USDA confirma 41 casos de mosca-varejeira nos EUA: o que muda para o Brasil?
O USDA confirmou 41 casos de mosca-varejeira-do-novo-mundo nos EUA desde junho. A praga, erradicada há 60 anos, voltou a ameaçar a pecuária e já afeta importações de gado. Entenda o que isso significa para o Brasil.
Desde junho, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) confirmou 41 casos de mosca-varejeira-do-novo-mundo no país. O número acendeu alertas na pecuária norte-americana e levanta preocupações também para o Brasil, um dos maiores exportadores de carne do mundo.
A praga, que havia sido erradicada dos EUA na década de 1960 por meio de um amplo programa de controle biológico, voltou a ser registrada após mais de seis décadas. Os dados, divulgados pelo APHIS (Serviço de Inspeção de Saúde Animal e Vegetal), mostram que 31 ocorrências foram registradas em junho e outras 10 em julho. Do total, 12 casos ainda permanecem ativos e 29 já foram encerrados pelas autoridades sanitárias.
Onde os focos foram identificados?
A maioria dos focos foi identificada no sul do Texas. Apenas um caso foi registrado fora do estado, no sudeste do Novo México. Os registros envolvem diferentes espécies animais: 21 bovinos, 13 ovinos, quatro caprinos e três cães.
Como a mosca-varejeira age?
A mosca-varejeira é considerada uma das principais ameaças à pecuária. As fêmeas depositam ovos em feridas abertas dos animais. Após a eclosão, as larvas passam a se alimentar de tecido vivo, provocando lesões profundas, redução do ganho de peso, queda na produtividade e, em casos mais graves, até a morte dos animais se não houver tratamento.
Por que a praga voltou?
Nos últimos anos, a praga voltou a avançar pelo continente, com registros no Panamá, Costa Rica, Nicarágua e Honduras. Em 2024, o México também confirmou novos casos, levando os Estados Unidos a suspenderem, em maio de 2025, a importação de gado vivo do país vizinho.
A restrição às importações ocorre em um momento delicado para a pecuária norte-americana. O rebanho bovino dos Estados Unidos está no menor nível dos últimos 75 anos, o que aumenta a preocupação com a oferta de animais.
O que está sendo feito para conter a praga?
Para conter a disseminação da mosca-varejeira, o USDA ampliou o programa de controle biológico com a liberação de moscas estéreis. Desde o fim de 2025, foram inauguradas três unidades de dispersão aérea: uma em Tampico, no México, outra na Base Aérea de Moore, no Texas, e uma terceira em Chiapas, no sul do México. A estratégia busca impedir que a praga avance pelo território norte-americano.
O que isso significa para o Brasil?
Embora o Brasil não tenha registros recentes da praga, a situação nos EUA e no México serve como alerta. O país possui um dos maiores rebanhos bovinos do mundo e depende de controles sanitários rigorosos para manter suas exportações. A volta da mosca-varejeira ao continente americano reforça a necessidade de vigilância constante nas fronteiras e de programas de prevenção.
Perguntas Frequentes
O que é a mosca-varejeira-do-novo-mundo?
É uma praga que ataca animais, depositando ovos em feridas abertas. As larvas se alimentam de tecido vivo, causando lesões e podendo levar à morte.
Quantos casos foram confirmados nos EUA?
Foram 41 casos confirmados entre 3 de junho e 20 de julho, sendo 31 em junho e 10 em julho.
A praga já chegou ao Brasil?
Não há registros recentes da mosca-varejeira-do-novo-mundo no Brasil, mas o avanço pelo continente acende alertas.
Como o USDA está controlando a praga?
Com a liberação de moscas estéreis em três unidades de dispersão aérea, no México e no Texas.
A importação de gado do México foi suspensa?
Sim, desde maio de 2025, os EUA suspenderam a importação de gado vivo do México após a confirmação de casos no país.