Reescrevendo a Rua do Campo: Acervo Digital Resgata Identidade
Matheus Ferreira, de 26 anos, morador da Rua do Campo em Trizidela do Vale (MA), criou o perfil Baú da Rua do Campo no Instagram. O acervo digital mostra o cotidiano da comunidade, combate a discriminação e denuncia a falta de infraestrutura pública na região.
Reescrevendo a Rua do Campo: Acervo Digital Resgata Identidade
Reescrevendo a Rua do Campo, o projeto do jovem Matheus Ferreira, de 26 anos, morador de Trizidela do Vale (MA), cidade vizinha a Pedreiras, virou um acervo digital que mostra a comunidade pelas lentes de quem vive ali. O perfil Baú da Rua do Campo (@bau_da_rdc_) no Instagram combate estigmas de violência e discriminação, registrando o futebol, a cultura e o dia a dia dos moradores.
Como a Rua do Campo Está Sendo Reescrevida
Eu acompanho de perto projetos que nascem da base, e o Baú da Rua do Campo é um desses casos que me faz acreditar no poder da comunicação local. Matheus não esperou por ninguém. Incomodado com a forma como a mídia associava a Rua do Campo a problemas de segurança e criminalidade, ele decidiu mostrar o outro lado.
"A Rua do Campo não é mais aquela de antigamente. Hoje, você vê que saiu atleta de futebol, tem artista. E é por isso que eu criei esse perfil, para transmitir uma mensagem diferente. Essa discriminação não existe mais na Rua do Campo. Ficou no passado", afirma Matheus.
O Que o Baú da Rua do Campo Mostra
O perfil funciona como um acervo digital que conecta presente e passado. Matheus registra campeonatos de futebol, brincadeiras de criança, eventos locais e o cotidiano dos moradores. Além disso, publica fotos e vídeos antigos enviados por seguidores que já moraram ali.
"Eu vejo as crianças brincando hoje e digo: 'ali tem algo importante'. E eu já passei por aquilo ali. Eu tenho que registrar. Isso aí transmite também a minha infância e a infância de muitos que já moraram aqui e foram embora", conta.
Como a Comunidade Participa
Toda a comunidade participa da coleta de material. Enquanto Matheus registra o presente, os seguidores, muitos ex-moradores que se mudaram da cidade, enviam fotos e vídeos antigos. É uma troca que fortalece o senso de pertencimento.
Desafios e Denúncias
O trabalho de Matheus esbarra em limitações. Ele atua sozinho na idealização, captação e postagem do conteúdo. Atualmente sem um aparelho celular próprio, conta com a ajuda de uma prima para não deixar a página desatualizada.
O perfil também funciona como ferramenta de denúncia para a falta de infraestrutura pública. "A gente procura sempre melhorar, mas sem apoio não vai. Você entra aqui na Rua do Campo e vê uma quadra toda acabada, porque não tem um apoio para a juventude, uma área de lazer. É uma rua esquecida. Por isso que o Baú da RDC serve de denúncia, para levar para as pessoas a necessidade de um olhar melhor para cá", afirma Matheus.
Além do Instagram: Projetos Culturais
Matheus também é mobilizador cultural. Ele esteve à frente de projetos de cinema na comunidade, como o filme "No Ritmo", feito inteiramente com celular e com a participação dos jovens da região. O projeto está pausado, mas revela a veia artística do comunicador.
O Impacto do Acervo Digital
Mesmo com desafios de infraestrutura e falta de equipamentos profissionais, o desejo de ver sua comunidade valorizada move Matheus. Ao registrar um jogo de sinuca, uma partida de futebol ou crianças brincando, ele ratifica a dignidade de um povo.
Para ele, a Rua do Campo é o melhor lugar do mundo. Através do esforço diário no Instagram, ele garante que o resto do mundo também possa enxergar a beleza que sempre esteve lá.
Perguntas Frequentes
O que é o Baú da Rua do Campo?
É um perfil no Instagram (@bau_da_rdc_) criado por Matheus Ferreira, morador de Trizidela do Vale (MA), que funciona como acervo digital da comunidade Rua do Campo.
Quem criou o projeto Reescrevendo a Rua do Campo?
O jovem Matheus Ferreira, de 26 anos, morador da Rua do Campo, em Trizidela do Vale, cidade vizinha a Pedreiras (MA).
Qual o objetivo do perfil no Instagram?
Mostrar a comunidade pelas lentes de quem vive ali, combatendo estigmas de violência e discriminação, e registrando o cotidiano, o futebol e a cultura local.
Como a comunidade participa do acervo?
Moradores e ex-moradores enviam fotos e vídeos antigos, enquanto Matheus registra o presente. A troca fortalece o senso de pertencimento.
O projeto enfrenta dificuldades?
Sim. Matheus atua sozinho, sem aparelho celular próprio, contando com a ajuda de uma prima. A falta de infraestrutura pública na comunidade também é denunciada pelo perfil.
Além do Instagram, Matheus faz outros projetos?
Sim. Ele esteve à frente do filme "No Ritmo", feito com celular e com a participação dos jovens da região. O projeto está pausado no momento.