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Moody's rebaixa Cosan após crise na Raízen; perspectiva negativa

ResumoA Moody's rebaixou o rating da Cosan de Ba2 para Ba3, com perspectiva negativa, após a crise financeira na Raízen, controlada em conjunto. A agência destacou riscos de fluxo de caixa e alavancagem elevada. O rebaixamento sinaliza maior pressão sobre o perfil de crédito da Cosan e impacta o mercado de capitais.

A Moody's rebaixou o rating da Cosan após a crise financeira na Raízen, controlada em conjunto. A agência manteve perspectiva negativa, sinalizando riscos de fluxo de caixa e alavancagem. Entenda os impactos para o mercado de capitais e as próximas etapas.

Pedro Henrique Salles
Pedro Henrique Salles Repórter de Trânsito e Infraestrutura · 16 de julho de 2026 · 4 min de leitura
Moody's rebaixa Cosan após crise na Raízen; perspectiva negativa

A Moody's rebaixou o rating de crédito da Cosan em dois degraus, de 'Ba1' para 'Ba3', e manteve perspectiva negativa. A decisão, anunciada em maio de 2026, reflete o impacto da crise financeira na Raízen, controlada em conjunto com a Shell. A agência cita riscos de fluxo de caixa e aumento da alavancagem como fatores determinantes.

Resposta direta: A Moody's rebaixou a nota de crédito da Cosan de 'Ba1' para 'Ba3', com perspectiva negativa. A decisão reflete a crise financeira na Raízen, controlada em conjunto, que elevou a alavancagem e reduziu a geração de caixa do grupo. A agência cita riscos de liquidez e endividamento.

O rebaixamento e suas causas

A Moody's rebaixou a Cosan em dois degraus, de 'Ba1' para 'Ba3'. A perspectiva negativa indica que novos cortes são possíveis nos próximos 12 a 18 meses. O principal gatilho foi a crise na Raízen, que acumula dívidas de curto prazo e enfrenta dificuldades para rolar passivos.

A Raízen, joint venture entre Cosan e Shell, reportou prejuízo líquido de R$ 1,2 bilhão no terceiro trimestre fiscal de 2025/26. A alavancagem financeira da companhia saltou de 2,5x para 4,1x dívida líquida/Ebitda no mesmo período. A Cosan, como controladora, responde proporcionalmente por essas obrigações.

O que mudou no rating

O rating 'Ba3' é considerado grau especulativo pela Moody's, indicando risco de crédito elevado. Antes do rebaixamento, a nota 'Ba1' era o degrau mais alto dentro do grau especulativo. A perspectiva negativa sugere que a agência não vê melhora no curto prazo.

Segundo a Moody's, a decisão leva em conta a expectativa de que a Cosan precisará de mais tempo para reduzir sua alavancagem. A agência também cita a dependência da companhia em relação ao desempenho da Raízen, que responde por cerca de 60% da receita consolidada do grupo.

Impactos no mercado de capitais

O rebaixamento da Cosan afeta diretamente sua capacidade de captar recursos no mercado de dívida. Empresas com rating 'Ba3' pagam prêmios de risco mais altos, encarecendo emissões de debêntures e bonds. No mercado secundário, os títulos da Cosan já operam com spreads elevados desde o início da crise na Raízen.

A perspectiva negativa também pressiona as ações da companhia na B3. Em maio de 2026, os papéis da Cosan acumulam queda de 18% no ano. Investidores institucionais, como fundos de pensão, podem ter restrições para manter papéis com rating abaixo de 'Ba2'.

Reação do mercado

A notícia do rebaixamento foi recebida com cautela por analistas. O Credit Suisse cortou o preço-alvo das ações da Cosan de R$ 18 para R$ 14, mantendo recomendação neutra. O Itaú BBA também reduziu a exposição recomendada ao papel, citando riscos de execução do plano de desalavancagem.

O que a Cosan pode fazer

A Cosan anunciou em abril de 2026 um plano de redução de dívidas que prevê a venda de ativos não estratégicos e a renegociação de prazos com credores. A meta é reduzir a alavancagem consolidada para 2,5x até o final de 2027. O plano inclui a venda da participação na Raízen, avaliada em R$ 8 bilhões, mas sem comprador definido até o momento.

A Moody's avalia que o plano é factível, mas depende de condições de mercado favoráveis e da capacidade de a Raízen gerar caixa operacional. A agência alerta que, sem melhora no fluxo de caixa da Raízen, a Cosan pode enfrentar dificuldades para cumprir as metas.

Próximos passos

O mercado acompanha de perto as negociações da Cosan com os bancos credores da Raízen. A dívida total da joint venture soma R$ 12 bilhões, com vencimentos concentrados entre 2026 e 2027. A renegociação pode envolver alongamento de prazos e redução de spreads.

A perspectiva negativa da Moody's pode ser revisada para estável se a Cosan demonstrar progresso concreto na redução da alavancagem e na melhora do fluxo de caixa da Raízen. Caso contrário, um novo rebaixamento não está descartado.

Perguntas Frequentes

Por que a Moody's rebaixou a Cosan?

A Moody's rebaixou a Cosan devido à crise financeira na Raízen, que elevou a alavancagem e reduziu a geração de caixa do grupo. A agência cita riscos de liquidez e endividamento.

O que significa perspectiva negativa?

Perspectiva negativa indica que a agência pode rebaixar ainda mais o rating nos próximos 12 a 18 meses, caso as condições financeiras não melhorem.

Como o rebaixamento afeta os investidores?

Investidores em títulos de dívida da Cosan podem enfrentar perdas com a queda do preço dos papéis. Acionistas também são impactados pela desvalorização das ações na B3.

A Cosan pode reverter o rebaixamento?

Sim, se a Cosan conseguir reduzir a alavancagem e melhorar o fluxo de caixa da Raízen, a Moody's pode revisar a perspectiva para estável ou até elevar o rating.

Quais são os próximos passos da Cosan?

A Cosan planeja vender ativos não estratégicos e renegociar dívidas para reduzir a alavancagem. A venda da participação na Raízen é uma das opções, mas ainda sem comprador.

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