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BCE deve elevar juros para conter inflação com guerra

ResumoBanco Central Europeu (BCE) deve elevar juros na quinta-feira (9) pela segunda vez em 2025, visando conter inflação acelerada pelo setor energético após conflito com o Irã. A decisão busca ancorar expectativas de preços, com impacto direto sobre custos de energia e atividade econômica na zona do euro.

O BCE deve elevar juros na quinta-feira (9) pela segunda vez este ano, buscando conter a inflação disparada pelo setor energético após a guerra com o Irã. Entenda o cenário.

Raíssa Vasconcelos
Raíssa Vasconcelos Repórter de Cultura e Eventos Regionais · 10 de setembro de 2026 · 3 min de leitura
BCE deve elevar juros para conter inflação com guerra

O Banco Central Europeu (BCE) deve elevar as taxas de juros na quinta-feira (9) pela segunda vez neste ano, buscando conter a disparada da inflação impulsionada pelo setor energético e desencadeada pela guerra com o Irã. A expectativa é que a taxa básica passe de 2,25% para 2,50%, com sinalização de que o banco está pronto para apertar ainda mais a política monetária se a perspectiva de inflação não melhorar.

Os ataques de ambos os lados desde o final de agosto quebraram um mês de relativa calma, com os EUA e o Irã atingindo alvos militares, navais e energéticos. Isso fez os preços do petróleo e do gás dispararem novamente, reacendendo temores de uma onda de aumentos de preços na zona do euro, importadora de combustíveis.

"Um aumento da taxa de juros em setembro parece praticamente certo", disse Alessia Berardi, chefe de macroeconomia global do Amundi Investment Institute. "A inflação permanece elevada e deve continuar alta nos próximos meses, antes de começar a diminuir no segundo semestre do próximo ano."

A presidente do BCE, Christine Lagarde, e seus colegas, reunidos este mês em Berlim para a viagem anual fora da sede, devem se sentir mais otimistas com os dados recentes de crescimento. A economia da zona do euro, composta por 21 países, tem resistido melhor que o previsto, apesar do aumento dos custos dos combustíveis, da concorrência da China e do impacto das secas.

O crédito bancário ganhou ritmo em julho, sugerindo que o aumento de junho ainda não afetou a atividade e dando margem para novos apertos. "Esperamos que a presidente Lagarde mantenha uma postura cautelosa, deixando a porta aberta para um aperto monetário ainda maior", disse Martin Wolburg, economista sênior da Generali Investments.

Os mercados financeiros já precificam mais dois ou três aumentos até o final do próximo ano. As condições de financiamento se tornaram mais restritivas, com rendimentos de títulos de longo prazo em níveis não vistos desde antes da crise financeira global, pressionados pela inflação, pela dívida pública, pela concorrência de emissões de grandes empresas de tecnologia e pela turbulência política na Alemanha.

Na quinta-feira, o BCE também deve revisar em alta as projeções de crescimento para este ano e, possivelmente, para 2027. Mas isso pode atrasar o cronograma para a inflação, atualmente acima de 3%, retornar à meta de 2%. O petróleo Brent atingiu US$ 100 por barril na quarta-feira, e as previsões podem não refletir totalmente a alta recente da energia.

Lorenzo Codogno, fundador da LC Macro Advisors, afirmou que o aumento dos custos dos combustíveis, as tensões comerciais e as perturbações climáticas criam condições para nova alta da inflação, o que pode forçar o BCE a apertar novamente em outubro e dezembro. "Podemos estar agora em um ponto de inflexão da inflação, e os salários também apresentarão pressão de alta em algum momento", disse.

Até agora, os indicadores que o BCE acompanha têm sido benignos: a inflação subjacente caiu para 2,4% no mês passado, e os consumidores reduziram expectativas de crescimento de preços. Mas analistas do Barclays alertaram que a pressão aumenta silenciosamente, com preços de bens essenciais ganhando impulso e preços ao produtor subindo mais rápido que os ao consumidor.

Carsten Brzeski, chefe global de macroeconomia do ING, afirmou que as empresas, pelo menos na Alemanha, absorveram os custos mais elevados, em contraste com 2022, quando o choque energético após a invasão da Ucrânia pela Rússia desencadeou ampla onda inflacionária.

Além da decisão, Lagarde deve ser questionada sobre seu mandato, previsto para terminar em 31 de outubro de 2027. Ela tem sido associada à liderança do Fórum Econômico Mundial e, em julho, expressou desejo de defender os valores europeus na campanha das eleições presidenciais francesas. Questionada se deixaria o BCE mais cedo, disse: "Vocês não vão me ver pelas costas antes de 2027." Um relatório sugerindo que Isabel Schnabel, membro do conselho, negocia ingressar no FMI pode prenunciar reformulação na cúpula do banco.

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