Rubio acusa Lula de não negociar tarifas: 'Colocou o próprio ego à frente de um acordo'
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, acusou o presidente Lula de não negociar tarifas e de colocar o ego à frente de um acordo. A declaração foi dada durante audiência no Senado americano e repercutiu no Itamaraty, que defende a posição brasileira.
Rubio acusa Lula de não negociar tarifas: 'Colocou o próprio ego à frente de um acordo'
O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou nesta quarta-feira (12) que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se recusou a negociar a redução de tarifas comerciais entre os dois países. A declaração foi feita durante audiência no Comitê de Relações Exteriores do Senado americano. Rubio disse que Lula "colocou o próprio ego à frente de um acordo", fala que gerou reação imediata do Itamaraty.
Marco Rubio acusou Lula de não negociar tarifas e de colocar o ego à frente de um acordo, durante audiência no Senado dos EUA. O Itamaraty rebateu, afirmando que o Brasil mantém diálogo aberto e que a declaração não reflete o histórico de negociações entre os países. A fala ocorre em meio a tensões comerciais entre Brasil e EUA, que discutem desde 2024 a revisão de tarifas sobre aço, alumínio e etanol.
O que Rubio disse sobre Lula e as tarifas
Durante a sabatina, Rubio afirmou que o governo brasileiro não apresentou contraproposta para reduzir tarifas de importação de produtos americanos. Segundo o secretário, a postura de Lula inviabilizou um avanço nas negociações. "O presidente Lula colocou o próprio ego à frente de um acordo que beneficiaria os dois países", declarou Rubio, conforme registrado pela transcrição oficial da audiência.
A declaração foi feita em resposta a questionamento do senador Jim Risch (Idaho), que perguntou sobre o andamento das negociações bilaterais. Rubio disse que os EUA "estão abertos a conversar, mas não aceitam condições unilaterais".
A resposta do Itamaraty à acusação
O Ministério das Relações Exteriores divulgou nota oficial horas depois. O Itamaraty afirmou que "o Brasil sempre esteve disposto a negociar de forma equilibrada" e que "a declaração do secretário Rubio não corresponde aos fatos". A nota cita reuniões técnicas realizadas entre 2024 e 2025, em que o Brasil apresentou propostas de redução tarifária para produtos farmacêuticos e máquinas agrícolas.
O Itamaraty também lembrou que o Brasil reduziu tarifas de importação para 3.200 produtos desde 2023, parte de uma política de abertura comercial que independe de pressões externas.
Contexto das tarifas entre Brasil e EUA
As tarifas comerciais entre Brasil e EUA são tema de disputa desde 2020, quando os EUA impuseram sobretaxas sobre o aço brasileiro. Em 2024, o governo Lula retaliou com tarifas sobre etanol americano. Desde então, as negociações estão paradas. O Brasil é o terceiro maior parceiro comercial dos EUA nas Américas, atrás de México e Canadá.
Segundo dados da Câmara de Comércio Brasil-EUA, o fluxo bilateral de comércio soma US$ 87 bilhões em 2025. A redução de tarifas poderia aumentar esse valor em até 15%, segundo estimativas da entidade. Mas nenhum dos lados cedeu até agora.
As falas de Rubio em outras ocasiões
Esta não é a primeira vez que Rubio critica o governo Lula. Em 2024, ele já havia classificado a política externa brasileira como "alinhada a regimes autoritários", em referência à aproximação com China e Rússia. Na audiência desta quarta, Rubio voltou a dizer que "o Brasil precisa escolher de que lado está".
Rubio também mencionou a relação de Lula com o presidente venezuelano Nicolás Maduro. "Enquanto o Brasil negocia com ditadores, os EUA negociam com parceiros democráticos", disse.
Repercussão política no Brasil
A declaração de Rubio repercutiu entre parlamentares brasileiros. O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), disse que "a fala de Rubio é desrespeitosa e não ajuda nas negociações". A oposição, por outro lado, criticou Lula. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que "o presidente isolou o Brasil diplomaticamente".
Especialistas em relações internacionais ouvidos pela reportagem avaliam que a declaração de Rubio é mais retórica política do que posição oficial. "Rubio é um crítico histórico do governo Lula. A fala faz parte de uma estratégia de pressão, não de uma ruptura", afirmou o professor de Relações Internacionais da USP, Carlos Eduardo Martins.
O que esperar das negociações
Até o momento, não há nova reunião agendada entre Brasil e EUA para discutir tarifas. O Itamaraty afirma que aguarda uma contraproposta americana. O Departamento de Estado dos EUA não comentou a declaração de Rubio além do que foi dito na audiência.
A expectativa é que o tema seja retomado na próxima reunião da Cúpula das Américas, prevista para novembro de 2026 em Lima, no Peru. Até lá, a troca de acusações deve continuar.
Perguntas Frequentes
Rubio acusou Lula de que?
Rubio disse que Lula não negociou tarifas e colocou o ego à frente de um acordo, durante audiência no Senado dos EUA.
O Itamaraty respondeu?
Sim. O Itamaraty disse que o Brasil sempre esteve aberto a negociações e que a declaração não corresponde aos fatos.
Quais tarifas estão em discussão?
As tarifas sobre aço, alumínio e etanol, além de barreiras para produtos farmacêuticos e agrícolas.
Há risco de ruptura diplomática?
Especialistas avaliam que não. A declaração de Rubio é vista como retórica política, não como posição oficial dos EUA.
Quando será a próxima reunião?
Não há data marcada. A expectativa é que o tema seja retomado na Cúpula das Américas em novembro de 2026.