CapaCidade
Cidade

Indústria de Piracicaba busca competitividade e diálogo com os poderes públicos

ResumoA indústria de Piracicaba, ao completar 259 anos, mantém-se como motor econômico central, com o setor metalmecânico enfrentando concorrência internacional, restrições de crédito e déficits de infraestrutura. O Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Piracicaba (Simespi) defende atuação coordenada com os poderes públicos para ampliar competitividade e garantir diálogo institucional contínuo.

Ao completar 259 anos, Piracicaba tem na indústria um dos principais motores de sua economia. O setor metalmecânico enfrenta desafios como concorrência internacional, acesso a crédito e infraestrutura. O presidente do Simespi defende atuação coordenada com os poderes públicos.

Otávio Mancini
Otávio Mancini Repórter de Política e Bastidores · 31 de julho de 2026 · 5 min de leitura
Indústria de Piracicaba busca competitividade e diálogo com os poderes públicos

Indústria de Piracicaba busca competitividade e diálogo com os poderes públicos

A indústria de Piracicaba, um dos principais motores da economia local ao completar 259 anos, busca competitividade e diálogo com os poderes públicos. O setor metalmecânico, formado por empresas de diferentes portes e segmentos, enfrenta desafios que vão do aumento da concorrência internacional às dificuldades de acesso a crédito, qualificação profissional e infraestrutura. Para o presidente do Simespi (sindicato patronal das indústrias metalmecânicas de Piracicaba, Saltinho e Rio das Pedras), Paulo Estevam Camargo, superar esse cenário exige uma atuação coordenada entre o setor produtivo e os poderes constituídos, em especial Executivo e Legislativo em suas várias esferas.

O impacto do tarifaço de 37,5% sobre exportadores

Um dos problemas mais urgentes é o impacto do tarifaço de 37,5% imposto pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros no final de julho. Para empresas da região que exportam máquinas, equipamentos e componentes, a medida representa perda de competitividade e risco de redução de negócios. Na avaliação de Camargo, o governo federal deve ampliar a diplomacia comercial e buscar negociações que reduzam as tarifas, além de criar mecanismos de apoio às empresas afetadas. O Congresso Nacional, por sua vez, pode contribuir com medidas que estimulem as exportações e fortaleçam a competitividade da indústria brasileira no mercado internacional.

Custo Brasil e a agenda tributária

Outro desafio é o chamado custo Brasil, que reduz a capacidade de investimento das empresas e dificulta a concorrência com outros países. Nesse campo, a indústria espera avanços na regulamentação da reforma tributária, simplificação de processos e maior segurança jurídica. Para o presidente do Simespi, o Legislativo federal tem papel importante na construção de um ambiente mais favorável à produção e aos investimentos, enquanto o Executivo deve garantir que as mudanças resultem, de fato, em redução da burocracia e maior eficiência para as empresas.

Infraestrutura e logística como fatores decisivos

A infraestrutura também é apontada como fator decisivo para a competitividade regional. Custos logísticos elevados e a necessidade de melhorias na integração entre rodovias, ferrovias e outros modais impactam diretamente a indústria.

"Por isso, a expectativa é de que os governos federal e estadual ampliem os investimentos em infraestrutura e logística, criando melhores condições para o escoamento da produção e para a atração de novos investimentos para Piracicaba e região", destaca.

Qualificação profissional e o papel do Senai

A qualificação profissional é outro ponto de atenção. A rápida transformação tecnológica da indústria aumenta a demanda por profissionais preparados para novas funções e processos produtivos. Nesse aspecto, Camargo defende uma aproximação ainda maior entre empresas, escolas técnicas, universidades e instituições como o Senai, com apoio do governo estadual, para ampliar a oferta de cursos alinhados às necessidades reais do mercado de trabalho.

Eleições e a agenda do setor produtivo

Para Camargo, esses temas precisam estar presentes na agenda dos governos e dos parlamentares, especialmente diante das eleições deste ano, quando serão escolhidos presidente da República, governadores, senadores e deputados estaduais e federais.

"O setor produtivo precisa ser ouvido na formulação das políticas públicas. Temos desafios concretos e precisamos de respostas objetivas. O governo federal pode atuar na política comercial, tributária e de crédito; o governo estadual, na infraestrutura e na qualificação profissional; e os Legislativos, na construção de um ambiente regulatório mais simples e seguro", afirma.

O presidente do Simespi ressalta que a entidade mantém canais de diálogo com as diferentes esferas do poder público justamente para apresentar essas demandas e buscar soluções. A estratégia, segundo ele, é manter uma atuação institucional permanente, independentemente de posições partidárias.

"Nosso compromisso é defender os interesses da indústria e contribuir para o desenvolvimento de Piracicaba e da região. Precisamos manter diálogo com todos os setores do poder público e trabalhar para que as decisões tomadas em Brasília e São Paulo considerem também a realidade de quem produz, investe e gera empregos no interior", destaca.

Perspectivas para Piracicaba aos 259 anos

Apesar dos desafios, Paulo avalia que Piracicaba reúne condições para ampliar sua participação industrial. A presença de empresas consolidadas, uma cadeia metalmecânica diversificada e a capacidade de inovação são ativos importantes. Para transformar esse potencial em novos investimentos e empregos, porém, será necessário avançar em competitividade, infraestrutura, qualificação e abertura de mercados.

"Aos 259 anos, Piracicaba segue com o desafio de fortalecer sua economia e preparar a indústria para um cenário cada vez mais competitivo. Para o Simespi, a construção desse futuro passa pela união de esforços entre empresas, entidades representativas e poder público", conclui o dirigente.

Perguntas Frequentes

O que é o Simespi?

O Simespi é o sindicato patronal das indústrias metalmecânicas de Piracicaba, Saltinho e Rio das Pedras. Representa empresas de diferentes portes e segmentos do setor.

Qual o impacto do tarifaço de 37,5% para a indústria de Piracicaba?

Empresas da região que exportam máquinas, equipamentos e componentes perdem competitividade e correm risco de redução de negócios. A medida foi imposta pelos Estados Unidos no final de julho.

Como a indústria local busca diálogo com os poderes públicos?

O Simespi mantém canais de diálogo com Executivo e Legislativo em várias esferas, apresentando demandas e buscando soluções de forma institucional e permanente, independentemente de posições partidárias.

Quais são os principais desafios do setor metalmecânico?

Os desafios incluem concorrência internacional, acesso a crédito, custo Brasil, infraestrutura logística e qualificação profissional.

O que a indústria espera dos governos estadual e federal?

A expectativa é de ampliação de investimentos em infraestrutura e logística, apoio à qualificação profissional e criação de um ambiente regulatório mais simples e seguro.

// Leia também

Publicidade