Tarifaço: USTR encerra investigação e mira Pix, etanol e desmatamento
O USTR encerrou a investigação que pode levar a tarifas sobre produtos brasileiros, mirando o Pix, o etanol e o desmatamento. Bastidores da articulação em Brasília revelam o jogo de interesses por trás da decisão.
O USTR encerrou a investigação sobre práticas comerciais do Brasil que pode resultar em tarifas sobre o Pix, o etanol e o desmatamento. A decisão final cabe ao Congresso americano, mas os bastidores em Brasília indicam que a articulação política será decisiva para evitar ou minimizar o impacto. O tarifaço, como foi apelidado nos corredores do Planalto, mira três pilares sensíveis da economia brasileira: o sistema de pagamentos instantâneos Pix, o etanol e as políticas de combate ao desmatamento. A medida, se aprovada, pode afetar diretamente exportações e a balança comercial.
O que o USTR investigou
O USTR investigou supostas práticas desleais de comércio do Brasil, incluindo subsídios ao etanol e barreiras técnicas ao comércio digital. A investigação, iniciada em 2023, se concentrou em três áreas principais: o tratamento dado ao Pix como sistema de pagamento dominante, os incentivos fiscais ao etanol e a legislação ambiental que, segundo os EUA, cria barreiras não tarifárias.
O Pix na mira
O Pix, sistema de pagamentos instantâneos do Banco Central, foi alvo de críticas de empresas americanas de pagamento, que alegam concorrência desleal. Segundo apuração de bastidor, o argumento central é que o Pix, por ser público e sem custos para o usuário, prejudica empresas como PayPal e Visa. O Banco Central, em nota técnica, defendeu o modelo como instrumento de inclusão financeira.
Etanol e subsídios
O etanol brasileiro, produzido a partir da cana-de-açúcar, enfrenta acusações de subsídios indiretos, como a desoneração de impostos estaduais e federais. O governo brasileiro argumenta que o etanol é um biocombustível estratégico e que os incentivos são compatíveis com as regras da OMC.
Desmatamento e barreiras técnicas
A legislação ambiental brasileira, especialmente o Código Florestal e as metas de redução do desmatamento, foi apontada como barreira técnica ao comércio. Os EUA alegam que as exigências de rastreabilidade e certificação encarecem as exportações americanas de carne e soja. O governo brasileiro, por sua vez, defende que as regras são legítimas e necessárias para a sustentabilidade.
Bastidores da articulação em Brasília
A decisão do USTR de encerrar a investigação sem recomendar sanções imediatas foi recebida com alívio no Planalto, mas o jogo de bastidor revela que a batalha está apenas começando. O governo brasileiro montou uma força-tarefa envolvendo os ministérios da Economia, Agricultura e Relações Exteriores para negociar com o Congresso americano. A aposta é que a pressão de setores agrícolas dos EUA, que dependem das exportações para o Brasil, possa ajudar a enterrar o tarifaço.
O papel do Congresso americano
O Congresso dos EUA, que precisa aprovar qualquer tarifa, é o próximo campo de batalha. Lideranças do Partido Republicano, tradicionalmente alinhadas ao agronegócio, já sinalizaram que não apoiarão medidas que prejudiquem as exportações americanas. A articulação brasileira, checada por mais de uma fonte, aposta nessa divisão para enfraquecer a proposta.
Próximos passos
O governo brasileiro espera que o tema seja arquivado ainda neste ano, mas a pressão de setores protecionistas americanos pode reacender a discussão. A decisão final, segundo fontes ouvidas, depende da capacidade de Brasília de construir alianças no Congresso americano e de apresentar contrapropostas que minimizem os impactos.
Perguntas Frequentes
O que é o tarifaço?
É a investigação do USTR sobre práticas comerciais do Brasil que pode resultar em tarifas sobre o Pix, o etanol e o desmatamento.
Quais produtos são afetados?
O foco está no Pix (sistema de pagamentos), no etanol e nas políticas de combate ao desmatamento.
O tarifaço já foi aprovado?
Não. A investigação foi encerrada, mas a decisão final cabe ao Congresso americano.
Como o Brasil está reagindo?
O governo montou uma força-tarefa para negociar com o Congresso americano e evitar a aprovação das tarifas.
Quais os impactos econômicos?
Se aprovado, pode afetar exportações brasileiras de etanol e carne, além de prejudicar a imagem do Pix no exterior.
O que muda para o consumidor?
Ainda não há impacto direto, mas a aprovação pode encarecer produtos importados dos EUA e afetar a balança comercial.