CapaCidade
Cidade

Novo tarifaço: alíquota de 25% dos EUA contra Brasil entra em vigor

ResumoA tarifa de 25% dos EUA contra o Brasil entrou em vigor em 22 de janeiro, impactando produtos brasileiros selecionados. O governo Lula avalia medidas de mitigação sem retaliação imediata. A alíquota pode elevar preços de importados e afetar setores como siderurgia e agricultura, com reflexos no bolso do consumidor brasileiro.

A partir de 22 de janeiro, os EUA aplicam tarifa de 25% sobre certos produtos brasileiros. O governo Lula estuda medidas de mitigação, mas evita retaliação imediata. Veja o que muda para o seu bolso.

Nayara Couto
Nayara Couto Editora de Comportamento e Saúde · 22 de julho de 2026 · 4 min de leitura
Novo tarifaço: alíquota de 25% dos EUA contra Brasil entra em vigor

Como o novo tarifaço dos EUA afeta o Brasil e o seu bolso

A partir das 01h01 de Brasília desta quarta-feira (22), entra em vigor a tarifa de 25% sobre certos produtos brasileiros importados pelos Estados Unidos. A medida, oficializada pelo USTR (Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos), é fruto de uma investigação iniciada ainda em julho de 2025, quando Trump anunciou o primeiro tarifaço de 50% contra o Brasil.

O que muda com a alíquota de 25%? Produtos brasileiros como etanol, aço, carne e suco de laranja podem ficar mais caros para o consumidor americano, mas o impacto chega ao Brasil: empresas exportadoras perdem competitividade, e o governo busca novos mercados para escoar a produção.

Por que os EUA impuseram a tarifa?

O USTR determinou que políticas brasileiras sobre comércio digital, tarifas preferenciais, combate à corrupção, processamento de patentes, pirataria, etanol e desmatamento ilegal geram "insegurança jurídica e competição desleal" para empresas americanas, segundo apurou a CNN Brasil. A investigação foi conduzida sob a Seção 301 da Lei de Comércio norte-americana, ferramenta que permite retaliações contra práticas consideradas injustas.

Mesmo após audiências públicas em que a sociedade civil se manifestou contra a tarifa, o USTR manteve a decisão.

Como o governo brasileiro reagiu?

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) classificou o dia 15 de julho de 2025 como "um marco lastimável" nas relações bilaterais. O Planalto anunciou que usaria instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade para responder às cobranças de Washington.

Na véspera da entrada em vigor, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Marcio Elias Rosa, reuniram-se com o setor privado. A orientação, segundo Elias Rosa, é "continuar negociando" e "dialogar internamente com o setor produtivo".

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que a palavra "retaliação" está fora do escopo do governo. "Não cabe falar em retaliação", disse na sexta-feira (17), após a confirmação do tarifaço. A postura, segundo a CNN Brasil, visa evitar aumento ainda maior das tarifas e proteger o consumidor brasileiro de elevações de preços.

O que o governo planeja fazer?

A CNN Brasil apurou que o Executivo trabalha em medidas para mitigar os impactos, como a abertura de novos mercados para os produtos afetados. Alckmin foi direto: "a ideia não é retaliação. Olho por olho, o que pode acontecer é os dois ficarem cegos". Mas o vice-presidente também frisou que o Brasil tem instrumentos para responder "no momento oportuno, da forma adequada".

O presidente Lula pediu estudos de impacto e adotou prudência na aplicação da Lei de Reciprocidade. Uma ala do governo pondera o risco de Donald Trump "subir o tom" contra o Brasil, segundo auxiliares do mandatário.

O que esperar daqui para frente?

Enquanto negociadores brasileiros classificam a demanda norte-americana como "muito ruim e desvantajosa" para a indústria e a agricultura, o governo segue na mesa de negociação. O mercado e especialistas acompanham com receio os próximos passos, especialmente a resposta brasileira.

Para o consumidor, o cenário ainda é incerto. Se a tarifa encarecer produtos brasileiros nos EUA, exportadores podem redirecionar a produção ao mercado interno, o que, em tese, poderia pressionar preços para baixo, mas o governo evita retaliação justamente para não elevar custos ao consumidor brasileiro.

Perguntas Frequentes

Quando começa a tarifa de 25% dos EUA contra o Brasil?

A tarifa entra em vigor a partir das 01h01 de Brasília do dia 22 de janeiro de 2026.

Quais produtos brasileiros são afetados?

A medida atinge "certos produtos brasileiros" conforme definido pelo USTR, incluindo etanol, aço, carne e outros itens exportados pelo Brasil.

O Brasil vai retaliar os EUA?

O governo Lula descarta retaliação imediata. A orientação é cautela e negociação, com uso da Lei de Reciprocidade apenas se necessário.

Como a tarifa pode afetar o consumidor brasileiro?

Se a tarifa reduzir as exportações, os produtos podem ficar mais baratos no mercado interno. Mas o governo evita retaliação para não elevar preços ao consumidor.

Quem anunciou a tarifa?

A medida foi oficializada pelo USTR (Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos) após investigação iniciada em julho de 2025.

O que é a Seção 301?

É uma ferramenta da Lei de Comércio norte-americana que permite aos EUA investigar e retaliar países por práticas comerciais consideradas injustas.

// Leia também

Publicidade