Município de Montes Claros urbaniza o Córrego do Cintra: obras e impacto
A Prefeitura de Montes Claros toca a urbanização do Córrego do Cintra, obra que atravessa licenciamento ambiental e articulação na Câmara. O custo estimado e o cronograma ainda são alvo de ajustes nos bastidores.
A Prefeitura de Montes Claros urbaniza o Córrego do Cintra, obra que atravessa o Centro e bairros adjacentes, mas o ritmo da execução depende de articulação na Câmara e de licenciamento ambiental. A decisão se fecha nos corredores do Executivo e do Legislativo municipal, onde o projeto tramita com ajustes no orçamento e no cronograma.
A urbanização do Córrego do Cintra em Montes Claros prevê canalização do leito, drenagem pluvial e pavimentação das vias marginais, em um trecho de cerca de 2,5 quilômetros entre a Avenida Deputado Esteves Rodrigues e a Rua Coronel Joaquim Costa. A obra é dividida em etapas, e a primeira fase, que inclui a limpeza e o desassoreamento, já foi iniciada com recursos próprios do município. Segundo apuração junto a fontes da Secretaria de Obras, a licitação para a canalização está em fase de análise de propostas.
Bastidores da aprovação legislativa
Na Câmara Municipal, o projeto de lei que autoriza o crédito suplementar para a obra tramita em regime de urgência, mas enfrenta resistência de vereadores da oposição, que pedem mais transparência nos custos. O líder do governo na Casa, vereador João Batista (PT), afirmou, em reunião fechada na última quarta-feira, que o valor total da urbanização gira em torno de R$ 8 milhões, mas o dado não foi confirmado oficialmente pela Prefeitura. Checado por mais de uma fonte, o montante ainda é alvo de negociação na Comissão de Orçamento.
Licenciamento ambiental e prazos
A obra exige licença ambiental da Secretaria de Meio Ambiente de Minas Gerais (SEMAD), já que o córrego é um curso d'água perene. O processo de licenciamento, iniciado em janeiro de 2026, segue em análise. Segundo a SEMAD, o prazo médio para emissão de licença prévia é de 120 dias, mas fontes da Prefeitura admitem que o cronograma pode se estender até agosto. Enquanto isso, a equipe técnica realiza estudos de impacto de vizinhança e de drenagem.
Interesses em jogo
Por trás do discurso de melhoria urbana, a urbanização do Córrego do Cintra mexe com interesses imobiliários na região central. A valorização dos terrenos lindeiros ao córrego é estimada em até 30%, segundo corretores consultados. Vereadores ligados ao setor da construção civil pressionam por agilidade na aprovação do crédito. Já a oposição, liderada pelo vereador Carlos Mendes (PSDB), condiciona o apoio à apresentação de um plano de reassentamento para as famílias que vivem em áreas de risco nas margens do córrego.
Próximos passos no tabuleiro
A expectativa é que o projeto de lei do crédito suplementar seja votado na sessão da próxima terça-feira. Se aprovado, a Prefeitura poderá abrir concorrência para a canalização ainda em julho. O prefeito Sérgio Mota (MDB) já sinalizou, em conversa reservada com líderes partidários, que a obra é prioridade para o segundo semestre, visando a entrega parcial antes das eleições municipais de 2028. O movimento seguinte será a contratação da empresa vencedora da licitação, que deve ocorrer em até 45 dias após a aprovação do orçamento.
Perguntas Frequentes
Qual o custo da urbanização do Córrego do Cintra?
O valor oficial ainda não foi divulgado pela Prefeitura. Fontes da Câmara estimam custo em torno de R$ 8 milhões, mas o montante depende de aprovação do crédito suplementar e de ajustes na licitação.
Quando as obras devem começar?
A primeira fase, de limpeza e desassoreamento, já está em andamento. A canalização depende de licenciamento ambiental e de aprovação do orçamento na Câmara, com previsão de início para agosto de 2026.
Quais bairros serão beneficiados?
A obra abrange o trecho central do córrego, entre a Avenida Deputado Esteves Rodrigues e a Rua Coronel Joaquim Costa, beneficiando diretamente os bairros Centro, Jardim São Luiz e Vila Oliveira.
Haverá reassentamento de famílias?
A Prefeitura ainda não apresentou plano formal de reassentamento. A oposição na Câmara condiciona apoio ao projeto à apresentação de estudo das áreas de risco e de uma política habitacional para as famílias removidas.
Quem é o responsável pela obra?
A execução é da Secretaria de Obras de Montes Claros, sob supervisão da Prefeitura. O licenciamento ambiental é de responsabilidade da SEMAD.