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Tarifaço: Medida de R$ 18,5 bi é mais um "band-aid", diz ex-secretário

ResumoLucas Ferraz, ex-secretário de Comércio Exterior, classificou a medida de R$ 18,5 bilhões do governo para setores afetados pelo tarifaço dos EUA como "mais um band-aid". A declaração ocorre em um cenário de incertezas sem precedentes na relação bilateral, indicando que o valor não resolve o problema estrutural do comércio exterior.

O governo anunciou R$ 18,5 bilhões para setores afetados pelo tarifaço dos EUA. Para Lucas Ferraz, ex-secretário de Comércio Exterior, a medida é "mais um band-aid" diante de um cenário de incertezas sem precedentes na relação bilateral.

Raíssa Vasconcelos
Raíssa Vasconcelos Repórter de Cultura e Eventos Regionais · 23 de julho de 2026 · 4 min de leitura
Tarifaço: Medida de R$ 18,5 bi é mais um "band-aid", diz ex-secretário

O pacote de R$ 18,5 bilhões e a crítica de Lucas Ferraz

O governo brasileiro anunciou um pacote de R$ 18,5 bilhões destinado a setores afetados pelo tarifaço dos EUA. Para Lucas Ferraz, ex-secretário de Comércio Exterior, a medida representa, nas suas próprias palavras, "mais um band-aid que o governo brasileiro tenta colocar" na relação bilateral com os norte-americanos, que vem sofrendo pressões diplomáticas, políticas e econômicas. Ferraz reconheceu que o volume anunciado é generoso, mas ponderou que os critérios de liberação dos recursos e o eventual descontinuamento do programa ainda não estão claros.

"Eu entendo que é um pacote que vai dar algum alívio de curto prazo para as empresas exportadoras brasileiras", afirmou, ressaltando que o número de empresas afetadas desta vez é menor do que o registrado em julho do ano passado.

As seis mudanças tarifárias desde abril de 2025

Ferraz destacou que, desde 2 de abril de 2025, as tarifas enfrentadas pelos exportadores brasileiros foram alteradas seis vezes, numa média de três a quatro meses. "O nível de incerteza que se coloca na relação do Brasil com os Estados Unidos é sem precedentes", afirmou. Segundo ele, esse cenário impacta diretamente o comércio bilateral, que tem característica de comércio intra-indústria, envolvendo empresas multinacionais brasileiras e americanas em cadeias de valor. Os dados mais recentes apontam queda de 12% nas exportações e importações brasileiras com os EUA no período.

O preço do atraso: barreiras tarifárias e não tarifárias

Ao ser questionado sobre como o Brasil poderia se reposicionar em cadeias globais de valor, Ferraz foi enfático: "O Brasil agora, infelizmente, paga o preço do seu atraso." O especialista citou que as tarifas de importação brasileiras estão entre as maiores do mundo, com média de 12% a 13%, além de picos tarifários e barreiras não tarifárias. Segundo o Banco Mundial, o Brasil é o segundo país em restritividade na aplicação de barreiras não tarifárias. Somando os equivalentes tarifários das barreiras técnicas, sanitárias e fitossanitárias, o custo efetivo pode superar 22%.

A baixa cobertura de acordos comerciais do Brasil

Ferraz também apontou que o Brasil exporta com tarifa preferencial para apenas 15% de seus mercados de destino. Com os acordos recentemente anunciados com Singapura, EFTA e União Europeia, esse índice subiria para 30%, ainda muito distante da média mundial, que gira entre 70% e 80%. "Esse debate está muito atrasado aqui no Brasil, e eu diria até que agora piorou, porque agora se confunde também o contexto geopolítico", declarou, alertando que alguns setores chegaram a pedir ainda mais proteção comercial ao governo, o que, na sua avaliação, só agravaria o problema.

Dependência da China e a queda dos EUA na pauta exportadora

Diante da crescente dependência comercial em relação à China, que hoje responde por cerca de 30% das exportações brasileiras, enquanto os EUA caíram de 25% para menos de 9%, Ferraz defendeu que o Brasil precisa dinamizar sua agenda de acordos comerciais. Ele também propôs uma reforma da tarifa externa comum do Mercosul, com mais flexibilidade e abertura para negociações unilaterais, caminho que já vem sendo trilhado pelo Uruguai e pela Argentina. "O Brasil e os seus parceiros comerciais precisam rediscutir o bloco e modernizá-lo para torná-lo mais dinâmico", concluiu.

O que esperar da relação Brasil-EUA no curto prazo

A fala de Ferraz sugere que, sem reformas estruturais, o pacote de R$ 18,5 bilhões pode não ser suficiente para reverter a tendência de queda no comércio bilateral. A combinação de barreiras elevadas, baixa cobertura de acordos e instabilidade tarifária cria um ambiente que, segundo o ex-secretário, exige mais do que medidas paliativas. Para quem acompanha o setor, a pergunta que fica é: o governo conseguirá avançar na agenda de abertura comercial antes que o cenário se deteriore ainda mais?

Perguntas Frequentes

O que é o tarifaço dos EUA?

O tarifaço se refere às tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros desde abril de 2025, que já sofreram seis alterações.

Qual o valor do pacote anunciado pelo governo?

O governo brasileiro anunciou um pacote de R$ 18,5 bilhões para setores afetados pelas tarifas norte-americanas.

Quem é Lucas Ferraz?

Lucas Ferraz é ex-secretário de Comércio Exterior e criticou a medida como um "band-aid" para a relação bilateral com os EUA.

Quanto o Brasil exporta com tarifa preferencial?

Atualmente, apenas 15% das exportações brasileiras têm tarifa preferencial. Com novos acordos, o índice pode subir para 30%.

O que Ferraz propõe para o Mercosul?

Ele defende uma reforma da tarifa externa comum do bloco, com mais flexibilidade e abertura para negociações unilaterais, seguindo o exemplo do Uruguai e da Argentina.

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