Mãe que atribui morte do filho ao vício em apostas: 'Estava cego pelo vício'
Uma mãe atribui a morte do filho ao vício em apostas online. O jovem passava noites em claro apostando e, segundo ela, 'estava cego pelo vício'. O caso expõe os riscos do transtorno do jogo e a necessidade de suporte psicológico e regulamentação.
Uma mãe relatou que o filho morreu em decorrência do vício em apostas online. Segundo ela, o jovem passava noites em claro apostando e 'estava cego pelo vício', sem conseguir parar mesmo diante das consequências. O caso expõe os riscos do transtorno do jogo, condição classificada como dependência comportamental pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
O vício em apostas, também chamado de ludopatia ou transtorno do jogo, é caracterizado pela perda de controle sobre o ato de apostar, mesmo quando isso causa danos financeiros, sociais e à saúde. A OMS inclui o transtorno na Classificação Internacional de Doenças (CID-11) como um distúrbio de controle de impulsos.
Como o vício em apostas afeta a saúde física e mental
O relato da mãe descreve um padrão comum: noites sem dormir, isolamento social e negligência com a própria saúde. A privação de sono prolongada, combinada com ansiedade e estresse constantes, pode levar a complicações cardiovasculares, como arritmias e hipertensão.
Segundo o Ministério da Saúde, o transtorno do jogo está associado a altos índices de depressão, ansiedade e ideação suicida. O tratamento exige acompanhamento psicológico e, em alguns casos, psiquiátrico.
Sinais de alerta do vício em apostas
- Passar cada vez mais tempo apostando, inclusive durante a noite.
- Mentir sobre o tempo ou dinheiro gasto com apostas.
- Tentar parar ou reduzir sem sucesso.
- Negligenciar trabalho, estudos ou relações pessoais.
- Pedir dinheiro emprestado ou vender bens para continuar apostando.
Regulamentação das apostas no Brasil
A Lei 14.790/2023, que regulamenta as apostas esportivas e os jogos online no Brasil, entrou em vigor em 2024. A legislação prevê mecanismos de proteção ao apostador, como limites de depósito e autoexclusão. No entanto, o vício em apostas continua sendo um problema de saúde pública.
O Banco Central do Brasil monitora transações financeiras suspeitas, mas o controle sobre o comportamento do apostador é limitado. Especialistas defendem que as plataformas de apostas devem ser obrigadas a exibir alertas sobre os riscos do jogo e oferecer ferramentas de autoexclusão vício em apostas e saúde mental.
Tratamento e suporte disponíveis
O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece atendimento psicológico e psiquiátrico para dependentes comportamentais. Os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) são a porta de entrada para o tratamento.
Além disso, existem grupos de apoio como os Jogadores Anônimos, que seguem o modelo dos 12 passos. O tratamento pode incluir terapia cognitivo-comportamental, medicamentos para controle de ansiedade e, em casos graves, internação.
O papel da família no enfrentamento
A mãe do jovem disse que tentou intervir, mas o filho não reconhecia o problema. Especialistas orientam que a abordagem deve ser feita com acolhimento, sem julgamento. A família pode buscar orientação em serviços de saúde mental antes de tentar uma conversa.
Passos para ajudar um familiar
- Busque informação sobre o transtorno do jogo em fontes oficiais, como o Ministério da Saúde.
- Converse em um momento calmo, expressando preocupação sem acusações.
- Ofereça acompanhamento a uma consulta com psicólogo ou psiquiatra.
- Evite dar dinheiro para apostas ou pagar dívidas sem um plano de tratamento.
- Procure grupos de apoio para familiares, como os oferecidos pelos Jogadores Anônimos.
Prevenção e conscientização
A prevenção do vício em apostas passa pela educação financeira e emocional desde a juventude. Escolas e famílias podem abordar os riscos do jogo como parte do currículo de saúde mental.
O caso da mãe que perdeu o filho para o vício em apostas é um alerta para a sociedade. O transtorno do jogo não é falta de caráter, mas uma condição médica que exige tratamento. A regulamentação das apostas no Brasil precisa avançar na proteção dos usuários, com campanhas de conscientização e canais de denúncia como buscar ajuda para dependência de jogos.
Perguntas Frequentes
O vício em apostas é considerado uma doença?
Sim. A OMS classifica o transtorno do jogo como uma dependência comportamental na CID-11.
Quais são os primeiros sinais de que alguém está viciado em apostas?
Aumento do tempo gasto apostando, mentiras sobre o hábito, tentativas frustradas de parar e prejuízos financeiros ou sociais.
Onde buscar ajuda para o vício em apostas?
No SUS, pelos CAPS, ou em grupos como os Jogadores Anônimos. O Ministério da Saúde oferece orientação pelo Disque 136.
A regulamentação das apostas no Brasil protege o apostador?
A Lei 14.790/2023 prevê limites de depósito e autoexclusão, mas a eficácia depende da fiscalização e da adesão das plataformas.
Como a família pode ajudar um dependente de apostas?
Buscando informação, conversando sem julgamento e oferecendo acompanhamento a tratamento especializado.