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Mudança climática pode eliminar até 34% das plantas usadas por povos da Amazônia, diz estudo

ResumoEstudo publicado na Science Advances, liderado pelo INPA, estima que a mudança climática pode eliminar até 34% das plantas úteis para povos da Amazônia até 2100. A pesquisa cruzou dados de 5 mil espécies com cenários de aquecimento global, projetando perda significativa de recursos vegetais essenciais para comunidades tradicionais.

Um estudo publicado na Science Advances estima que a mudança climática pode eliminar até 34% das plantas úteis para povos da Amazônia até 2100. O trabalho, liderado pelo INPA, cruzou dados de 5 mil espécies com cenários de aquecimento global. Veja o que isso significa para a segu

Nayara Couto
Nayara Couto Editora de Comportamento e Saúde · 08 de julho de 2026 · 5 min de leitura
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Você já ouviu falar que a mudança climática pode eliminar até 34% das plantas usadas por povos da Amazônia? Um estudo publicado na Science Advances, liderado pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), projeta que, em um cenário de aquecimento extremo, 34% das espécies vegetais de interesse para comunidades indígenas e tradicionais podem desaparecer até 2100. A pesquisa analisou 5 mil espécies e cruzou dados com modelos climáticos. Vamos entender os detalhes e o que isso significa na prática.

Sim, a mudança climática pode eliminar até 34% das plantas usadas por povos da Amazônia, segundo estudo liderado pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) e publicado na Science Advances. A pesquisa analisou 5 mil espécies vegetais e projetou perdas para 2100 em cenários de aquecimento de 2°C a 4°C. As regiões mais afetadas seriam o sul e leste da Amazônia.

O que diz o estudo sobre a perda de plantas na Amazônia

A pesquisa, conduzida por pesquisadores do INPA em colaboração com universidades brasileiras e internacionais, avaliou o impacto do aquecimento global sobre a flora amazônica. Foram consideradas 5 mil espécies com algum uso documentado, alimentício, medicinal, construtivo ou ritualístico, por 35 povos indígenas e comunidades ribeirinhas.

Em um cenário de aquecimento de 4°C até o fim do século, a projeção é que 34% dessas espécies percam área de distribuição adequada. Mesmo em um cenário mais otimista, de 2°C, a perda seria de 18%. As espécies mais vulneráveis são aquelas de ocorrência restrita, como certas palmeiras e árvores frutíferas.

Como os cientistas chegaram a esse número

Os pesquisadores usaram modelos de nicho ecológico, que correlacionam a distribuição atual de cada espécie com variáveis climáticas (temperatura, precipitação, sazonalidade). Depois, projetaram essa distribuição para 2070 e 2100 usando os cenários do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC).

  • Cenário RCP 4.5 (aquecimento moderado): perda de 18% das espécies.
  • Cenário RCP 8.5 (aquecimento extremo): perda de 34%.

As regiões mais atingidas seriam o sul da Amazônia (já afetada pelo desmatamento) e o leste, onde a seca é mais intensa.

Plantas ameaçadas: o que pode desaparecer

Entre as espécies com risco elevado estão o açaí (Euterpe oleracea), o cumaru (Dipteryx odorata) e a copaíba (Copaifera langsdorffii), todas com uso alimentar e medicinal consolidado. Mas a lista inclui centenas de plantas menos conhecidas, mas essenciais para a dieta e a medicina local.

  • Alimentícias: frutas como o buriti (Mauritia flexuosa) e o bacuri (Platonia insignis) podem ter sua área reduzida em até 40% no cenário extremo.
  • Medicinais: plantas como a unha-de-gato (Uncaria tomentosa) e o barbatimão (Stryphnodendron adstringens) perdem habitat adequado.
  • Rituais: o cipó (Banisteriopsis caapi), usado no preparo do ayahuasca, também aparece entre as espécies vulneráveis.

Impacto sobre povos indígenas e comunidades tradicionais

Para os povos da Amazônia, a perda dessas plantas não é apenas ecológica, é cultural e econômica. Muitas espécies são a base da medicina tradicional, da alimentação e da renda familiar. A pesquisa entrevistou 35 grupos, incluindo os Yanomami, os Kayapó e os Ashaninka, que relataram dificuldades crescentes para encontrar plantas que antes eram comuns.

"A gente já sente que algumas plantas estão mais difíceis de achar", afirmou um pajé do povo Ticuna, em entrevista aos pesquisadores. O estudo reforça que a mudança climática acelera um processo já agravado pelo desmatamento e pelas queimadas.

O que a ciência recomenda

Os autores sugerem medidas de adaptação:

  1. Criação de bancos de sementes comunitários.
  2. Cultivo de espécies ameaçadas em áreas protegidas.
  3. Redução do desmatamento para dar resiliência às florestas.
  4. Monitoramento contínuo das populações vegetais.

Veja também: Desmatamento na Amazônia em 2025

Cenários climáticos e a Amazônia até 2100

O IPCC projeta que, se as emissões de gases de efeito estufa continuarem no ritmo atual, a Amazônia pode aquecer entre 3°C e 5°C até 2100, com redução de 20% a 40% da precipitação no leste da região. Isso tornaria vastas áreas inóspitas para muitas espécies vegetais.

O estudo do INPA é um dos primeiros a quantificar o impacto específico sobre as plantas usadas por humanos. Ele mostra que a perda de biodiversidade não é abstrata, afeta diretamente a vida de milhões de pessoas.

Como a população pode ajudar

A boa notícia é que há ações concretas. Apoiar projetos de restauração florestal, consumir produtos de origem sustentável e cobrar políticas climáticas dos governos são passos que fazem diferença. Organizações como o Instituto Socioambiental (ISA) e a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB) trabalham na proteção das florestas e dos saberes tradicionais.

Perguntas Frequentes

O estudo diz que 34% das plantas vão desaparecer mesmo?

O número é uma projeção para o cenário mais extremo (aquecimento de 4°C). No cenário moderado (2°C), a perda seria de 18%. A pesquisa foi publicada na Science Advances e liderada pelo INPA.

Quais plantas da Amazônia estão mais ameaçadas?

Espécies como açaí, cumaru, copaíba, buriti, bacuri e unha-de-gato estão entre as mais vulneráveis. Mas a lista inclui centenas de plantas menos conhecidas.

Como a mudança climática afeta os povos indígenas?

Além da perda de plantas medicinais e alimentícias, há impacto cultural (rituais, saberes) e econômico (renda com extrativismo). Comunidades já relatam dificuldade para encontrar espécies que antes eram abundantes.

O que pode ser feito para evitar essa perda?

Reduzir o desmatamento, criar bancos de sementes, cultivar espécies ameaçadas em áreas protegidas e frear as emissões de gases de efeito estufa são as principais recomendações dos cientistas.

Onde posso encontrar mais informações?

O estudo completo está disponível na Science Advances. No Brasil, o INPA e o IPCC disponibilizam relatórios sobre o tema. Organizações como o ISA e a COIAB também publicam materiais sobre a proteção da Amazônia.

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