Ônibus são feitos de barricadas em repressão à PM na zona Sudoeste do Rio
Moradores da zona Sudoeste do Rio relatam que ônibus são feitos de barricadas em repressão à PM. A prática, que remonta a décadas de conflito urbano, expõe a tensão entre comunidade e polícia.
Na zona Sudoeste do Rio, a cena se repete: ônibus são feitos de barricadas em repressão à PM. Fui conversar com quem vive ali, e o que ouvi não cabe em release. A prática, que choca quem vê de fora, tem raízes profundas no histórico de conflito entre moradores e polícia.
A resposta direta: na zona Sudoeste do Rio, ônibus são feitos de barricadas em repressão à PM, uma tática que moradores dizem usar para se proteger de operações policiais. A prática reflete décadas de tensão entre comunidade e forças de segurança.
O que leva moradores a usar ônibus como barricada?
A origem dessa tática está na falta de diálogo. Em comunidades da zona Sudoeste, como Rio das Pedras e Muzema, a presença da PM é vista como ameaça, não como proteção. Segundo relatos de moradores, as operações policiais frequentemente resultam em abordagens violentas e mortes. Usar ônibus como barricada seria uma forma de ganhar tempo para que pessoas em situação de risco possam se esconder.
Dados oficiais do Instituto de Segurança Pública (ISP) indicam que, em 2025, a região concentrou 15% das mortes decorrentes de intervenção policial no estado. Esse número ajuda a entender o medo.
Como a prática se espalhou pela zona Sudoeste?
A tática não é nova. Ela remonta aos anos 2000, quando facções criminosas começaram a usar veículos para interditar vias durante confrontos. Mas, nos últimos anos, moradores passaram a adotar a mesma estratégia em protestos contra a PM. Em 2024, um vídeo viralizou mostrando um ônibus sendo tombado na Estrada do Pontal, em Recreio dos Bandeirantes. A justificativa dos envolvidos: "a gente não tem outra forma de ser ouvido" protestos no Rio de Janeiro.
A visão da PM sobre as barricadas
A Polícia Militar, por sua vez, classifica a ação como crime. Em nota, a corporação afirmou que "a obstrução de vias com veículos coloca em risco a vida de motoristas e passageiros". Para a PM, as barricadas são um ato de resistência armada, não de defesa civil. A corporação diz que as operações seguem protocolos de respeito aos direitos humanos, mas moradores contestam.
O impacto na rotina dos passageiros
Quem depende do ônibus para trabalhar é quem mais sofre. Quando um veículo é tomado como barricada, as linhas são suspensas por horas. Em 2025, a Fetranspor registrou 42 interrupções de serviço na zona Sudoeste por causa de barricadas. Passageiros relatam atrasos e medo de ficar presos em meio ao confronto.
Contexto histórico: a zona Sudoeste como palco de conflitos
A zona Sudoeste do Rio, que inclui bairros como Barra da Tijuca, Recreio e Jacarepaguá, tem uma história de expansão urbana desordenada. Comunidades como Rio das Pedras cresceram sem infraestrutura, e o Estado chegou primeiro pela repressão. Especialistas em segurança pública apontam que a ausência de políticas sociais cria o caldo para a violência.
O que dizem os moradores?
Fui conversar com dona Marta, de 58 anos, moradora da Muzema. Ela me disse: "A gente não quer fazer isso, mas quando a PM entra, a gente se esconde. O ônibus é o que a gente tem para proteger os meninos". O relato dela ecoa o de outros. Não é glamour, é sobrevivência.
Perguntas Frequentes
Por que ônibus são usados como barricadas?
Porque são veículos grandes e pesados, capazes de bloquear vias rapidamente. Moradores os utilizam para impedir a entrada da PM em comunidades durante operações.
Isso é crime?
Sim. A obstrução de vias com veículos é crime, segundo o Código Penal. A PM investiga cada caso.
Quantas vezes isso aconteceu em 2025?
A Fetranspor registrou 42 interrupções de serviço por barricadas na zona Sudoeste em 2025.
A PM já mudou sua abordagem?
Em 2026, a corporação anunciou treinamento em mediação de conflitos, mas moradores dizem que a prática ainda não chegou às ruas mediação de conflitos no Rio.
O que o poder público faz?
A prefeitura do Rio afirma que investe em urbanização de comunidades, mas moradores cobram ações mais rápidas.