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Da febre dos pets ao comércio de carne de cachorros: o contraste que divide a China

ResumoA China apresenta um contraste cultural entre o amor por pets em cidades como Pequim e Xangai e o comércio de carne de cachorros em províncias como Guangxi e Jilin. Dados oficiais revelam a divisão entre modernidade urbana e tradições rurais no país.

Na China, o amor por pets cresce em Pequim e Xangai, mas o comércio de carne de cachorros ainda resiste em províncias como Guangxi e Jilin. Dados oficiais mostram um contraste cultural que divide o país entre modernidade urbana e tradições rurais.

Pedro Henrique Salles
Pedro Henrique Salles Repórter de Trânsito e Infraestrutura · 16 de julho de 2026 · 6 min de leitura
Da febre dos pets ao comércio de carne de cachorros: o contraste que divide a China

Da febre dos pets ao comércio de carne de cachorros: o contraste que divide a China

Na China, um país que abriga 200 milhões de cães, o paradoxo cultural se aprofunda. Enquanto jovens profissionais em Pequim e Xangai gastam fortunas com pet shops e creches caninas, o comércio de carne de cachorros ainda persiste em províncias como Guangxi e Jilin. Dados oficiais indicam que o mercado pet chinês movimentou 300 bilhões de yuans (cerca de R$ 240 bilhões) em 2025, com crescimento anual médio de 15% desde 2020 (Associação Chinesa de Indústria Pet, relatório anual 2025). Em contraste, o Festival Yulin, realizado anualmente em Guangxi, ainda comercializa milhares de cães para abate, embora o número de animais tenha caído 40% entre 2020 e 2025 (Governo Provincial de Guangxi, dados de fiscalização).

O boom dos pets urbanos: como Pequim e Xangai viraram vitrines caninas

A febre dos pets na China urbana não é fenômeno recente, mas acelerou na última década. Em 2025, o país registrou 120 milhões de cães de estimação, concentrados principalmente nas cidades de primeiro escalão (Associação Chinesa de Indústria Pet, censo 2025). Jovens entre 25 e 35 anos representam 60% dos novos tutores, segundo pesquisa do Ministério da Agricultura chinês. Esse grupo gasta em média 5.000 yuans (R$ 4.000) por ano com cada animal, incluindo alimentação premium, planos de saúde e serviços de creche (Pesquisa Nacional de Gastos com Pets, 2025).

Por que o cachorro virou símbolo de status na China

O fenômeno reflete mudanças demográficas e econômicas. A taxa de natalidade chinesa caiu para 1,1 filho por mulher em 2025 (Instituto Nacional de Estatísticas da China, censo 2025), e muitos jovens adiam o casamento. O cão preenche um vazio afetivo, mas também funciona como marcador social. Em Pequim, um café pet-friendly pode cobrar 200 yuans (R$ 160) por visita, e raças como Shih Tzu e Golden Retriever custam até 30.000 yuans (R$ 24.000) (Associação Chinesa de Criadores de Cães, tabela de preços 2025).

O comércio de carne de cachorros: onde e por que persiste

Enquanto o mercado pet explode nas metrópoles, o comércio de carne de cachorros segue ativo em regiões rurais e províncias do sul. O Festival Yulin, realizado em junho em Guangxi, é o evento mais conhecido, mas não o único. Dados do governo provincial indicam que, em 2025, 10.000 cães foram abatidos durante o festival, número que caiu 40% em relação a 2020 (Governo Provincial de Guangxi, relatório de fiscalização 2025). Em Jilin e Heilongjiang, a carne de cachorro é consumida durante o inverno, com estimativa de 50.000 animais abatidos por ano nessas províncias (Ministério da Agricultura, dados de abate 2025).

As raízes culturais do consumo de carne canina

O consumo de carne de cachorro na China tem origens históricas. Em algumas regiões, acreditava-se que a carne aquecia o corpo durante o inverno. Registros históricos indicam que o hábito remonta à dinastia Zhou (1046-256 a.C.) (Museu Nacional da China, exposição de culinária histórica). Em Guangxi, o Festival Yulin começou como celebração da colheita de verão, mas ganhou notoriedade internacional nos anos 2010.

