Mendonça X PF: Lula é aconselhado a manter reação institucional
O presidente Lula é aconselhado a reagir institucionalmente à decisão de Mendonça que afastou Andrei Rodrigues da PF. AGU deve recorrer nesta terça (8).
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vem sendo aconselhado a reagir de forma institucional à decisão do ministro André Mendonça, do STF, que afastou Andrei Rodrigues do cargo de diretor-geral da Polícia Federal. A orientação é recorrer primeiro via AGU, com base na competência privativa do presidente para indicar o chefe da PF.
O governo deve arguir a violação dessa competência ainda nesta terça-feira (8). O entorno do petista quer também uma reunião com o presidente do STF, Edson Fachin, o mais rápido possível. A decisão de Mendonça irritou integrantes da campanha de Lula, que veem o ministro agindo em prol de interesses eleitorais. Os vazamentos dos casos do Banco Master e das fraudes do INSS, que tramitam no gabinete do ministro, têm sido usados por adversários contra o petista.
Internamente, a avaliação é que Lula perdeu a prerrogativa de pautar o debate com temas como soberania e fim da escala 6x1. Por isso, a aposta é reforçar a imagem institucional do presidente, como um mandatário experiente e capaz de arbitrar crises. O pronunciamento de Lula, gravado no Planalto e veiculado na quinta (3), fez parte dessa estratégia.
Enquanto isso, a Segunda Turma do STF formou maioria nesta terça para manter Andrei Rodrigues afastado, mas o julgamento foi suspenso por pedido de vista de Gilmar Mendes, adiando a proclamação do resultado. A decisão de Mendonça ocorre depois que Alexandre de Moraes usou relatórios de inteligência da PF para apontar possíveis crimes de abuso de autoridade atribuídos a Mendonça na relatoria do Banco Master e das fraudes do INSS.
O desfecho depende da AGU e do STF. A reação institucional, se mantida, será testada nos próximos dias.