Coração de porco moído: como açougue maquiava carnes em Indaiatuba
Açougue irregular no bairro Morada do Sol, em Indaiatuba (SP), usava coração de porco moído como carne bovina e nitrito de sódio para disfarçar odor de alimentos estragados. Na sexta-feira (11), a Polícia Civil apreendeu 350 kg de carnes vencidas e prendeu três pessoas em flagran
A Polícia Civil apreendeu 350 quilos de carnes vencidas e estragadas em um açougue irregular no bairro Morada do Sol, em Indaiatuba (SP), na sexta-feira (11). Segundo a corporação, os responsáveis pelo estabelecimento usavam coração de porco moído para vender como carne moída bovina ou hambúrguer e adicionavam nitrito de sódio, um produto químico, aos alimentos deteriorados para maquiar a aparência e disfarçar o odor antes da venda.
O gerente, o subgerente e um açougueiro do estabelecimento foram presos em flagrante por crimes contra a saúde pública, contra as relações de consumo e por organização criminosa. O açougueiro era procurado pela Justiça e possui antecedentes por roubo e receptação.
O que a fiscalização encontrou no açougue
A apreensão ocorreu durante fiscalização da 1ª Delegacia de Investigações Gerais. A prática descrita no caso combina duas fraudes distintas: substituição de matéria-prima (coração suíno no lugar de carne bovina) e uso de aditivo químico para mascarar deterioração.
O nitrito de sódio é aditivo de uso regulado na indústria alimentícia, mas sua aplicação em produto estragado muda a função: em vez de conservar, serve para dissimular sinais de putrefação que o consumidor detectaria pelo cheiro ou pela cor.
Quem trabalha com inspeção de carnes há anos reconhece o padrão. O maquiador químico não elimina a carga microbiana do alimento vencido; apenas esconde os indícios sensoriais até o momento da venda.
Quem são os presos e o que diz a polícia
A corporação não detalhou a divisão de tarefas entre os três detidos. O que se sabe até agora é que o gerente, o subgerente e o açougueiro respondem pelos mesmos tipos penais. A condição de procurado da Justiça recai sobre o açougueiro, com antecedentes por roubo e receptação.
A apuração segue na 1ª Delegacia de Investigações Gerais, que não informou se o estabelecimento já tinha passagens anteriores por irregularidades sanitárias. Também não há confirmação sobre a existência de outros pontos de venda ligados ao mesmo grupo.
A denúncia que originou a operação partiu de consumidores, segundo a polícia. Não foi divulgado o volume de carne já comercializado antes da apreensão, nem o período em que a prática teria ocorrido.
A decisão sobre a prisão preventiva dos três deve passar pela Justiça nos próximos dias. A polícia apura se há fornecedores ou distribuidores envolvidos no esquema.