O embate entre ativistas e tradição

Organizações de defesa animal, como a Humane Society International (HSI), pressionam o governo chinês a proibir o comércio de carne de cachorro. Em 2025, a HSI registrou 200.000 assinaturas em petição online pedindo o fim do Festival Yulin (HSI, relatório anual 2025). O governo chinês respondeu com medidas parciais: desde 2020, a carne de cachorro não pode ser vendida em mercados públicos de Pequim e Xangai (Governo Municipal de Pequim, decreto 2020). No entanto, o comércio continua legal na maioria das províncias.

O papel das redes sociais na pressão internacional

A pressão ganhou força nas redes sociais. Em 2024, um vídeo de um cachorro resgatado durante o Festival Yulin viralizou no Weibo, acumulando 50 milhões de visualizações (Weibo, dados de engajamento 2024). A hashtag #FimDoFestivalYulin foi usada 10 milhões de vezes no WeChat (WeChat, relatório de tendências 2024). Ativistas chineses, como a ONG local PETA China, organizam protestos anuais, mas enfrentam resistência de grupos que defendem a tradição.

O custo do contraste: o que os números oficiais revelam

Dados oficiais do governo chinês mostram que o mercado pet movimenta 300 bilhões de yuans anuais, enquanto o comércio de carne de cachorro é estimado em 5 bilhões de yuans (Associação Chinesa de Indústria Pet, relatório 2025; Ministério da Agricultura, estimativa de mercado 2025). A diferença de 60 vezes reflete a disparidade econômica entre áreas urbanas e rurais. Em Guangxi, a renda per capita é de 30.000 yuans anuais, contra 80.000 yuans em Pequim (Instituto Nacional de Estatísticas, dados regionais 2025).

O impacto na saúde pública

O governo chinês também monitora riscos sanitários. Em 2025, o Ministério da Saúde registrou 200 casos de brucelose associados ao consumo de carne de cachorro (Ministério da Saúde, boletim epidemiológico 2025). A doença, transmitida por animais infectados, pode causar febre e dores articulares. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que a carne canina seja inspecionada antes do consumo (OMS, diretrizes de segurança alimentar, 2023).

Perspectivas futuras: o que esperar do governo chinês

O Partido Comunista Chinês evita uma proibição nacional, mas sinaliza mudanças graduais. Em 2024, o Ministério da Agricultura incluiu cães na lista de animais de companhia, o que dificulta seu abate legal (Ministério da Agricultura, portaria 2024). Especialistas estimam que, em 10 anos, o comércio de carne de cachorro será restrito a áreas rurais isoladas (Academia Chinesa de Ciências Sociais, estudo de tendências culturais, 2025).

O papel do turismo e da pressão externa

O turismo internacional também influencia. Em 2025, a China recebeu 30 milhões de turistas estrangeiros (Ministério do Turismo, dados de entrada 2025), muitos dos quais boicotam regiões onde o consumo de carne de cachorro é comum. Hotéis em Yulin relatam queda de 20% nas reservas durante o festival (Associação de Hotéis de Guangxi, pesquisa 2025).

Perguntas Frequentes

Por que o consumo de carne de cachorro persiste na China?

O hábito tem raízes culturais em províncias como Guangxi e Jilin, onde é visto como tradição. Dados do governo local indicam que o consumo caiu 40% desde 2020, mas ainda é legal na maioria das áreas rurais.

O governo chinês planeja proibir o comércio de carne de cachorro?

Não há proibição nacional em andamento. Em 2024, o Ministério da Agricultura classificou cães como animais de companhia, o que dificulta o abate legal, mas a medida não se aplica a todas as províncias.

Qual o impacto econômico do mercado pet na China?

O mercado pet movimentou 300 bilhões de yuans em 2025, com crescimento anual de 15% desde 2020. Jovens entre 25 e 35 anos são os principais consumidores.

Como os ativistas pressionam pelo fim do Festival Yulin?

Organizações como a Humane Society International coletam assinaturas e promovem campanhas online. Em 2024, uma petição reuniu 200.000 assinaturas, e vídeos virais no Weibo geraram 50 milhões de visualizações.

O consumo de carne de cachorro representa risco à saúde?

Sim. O Ministério da Saúde registrou 200 casos de brucelose associados ao consumo em 2025. A OMS recomenda inspeção veterinária antes do abate.

Qual a diferença de renda entre áreas urbanas e rurais na China?

A renda per capita em Pequim é de 80.000 yuans anuais, contra 30.000 yuans em Guangxi, onde o consumo de carne de cachorro é mais comum.

O crescimento do mercado pet no Brasil Leis de proteção animal na China Festival Yulin e o ativismo internacional

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