerar um custo adicional de US$ 66 milhões por ano para a indústria brasileira, segundo estimativas do setor. As alíquotas de importação subirão de 12% para 35% para produtos como resinas, intermediários e solventes. A medida, aprovada pela Câmara de Comércio Exterior (Camex), visa proteger a produção nacional, mas preocupa segmentos que dependem de matéria-prima importada.
Como o tarifaço impacta a indústria química
A Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim) calculou que o aumento das tarifas de importação para 35% em 49 produtos químicos elevará os custos em US$ 66 milhões ao ano. O impacto recai principalmente sobre resinas termoplásticas, solventes e intermediários usados na produção de fertilizantes, plásticos e tintas.
Para o presidente da Abiquim, a medida protege setores específicos, mas penaliza a cadeia produtiva como um todo. "Insumos mais caros encarecem o produto final, reduzem a competitividade e podem gerar inflação setorial", afirmou em nota.
Produtos afetados e alíquotas
A Camex aprovou a elevação das alíquotas de importação de 12% para 35% para os seguintes grupos de produtos:
- Resinas termoplásticas (polietileno, polipropileno)
- Intermediários para fertilizantes (ureia, nitrato de amônio)
- Solventes orgânicos (tolueno, xileno)
- Defensivos agrícolas intermediários
A medida entra em vigor em 90 dias, conforme publicado no Diário Oficial da União. O setor químico pediu prazo maior para adaptação, mas o governo manteve o cronograma.
Reação do governo e justificativa
O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) justificou a elevação como necessária para "proteger a indústria nacional contra concorrência desleal de países com subsídios estatais". A pasta citou a China como principal alvo das medidas, que responde por 40% das importações brasileiras de químicos.
Entretanto, a Abiquim contesta: "A indústria brasileira não tem capacidade de suprir a demanda interna desses insumos. O tarifaço encarece a produção sem garantir aumento real da oferta local."
Impacto no agronegócio e na construção civil
O custo adicional de US$ 66 milhões deve se refletir nos preços de fertilizantes e defensivos, que usam os insumos tarifados. A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) estima que o impacto no campo pode chegar a 2,5% nos custos de produção de grãos.
Na construção civil, resinas termoplásticas são base para tubos, conexões e tintas. O Sindicato da Indústria da Construção Civil (SindusCon-SP) projeta alta de 1,8% nos custos de materiais no segundo semestre.
O que o setor químico propõe
A Abiquim apresentou ao governo uma proposta de redução gradual das alíquotas ao longo de três anos, com contrapartidas de investimento em capacidade produtiva nacional. O plano prevê:
- Redução imediata para 25% nos primeiros 12 meses
- Queda para 20% no segundo ano
- Alíquota final de 15% no terceiro ano
O MDIC não respondeu formalmente à proposta, mas sinalizou abertura para negociação em setembro, quando a Camex revisa a lista de exceções.
Cronograma e próximos passos
A resolução da Camex publicada em junho de 2026 estabelece que as novas alíquotas entram em vigor em 90 dias. O setor químico acompanha a tramitação de recursos e pedidos de exceção para produtos sem similar nacional.
A Abiquim promete divulgar um relatório mensal de acompanhamento dos preços dos insumos afetados. O primeiro balanço sai em 30 dias.
impacto do tarifaço nos fertilizantes como a indústria química pode se adaptar
Perguntas Frequentes
Quanto o setor químico estima de custo adicional com o novo tarifaço?
O setor químico estima um custo adicional de US$ 66 milhões por ano.
Quais produtos tiveram as alíquotas elevadas?
Resinas termoplásticas, intermediários para fertilizantes, solventes orgânicos e defensivos agrícolas intermediários.
Qual era a alíquota anterior e qual é a nova?
A alíquota subiu de 12% para 35%.
Quando as novas tarifas entram em vigor?
Em 90 dias após a publicação no Diário Oficial da União, ou seja, em setembro de 2026.
O que o setor químico propõe como alternativa?
Uma redução gradual das alíquotas ao longo de três anos, com contrapartidas de investimento em capacidade produtiva nacional.
O tarifaço afeta o agronegócio?
Sim, o custo adicional deve elevar os preços de fertilizantes e defensivos, impactando em até 2,5% os custos de produção de grãos.