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Linhão MA-GO: operação antecipada para 2028 e impactos na transmissão

ResumoO Linhão MA-GO, projeto de transmissão elétrica entre Maranhão e Goiás, terá operação comercial antecipada para 2028. A decisão do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) visa ampliar a capacidade de escoamento de energia renovável do Nordeste para o Centro-Oeste, atendendo à crescente demanda do sistema interligado nacional.

O linhão de transmissão que conecta o Maranhão a Goiás, projeto estratégico para o escoamento de energia renovável do Nordeste, terá sua operação comercial antecipada para 2028. A decisão, anunciada pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), responde à necessidade de ampli

Raíssa Vasconcelos
Raíssa Vasconcelos Repórter de Cultura e Eventos Regionais · 16 de julho de 2026 · 5 min de leitura
Linhão MA-GO: operação antecipada para 2028 e impactos na transmissão

Linhão de transmissão que liga MA a GO terá operação antecipada para 2028

Eu estava em São Luís, conversando com um técnico do ONS sobre os gargalos da transmissão no Nordeste, quando ele mencionou, quase de passagem: "o linhão MA-GO vai sair do papel antes do previsto". A frase ficou ecoando. Não era apenas uma obra de infraestrutura; era a chave para que a energia dos ventos e do sol do Maranhão e do Piauí chegue ao Centro-Oeste sem se perder no caminho.

O linhão de transmissão que liga o Maranhão a Goiás, projeto estratégico para o escoamento de energia renovável do Nordeste, terá sua operação comercial antecipada para 2028. A decisão, anunciada pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), responde à necessidade de ampliar a capacidade de escoamento dos parques eólicos e solares da região, que já somam mais de 20 GW de capacidade instalada.

Por que a antecipação do linhão MA-GO?

A pressa tem nome: congestionamento na rede de transmissão atual. Segundo o ONS, a geração de energia eólica e solar no Nordeste cresceu 15% em 2025 em relação ao ano anterior. Sem novas linhas, parte dessa energia é desperdiçada por falta de escoamento, o chamado "curtailment". A antecipação do linhão MA-GO para 2028, em vez do cronograma original de 2030, é uma resposta direta a esse gargalo.

Fui conversar com engenheiros do setor. Eles explicam que a rota Maranhão-Goiás é estratégica porque corta áreas com forte potencial de geração renovável e conecta diretamente ao subsistema Sudeste/Centro-Oeste, onde a demanda é maior. A linha terá aproximadamente 1.200 km de extensão e capacidade de transmitir até 2.000 MW, o suficiente para abastecer uma cidade de 3 milhões de habitantes.

Cronograma atualizado e próximos passos

O novo cronograma, aprovado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) em maio de 2026, prevê o início das obras ainda em 2026 e a conclusão até o final de 2028. As licenças ambientais, segundo o Ibama, estão em fase de análise. A expectativa é que os estudos de impacto ambiental sejam concluídos até o primeiro semestre de 2027.

O investimento total estimado é de R$ 4,5 bilhões, financiados por consórcio de empresas privadas e pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A linha cruzará 47 municípios em três estados: Maranhão, Tocantins e Goiás.

Impactos para a geração renovável no Nordeste

Para quem vive da energia solar e eólica no Maranhão e no Piauí, a notícia é alívio. Atualmente, a região concentra 85% da geração eólica do Brasil e 60% da solar, segundo a Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica). Sem novas rotas de escoamento, os parques operam com fator de capacidade reduzido.

Um produtor de energia solar do sul do Maranhão me contou: "a gente gera, mas não consegue vender tudo. Essa linha vai desafogar o sistema". A antecipação para 2028 significa que, em dois anos, a capacidade de escoamento da região saltará em 30%, segundo projeções do ONS.

O papel do ONS e da Aneel na decisão

A decisão de antecipar a operação não foi técnica apenas. O ONS realizou estudos de planejamento que mostraram que, mantendo o cronograma original, o risco de blecaute localizado aumentaria em 40% até 2030 (ONS, Plano de Operação Elétrica, 2026). A Aneel, então, aprovou a revisão do cronograma em regime de urgência.

A Aneel também determinou que as empresas responsáveis pela construção apresentem garantias financeiras adicionais para evitar atrasos. O consórcio vencedor do leilão de 2023, formado pelas empresas Eletrobras e ISA Cteep, já iniciou a mobilização de equipes.

Desafios ambientais e sociais

Nenhuma obra desse porte é simples. O linhão atravessa áreas de cerrado e transição para a Amazônia Legal, o que exige licenciamento ambiental rigoroso. O Ibama já solicitou estudos complementares sobre impacto em comunidades indígenas e quilombolas ao longo do traçado.

As comunidades locais, por outro lado, veem com expectativa a geração de empregos. A construção deve empregar 5.000 trabalhadores diretos no pico das obras, segundo estimativa do consórcio. Mas há preocupação com reassentamentos e indenizações. A Ouvidoria da Aneel registrou 12 reclamações formais de moradores em maio de 2026 sobre o processo de negociação.

Comparação com outros projetos de transmissão

O linhão MA-GO não é o único projeto antecipado. Em 2025, o ONS também aprovou a antecipação da linha que liga o Rio Grande do Norte a São Paulo, mas com menor capacidade. O MA-GO, por sua vez, é o maior em capacidade de transmissão entre os projetos em andamento no Nordeste.

Para se ter ideia, a linha atual que conecta o Maranhão ao Sudeste, o chamado "Linhão do Nordeste", opera com capacidade de 1.500 MW e já está no limite. O novo linhão praticamente dobra a capacidade de escoamento da região.

Perguntas Frequentes

Quando a operação do linhão MA-GO foi antecipada?

A operação comercial foi antecipada para 2028, conforme decisão do ONS e aprovação da Aneel em maio de 2026.

Qual a capacidade de transmissão do linhão?

A linha terá capacidade de transmitir até 2.000 MW, suficiente para abastecer 3 milhões de pessoas.

Quais estados serão beneficiados?

Maranhão, Tocantins e Goiás, com impacto indireto em toda a região Centro-Oeste e Sudeste.

O que motivou a antecipação?

O crescimento acelerado da geração eólica e solar no Nordeste, que já causa congestionamento na rede atual.

Quais os riscos ambientais do projeto?

O traçado atravessa áreas de cerrado e transição amazônica, com necessidade de licenciamento do Ibama e estudos de impacto em comunidades tradicionais.

Quem está construindo o linhão?

O consórcio formado por Eletrobras e ISA Cteep, vencedor do leilão de 2023.

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