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Toyota perde força no Brasil enquanto chinesas aceleram em 2026

ResumoA Toyota registrou queda de participação no mercado brasileiro de veículos leves em 2026, conforme dados da Fenabrave e Anfavea. Montadoras chinesas como BYD, GWM e Chery aceleraram as vendas no mesmo período, ganhando espaço no segmento.

Toyota perde força no Brasil em 2026, com queda de participação no mercado de veículos leves, enquanto montadoras chinesas como BYD, GWM e Chery registram alta nas vendas. Dados da Fenabrave e Anfavea mostram o movimento.

Pedro Henrique Salles
Pedro Henrique Salles Repórter de Trânsito e Infraestrutura · 16 de julho de 2026 · 5 min de leitura
Toyota perde força no Brasil enquanto chinesas aceleram em 2026

Toyota perde força no Brasil enquanto chinesas aceleram em 2026

A Toyota enfrenta 2026 com perda de participação no mercado brasileiro de veículos leves, enquanto as montadoras chinesas BYD, GWM e Chery ganham espaço. Dados da Fenabrave e da Anfavea indicam que a fatia da Toyota caiu de 18,7% para 15,5% entre janeiro e maio deste ano. No mesmo período, as três chinesas saltaram de 8,3% para 12,4%, crescimento de 4,1 pontos percentuais.

Em 2026, a Toyota registrou queda de 3,2% na participação do mercado brasileiro de veículos leves, enquanto BYD, GWM e Chery juntas ampliaram sua fatia para 12,4%, alta de 4,1 pontos percentuais em relação a 2025. Os dados são da Fenabrave e Anfavea.

Por que a Toyota perde espaço no Brasil?

A fabricante japonesa enfrenta concorrência direta no segmento de SUVs compactos e médios, onde os modelos chineses híbridos e elétricos têm preços mais competitivos. O Corolla Cross, por exemplo, perdeu 2,3% de market share no segmento entre janeiro e maio. Enquanto isso, o BYD Song Plus ocupou a vice-liderança entre os SUVs médios, com 8,9% de participação.

A linha de produção da Toyota no Brasil, concentrada em Sorocaba e Indaiatuba (SP), opera com capacidade ociosa de 22% desde abril. A empresa não lançou novos modelos nacionais em 2025 ou 2026, enquanto as concorrentes chinesas trouxeram cinco novidades no período.

O peso dos elétricos e híbridos

O mercado brasileiro de veículos eletrificados cresceu 47% em 2026, puxado por incentivos fiscais e pela ampliação da rede de recarga. A Toyota, que apostou no sistema híbrido flex com o Corolla, não acompanhou a demanda por híbridos plug-in (PHEV) e elétricos puros (BEV).

Segundo a Anfavea, os modelos PHEV e BEV representaram 18,3% das vendas de veículos leves em maio de 2026. A BYD lidera com 42% desse segmento, seguida pela GWM (28%) e pela Chery (15%). A Toyota tem apenas 3,1%, concentrados no Corolla Cross híbrido.

Como as montadoras chinesas conquistaram o consumidor brasileiro?

As chinesas entraram com preços agressivos e garantia estendida. O BYD Dolphin Mini, por exemplo, custa R$ 89.990, valor 18% inferior ao modelo mais barato da Toyota, o Yaris hatch (R$ 109.990). A GWM oferece garantia de 7 anos ou 200 mil km para o Haval H6, contra 3 anos da Toyota.

A Chery, por sua vez, ampliou a rede de concessionárias em 34 unidades em 2026, chegando a 220 pontos de venda no Brasil. A Toyota tem 315 concessionárias, mas a cobertura em cidades médias (50 mil a 200 mil habitantes) é menor: 42% contra 68% das chinesas expansão de concessionárias no interior.

O que dizem os números da Fenabrave

A Fenabrave, que representa as concessionárias, registrou que a Toyota vendeu 89.342 veículos leves de janeiro a maio de 2026, queda de 11,4% em relação ao mesmo período de 2025. No mesmo intervalo, BYD vendeu 52.178 unidades (alta de 89%), GWM 31.205 (alta de 112%) e Chery 28.934 (alta de 47%).

No acumulado de 12 meses até maio, a participação das chinesas no mercado total de veículos leves saltou de 6,9% para 12,4%. A Toyota caiu de 19,2% para 15,5%.

O que esperar para o segundo semestre de 2026?

A Toyota anunciou em maio que trará o novo Corolla híbrido flex para o Brasil em setembro, com preço estimado em R$ 145 mil. A empresa também prometeu um SUV elétrico compacto para 2027, mas não deu prazo de produção nacional.

Enquanto isso, a BYD prepara o lançamento do Seal 05, um sedã elétrico de entrada com preço previsto em R$ 119.990. A GWM anunciou a fábrica em Iracemápolis (SP) para produzir o Haval H6 localmente a partir de setembro, o que pode reduzir o preço em até 15%.

Para o consumidor, a disputa significa mais opções e preços mais baixos. Mas quem depende de serviço pós-venda e peças deve ficar atento: a Toyota tem 25 anos de rede consolidada, enquanto as chinesas ainda estão em expansão.

O impacto no mercado de usados

O mercado de seminovos já sente a mudança. O Toyota Corolla 2021/2022 teve desvalorização de 8,7% em 2026, contra 4,2% em 2025. Já o BYD Dolphin 2024/2025 manteve 92% do valor de compra, melhor índice entre os elétricos.

Segundo a Fenabrave, os veículos chineses têm girado em média 45 dias no estoque, contra 62 dias da Toyota. Isso indica maior liquidez para quem quer vender.

Perguntas Frequentes

A Toyota vai fechar fábricas no Brasil?

Não há anúncio oficial. A empresa afirmou que a capacidade ociosa será reduzida com o novo Corolla híbrido em setembro.

As montadoras chinesas oferecem garantia melhor que a Toyota?

Sim. BYD, GWM e Chery oferecem garantia de 6 a 7 anos ou até 200 mil km, contra 3 anos da Toyota.

Qual o carro chinês mais vendido no Brasil em 2026?

O BYD Song Plus lidera com 18.412 unidades vendidas de janeiro a maio, seguido pelo GWM Haval H6 (12.087) e Chery Tiggo 8 Pro (9.234).

Vale a pena trocar um Toyota por um chinês?

Depende do uso. Para quem roda mais de 40 km/dia em cidade, os híbridos chineses têm custo por km 35% menor que o Corolla flex. Para viagens longas, a rede de concessionárias Toyota ainda é mais capilarizada.

Quando a Toyota lançará um carro elétrico no Brasil?

A empresa prometeu um SUV elétrico compacto para 2027, sem data de início de produção nacional.

As peças de carros chineses são fáceis de encontrar?

Ainda não. A BYD tem 180 centros de distribuição de peças no Brasil, contra 450 da Toyota. O prazo médio de entrega de peças chinesas é de 7 dias úteis, contra 3 da Toyota.

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