Homem que matou a ex a facadas tinha histórico de violência contra mulher; veja quem é ele
O homem que matou a ex-companheira a facadas em plena via pública já havia sido denunciado por violência doméstica. Apesar das medidas protetivas concedidas pela Justiça, o agressor cumpriu a ameaça. Veja quem é ele e o que se sabe sobre o crime.
Homem que matou a ex a facadas tinha histórico de violência contra mulher; veja quem é ele
O homem que matou a ex-companheira a facadas em frente a uma escola na zona norte de São Paulo, na manhã desta terça-feira (15), já havia sido denunciado por violência doméstica em duas ocasiões anteriores. Identificado como Carlos Alberto de Souza, 38 anos, ele era alvo de medidas protetivas desde março de 2025, concedidas pela Vara de Violência Doméstica da capital. O feminicídio ocorreu por volta das 7h30, na Rua dos Alfenins, bairro do Limão, e foi registrado por câmeras de segurança. A vítima, Juliana Costa, 34 anos, morreu no local. O suspeito fugiu e segue foragido.
O homem que matou a ex a facadas tinha histórico de violência contra mulher que incluía ameaças de morte, agressões físicas e descumprimento de ordem judicial. Segundo a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP), Souza foi preso em flagrante em janeiro de 2025 por lesão corporal, mas liberado após pagamento de fiança de R$ 3 mil. Em abril, a Justiça determinou o uso de tornozeleira eletrônica, que foi retirada pelo agressor em maio, sem que a polícia fosse notificada a tempo.
Histórico de violência: o que os registros oficiais mostram
Os boletins de ocorrência obtidos pela reportagem revelam um padrão de escalada da agressão. Em 2023, Souza foi denunciado por ameaça contra a mesma vítima, mas o caso foi arquivado por falta de provas. Em janeiro de 2025, uma nova denúncia resultou em prisão em flagrante por lesão corporal, com laudo do Instituto Médico Legal (IML) atestando hematomas no braço e no rosto de Juliana. Apesar disso, a juíza responsável converteu a prisão em medidas cautelares, incluindo distanciamento mínimo de 200 metros.
Dados do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) indicam que, entre 2023 e 2025, foram registradas 12 ocorrências envolvendo o casal, das quais 5 resultaram em medidas protetivas. Em nenhuma delas o agressor foi mantido preso preventivamente. A Defensoria Pública, que representa a vítima em um dos processos, informou que solicitou a prisão preventiva em abril, mas o pedido foi negado sob o argumento de que "não havia risco iminente à integridade física da ofendida".
As falhas na rede de proteção
Especialistas em segurança pública apontam que o caso revela lacunas no sistema de monitoramento de agressores. O uso de tornozeleira eletrônica, por exemplo, é uma ferramenta prevista na Lei Maria da Penha, mas sua fiscalização depende de centrais que nem sempre operam 24 horas. No caso de Souza, a tornozeleira foi retirada em 12 de maio, e a central só comunicou a violação 48 horas depois, tempo suficiente para o agressor se deslocar até a residência da vítima.
De acordo com a SSP-SP, a taxa de descumprimento de medidas protetivas no estado chega a 34% dos casos monitorados, e em 2025 foram registradas 1.200 violações apenas na capital. "O sistema precisa de integração em tempo real entre o Judiciário, a polícia e as centrais de monitoramento", afirma a delegada titular da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) do Limão, que investiga o caso.
Quem é Carlos Alberto de Souza
Souza é natural de São Paulo, tem ensino médio completo e trabalhava como motorista de aplicativo. Em redes sociais, publicava fotos com a vítima até o fim de 2024, quando o relacionamento terminou. Vizinhos relataram à polícia que ele era "ciumento" e "agressivo quando bebia". O nome do suspeito consta no Banco Nacional de Medidas Protetivas, mas o sistema não emite alerta automático para a delegacia mais próxima quando uma medida é descumprida.
O perfil do agressor se encaixa no padrão descrito pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública: 78% dos feminicídios são cometidos por parceiros ou ex-parceiros, e em 60% dos casos havia histórico de violência prévia medidas protetivas falham em 1 a cada 3 casos. No Brasil, a taxa de feminicídios em 2025 foi de 4,7 por 100 mil mulheres, segundo o Ministério da Justiça.
O crime e a fuga
Câmeras de segurança mostram Souza abordando Juliana na calçada, desferindo ao menos oito facadas. Ela tentou correr, mas caiu a poucos metros. O Corpo de Bombeiros foi acionado, mas a vítima já estava sem sinais vitais. O agressor fugiu em um carro prata, modelo Fiat Siena, que foi localizado abandonado horas depois em Guarulhos. A polícia faz buscas na região e pede que informações sejam enviadas ao Disque-Denúncia (181).
Perguntas Frequentes
Quem é o homem que matou a ex a facadas?
Carlos Alberto de Souza, 38 anos, motorista de aplicativo, já havia sido denunciado por violência doméstica contra a mesma vítima.
Ele tinha histórico de violência contra mulher?
Sim. Registros da SSP-SP e do TJ-SP mostram pelo menos duas ocorrências anteriores, incluindo lesão corporal e ameaça.
Por que ele não foi preso antes?
A Justiça converteu a prisão em flagrante em medidas cautelares, e o pedido de prisão preventiva foi negado em abril.
O que é medida protetiva e por que falhou?
Medida protetiva é uma ordem judicial que proíbe o agressor de se aproximar da vítima. No caso, o descumprimento não foi monitorado a tempo.
Como denunciar violência doméstica?
Ligue 180 (Central de Atendimento à Mulher) ou 190 (Polícia Militar). Em emergências, procure a DDM mais próxima.