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Análise: Impacto do novo bloqueio dos Houthis em Bab el-Mandeb

ResumoO bloqueio dos Houthis no Estreito de Bab el-Mandeb contra a Arábia Saudita interrompe uma das rotas marítimas mais críticas para o comércio global de petróleo. A ação ameaça diretamente o abastecimento energético entre Ásia e Europa, elevando riscos de instabilidade nos preços e na segurança logística internacional.

Os Houthis do Iêmen anunciaram um bloqueio naval contra a Arábia Saudita no Estreito de Bab el-Mandeb, uma das principais rotas de petróleo e comércio entre Ásia e Europa. A medida ameaça o abastecimento global de energia.

Raíssa Vasconcelos
Raíssa Vasconcelos Repórter de Cultura e Eventos Regionais · 21 de julho de 2026 · 3 min de leitura
Análise: Impacto do novo bloqueio dos Houthis em Bab el-Mandeb

Análise: Qual o impacto do novo bloqueio dos Houthis em Bab el-Mandeb

O bloqueio naval dos Houthis do Iêmen contra a Arábia Saudita no Estreito de Bab el-Mandeb representa uma nova frente no conflito regional. A medida, anunciada durante o CNN Prime Time desta segunda-feira (20), ameaça o abastecimento global de energia e o comércio entre Ásia e Europa, segundo o analista de Internacional Lourival Sant'Anna.

Como o bloqueio afeta as exportações de petróleo saudita?

A Arábia Saudita, que antes exportava 10 milhões de barris de petróleo por dia, passou a exportar 7 milhões, o equivalente a 7% do petróleo consumido no mundo, detalhou Sant'Anna. Antes do fechamento do Estreito de Ormuz, uma parcela pequena do petróleo saudita era escoada pelo oleoduto Leste-Oeste, que transporta o produto até o Mar Vermelho, com ponto final no Porto de Yanbu.

Isso mudou a partir de março, com o avanço do conflito entre EUA e Irã. Em abril, todo o petróleo produzido pela Arábia Saudita passou por Bab el-Mandeb.

Com este novo bloqueio, a Arábia Saudita ficaria sem uma rota viável de exportação. "A Arábia Saudita para de exportar petróleo. Não tem por onde ir no momento", explicou Sant'Anna.

Quais rotas alternativas existem?

Além do petróleo, o fechamento do Estreito de Bab el-Mandeb afetaria diretamente o acesso da Ásia à Europa. Navios provenientes da China, Índia, Japão, Coreia do Sul e do Sudeste Asiático utilizam essa rota, atravessando o Oceano Índico, subindo pelo Mar Vermelho e acessando o Canal de Suez rumo ao Mar Mediterrâneo.

Com o bloqueio, a alternativa seria contornar o continente africano pelo Cabo da Boa Esperança, o que representa 6 mil quilômetros a mais e de 10 a 15 dias adicionais de navegação.

O que mudou desde o bloqueio anterior?

Sant'Anna lembrou que os Houthis já haviam adotado medida semelhante no final de 2023, em solidariedade ao Hamas, conseguindo fechar em grande medida o tráfego pelo estreito. Na ocasião, o Estreito de Ormuz ainda funcionava como rota alternativa.

Agora, com Ormuz também comprometido pelo conflito entre Estados Unidos e Irã, a Arábia Saudita se vê sem alternativas imediatas.

Qual a estratégia por trás do bloqueio?

Para Sant'Anna, no curto prazo o bloqueio representa uma arma extremamente eficaz nas mãos do Irã. "Estrategicamente, no longo prazo, o Irã está dando um tiro no pé. Ele vai perder esse fator dissuasório no futuro, porque o mundo não vai mais contar com o Estreito de Ormuz. Mas agora, no curto prazo, é uma arma extremamente eficaz", concluiu.

No médio e longo prazo, isso estimula a criação de alternativas, de oleodutos e de rotas alternativas. Mas demora, ponderou o analista.

Perguntas Frequentes

Quem são os Houthis?

Os Houthis são um grupo armado do Iêmen que controla grande parte do país, incluindo a região do Estreito de Bab el-Mandeb.

O que é o Estreito de Bab el-Mandeb?

É uma das rotas mais importantes para o escoamento de petróleo e comércio entre a Ásia e a Europa, localizado entre o Iêmen e o Chifre da África.

Como o bloqueio afeta o Brasil?

O Brasil, como exportador de commodities, pode sentir impactos indiretos no custo do frete e no preço do petróleo, mas a fonte não detalha efeitos específicos.

Qual a diferença entre este bloqueio e o de 2023?

Em 2023, o Estreito de Ormuz ainda funcionava como rota alternativa. Agora, com Ormuz comprometido, a Arábia Saudita fica sem alternativas imediatas.

Quanto tempo leva para criar rotas alternativas?

Segundo Sant'Anna, a criação de oleodutos e rotas alternativas leva tempo, não sendo uma solução de curto prazo.

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