PF: Vorcaro pagou US$ 38 mil em guias VIP na Disney
A PF apurou que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro pagou US$ 38 mil em guias VIP na Disney e Universal para uma viagem de Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-chefe-adjunto do Desup do Banco Central, a Orlando em fevereiro de 2024.
A Polícia Federal apurou que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro custeou US$ 38 mil, cerca de R$ 194,3 mil na cotação atual, em serviço de guias VIP para a viagem de Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-chefe-adjunto do Departamento de Supervisão Bancária (Desup) do Banco Central, aos parques da Disney e da Universal, em Orlando, nos Estados Unidos.
A informação consta da oitiva de Leonardo Giunchetti às autoridades, na condição de testemunha. Segundo ele, o serviço durou de cinco a sete dias e foi pago por Vorcaro. A Disney limita o acompanhamento a oito pessoas por guia, e a Universal opera modelo semelhante por valor menor, conforme o depoimento.
O que o depoimento revelou sobre o serviço
Giunchetti afirmou que Vorcaro pediu apenas o serviço de guia nos parques. "Mais do que 8 pessoas, você tem que contratar dois guias. E aí eles andam juntos. Eles têm um pacote mínimo de 6 ou 8 horas, e, a partir desse tempo mínimo, eles cobram por hora", disse ele sobre a Disney. O empresário não foi localizado pela reportagem para comentar.
A PF reconstituiu a viabilização da viagem a partir do celular de Vorcaro. Após receber a programação de Paulo Sérgio, o ex-banqueiro a encaminhou ao contato Leo Serrano Giunchetti, indicando a necessidade de contratar um guia para os viajantes.
A troca de mensagens em fevereiro de 2024
No dia 5 de fevereiro de 2024, data em que Paulo Sérgio embarcaria, a PF identificou mensagens entre os envolvidos. O ex-diretor do BC agradeceu a Vorcaro e mencionou o contato de Leo. "Bom dia! Léo acabou de me mandar mensagen. Obrigado mais uma vez!!! Estamos embarcando daqui a pouco", escreveu Paulo Sérgio.
A CNN Brasil tentou contato com Paulo Sérgio e não obteve retorno até a publicação. A reportagem também não localizou a defesa de Leonardo Giunchetti.
O outro lado da investigação
Outro ex-funcionário do Banco Central citado no inquérito é Belline Santana, ex-chefe de supervisão do BC, apontado como receptor de R$ 760 mil mensais de Vorcaro. Segundo relatório da corporação, a relação entre os dois remonta a outubro de 2023.
Em 9 de janeiro de 2024, Zettel enviou mensagem a Vorcaro indicando pagamento pendente a Belline. Em 30 de janeiro, Zettel afirmou que realizaria, entre outros repasses, aquele destinado a Belline. Em 2 de outubro de 2024, nova mensagem a Vorcaro pontuou que parte do dinheiro enviado a Leonardo Palhares se destinava, na verdade, a Belline, no valor de R$ 760 mil.
Belline Santana nega ter recebido pagamentos e nega ter interferido nos trabalhos de fiscalização do Banco Master. investigações sobre o Banco Master
O próximo movimento do caso depende da análise dos materiais apreendidos e da eventual convocação de novos depoentes. cobertura de política e bastidores