Abrapa vê avanço em MP de dívidas rurais, mas cobra novas medidas
A Abrapa reconhece avanços na MP que renegocia dívidas rurais, mas alerta para a necessidade de novas medidas que garantam a sustentabilidade do setor algodoeiro. Entenda os pontos positivos e as reivindicações da entidade.
Fui conversar com quem está no centro da negociação. Não no gabinete, mas no campo, onde a conta chega antes do comunicado oficial. A Abrapa, que representa os cotonicultores brasileiros, soltou uma nota que é um misto de alívio e alerta. A MP das dívidas rurais, finalmente publicada, trouxe um fôlego, mas não a solução completa que o setor esperava.
A Abrapa (Associação Brasileira dos Produtores de Algodão) considera que a Medida Provisória das dívidas rurais representa um avanço, mas defende que novas medidas são necessárias para atender plenamente as necessidades do setor, especialmente em relação a prazos e condições de pagamento.
MP das dívidas rurais: o que mudou para o produtor
A MP, em tramitação no Congresso, reabriu o prazo para renegociação de dívidas de custeio e investimento. Segundo a Abrapa, o texto atual representa um passo importante, mas ainda insuficiente diante do aperto financeiro vivido pelos cotonicultores. A entidade destaca que a medida precisa ser complementada por ações que garantam previsibilidade e condições justas de pagamento.
Os pontos de avanço reconhecidos pela Abrapa
- Reabertura de prazos: a MP permite que produtores com dívidas vencidas entre 2020 e 2023 renegociem os débitos.
- Descontos em juros e multas: há previsão de redução de encargos, o que alivia o fluxo de caixa imediato.
- Alongamento do prazo de pagamento: as parcelas podem ser estendidas, dando mais tempo para o produtor se reorganizar.
"A MP é um avanço, mas não resolve o problema estrutural do endividamento do setor. Precisamos de medidas que ataquem a raiz da questão", afirma o presidente da Abrapa, em nota.
O que a Abrapa cobra além da MP
A entidade não se limitou a elogiar. Em comunicado oficial, deixou claro que o setor algodoeiro precisa de mais. As principais reivindicações são:
- Equalização de taxas de juros: para que o crédito rural tenha custo compatível com a rentabilidade da cultura.
- Linhas de crédito específicas para o algodão: que considerem o ciclo produtivo e os prazos de comercialização.
- Fundo de aval: para garantir operações de produtores que não têm garantias reais.
A situação do algodão no Brasil
O Brasil é um dos maiores produtores e exportadores mundiais de algodão. Dados do setor indicam que a safra 2025/2026 deve superar 3 milhões de toneladas, mas a margem do produtor tem sido comprimida por custos altos e preços internacionais voláteis. O endividamento, nesse contexto, vira uma bola de neve que a MP tenta desatar, mas não desata sozinha.
A tramitação da MP no Congresso
A MP precisa ser aprovada em até 120 dias para não perder a validade. A Abrapa já está em conversas com parlamentares da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) para incluir emendas que ampliem os benefícios. O relator da medida, deputado federal, sinalizou que está aberto a ajustes, mas o tempo é curto.
O que esperar dos próximos passos
A expectativa é que o texto seja votado ainda neste semestre. Se aprovado, vira lei e pode ser aperfeiçoado por decretos posteriores. A Abrapa, por sua vez, promete continuar pressionando por medidas complementares.
Perguntas Frequentes
O que é a MP das dívidas rurais?
É uma Medida Provisória que reabre o prazo para renegociação de dívidas de produtores rurais, com descontos e alongamento de prazos.
Quem pode aderir à renegociação?
Produtores com dívidas de custeio e investimento vencidas entre 2020 e 2023, desde que estejam em dia com as parcelas anteriores.
A Abrapa é contra a MP?
Não. A Abrapa reconhece avanços, mas cobra medidas adicionais para o setor algodoeiro.
Quais são as principais reivindicações da Abrapa?
Equalização de juros, linhas de crédito específicas para o algodão e criação de um fundo de aval.
Quando a MP será votada?
A previsão é que seja votada ainda no primeiro semestre de 2026, mas o prazo final é de 120 dias após a publicação.
Cenário do algodão no Brasil Como funciona a renegociação de dívidas rurais