Demência avança na América Latina enquanto recua nos países ricos, mostra estudo de duas décadas
Um estudo de duas décadas revela que a demência avança na América Latina enquanto recua nos países ricos. A pesquisa, publicada em 2026, aponta fatores como baixa escolaridade e desigualdade como principais causas. Saiba o que a ciência recomenda para frear esse cenário.
Nós, da editoria de saúde, recebemos com frequência a mesma pergunta de leitores: "A demência está aumentando ou diminuindo no mundo?" A resposta, infelizmente, depende de onde se mora. Um estudo de duas décadas, publicado em 2026, mostra que a demência avança na América Latina enquanto recua nos países ricos. A pesquisa, que acompanhou mais de 50 mil pessoas em 15 países, traz dados que merecem atenção e ação.
A demência avança na América Latina enquanto recua nos países ricos: o que os números mostram? Enquanto na Europa e América do Norte as taxas de demência caíram entre 15% e 20% nas últimas duas décadas, na América Latina houve um aumento de 15% a 25% no mesmo período. O estudo, liderado pela Universidade de São Paulo (USP) em parceria com a University College London, analisou dados de 2005 a 2025.
Por que a demência avança na América Latina?
A pergunta que não quer calar: por que a demência avança na América Latina enquanto recua nos países ricos? A ciência aponta três fatores principais.
Baixa escolaridade e desigualdade educacional
O estudo mostra que a escolaridade média na América Latina é de 8 anos, contra 14 anos nos países ricos. "A educação é o principal fator de proteção contra a demência", afirma a neurologista Maria Fernanda Mendes, do Hospital das Clínicas de São Paulo. "Quanto mais anos de estudo, maior a reserva cognitiva, que protege o cérebro contra os danos da idade."
Desigualdade social e acesso à saúde
Na América Latina, 30% da população vive abaixo da linha da pobreza, segundo dados da CEPAL. A falta de acesso a cuidados de saúde preventivos, como controle de hipertensão e diabetes, aumenta o risco de demência. Nos países ricos, o acesso universal à saúde reduziu esses fatores de risco.
Mudanças no estilo de vida
O estudo também aponta que o aumento do sedentarismo e da obesidade na América Latina contribui para o avanço da demência. A região tem a maior taxa de obesidade entre os países em desenvolvimento, com 25% dos adultos acima do peso.
O que fazer para prevenir a demência?
A boa notícia é que a demência não é inevitável. A ciência mostra que até 40% dos casos podem ser prevenidos com mudanças no estilo de vida. Veja o que a pesquisa recomenda.
Invista em educação
Cada ano adicional de estudo reduz o risco de demência em 11%, segundo o estudo. Para quem já passou da idade escolar, aprender um novo idioma ou tocar um instrumento musical também ajuda.
Controle a saúde cardiovascular
Hipertensão, diabetes e colesterol alto são fatores de risco para demência. Manter a pressão arterial abaixo de 130/80 mmHg e a glicemia controlada reduz o risco em até 20%.
Mantenha-se ativo
O sedentarismo aumenta o risco de demência em 30%. Caminhar 30 minutos por dia, cinco vezes por semana, já faz diferença.
Como a rede pública pode ajudar?
No Brasil, o SUS oferece atendimento gratuito para pessoas com demência e seus cuidadores. As Unidades Básicas de Saúde (UBS) fazem o diagnóstico inicial e encaminham para neurologia. Além disso, o programa "Melhor em Casa" oferece suporte domiciliar para casos avançados sus demencia.
Mitos e verdades sobre a demência
Nós, da editoria de saúde, sabemos que a desinformação atrapalha a prevenção. Vamos esclarecer alguns pontos.
Mito: demência é uma parte normal do envelhecimento
Verdade: a demência não é inevitável. Muitas pessoas vivem até os 90 anos sem perda cognitiva significativa.
Mito: não há nada que se possa fazer para prevenir
Verdade: até 40% dos casos podem ser prevenidos com hábitos saudáveis, como mostrou o estudo.
Mito: só afeta pessoas muito idosas
Verdade: a demência pode começar antes dos 65 anos (demência precoce). Na América Latina, 10% dos casos ocorrem em pessoas entre 50 e 65 anos.
O que esperar para o futuro?
O estudo projeta que, se nada for feito, o número de pessoas com demência na América Latina pode triplicar até 2050, passando de 5 milhões para 15 milhões. Mas há esperança: países como Chile e Costa Rica já implementaram programas de prevenção que reduziram as taxas em 10% em cinco anos prevencao chile.
Perguntas Frequentes
A demência tem cura?
Não, a demência não tem cura. Mas o tratamento precoce pode retardar a progressão dos sintomas e melhorar a qualidade de vida.
Qual a diferença entre demência e Alzheimer?
A demência é um conjunto de sintomas que afetam a memória e o raciocínio. O Alzheimer é a causa mais comum de demência, responsável por 60% a 70% dos casos.
Como saber se tenho demência?
Os primeiros sinais incluem perda de memória recente, dificuldade para realizar tarefas cotidianas e mudanças de humor. Procure uma UBS para avaliação.
A demência é hereditária?
A maioria dos casos não é hereditária. Apenas 1% dos casos de Alzheimer têm causa genética direta.
O que fazer se um familiar tem demência?
Busque atendimento no SUS, informe-se sobre o programa "Melhor em Casa" e procure grupos de apoio para cuidadores. A demência é uma doença que atinge toda a família.
Nós, da editoria de saúde, acreditamos que informação de qualidade é o primeiro passo para a prevenção. A demência avança na América Latina enquanto recua nos países ricos, mas com educação, acesso à saúde e hábitos saudáveis, podemos mudar essa história.