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Disparada do petróleo acende alerta para nova pressão na inflação

ResumoO petróleo Brent, cotado a US$ 99,75, acende alerta para nova pressão na inflação global. Conflitos no Oriente Médio ameaçam cadeias de abastecimento. Economistas projetam impacto sobre combustíveis e juros no Brasil, elevando riscos para a economia doméstica.

A disparada do petróleo acende alerta para nova pressão na inflação. Com o Brent cotado a US$ 99,75, conflitos no Oriente Médio ameaçam cadeias de abastecimento. Economistas projetam impacto sobre combustíveis e juros no Brasil.

Otávio Mancini
Otávio Mancini Repórter de Política e Bastidores · 23 de julho de 2026 · 5 min de leitura
Disparada do petróleo acende alerta para nova pressão na inflação

Disparada do petróleo acende alerta para nova pressão na inflação

A disparada do petróleo acende alerta para nova pressão na inflação. O Brent opera a US$ 99,75, alta de 6,07%, pelo quinto dia seguido próximo de US$ 100. Conflitos entre EUA e Irã e ataques no Mar Vermelho ameaçam rotas estratégicas. Economistas apontam risco de reajuste em combustíveis e impacto sobre juros no Brasil.

Escalada do Brent renova temor de choque inflacionário global

O petróleo Brent subiu 6,07% nesta quinta-feira (23), cotado a US$ 99,75 o barril, enquanto o WTI alcançou US$ 91,08, alta de 4,91%. A sequência de cinco pregões consecutivos próximos de US$ 100 sinaliza que os conflitos no Oriente Médio estão longe de um desfecho e reforça o temor de disrupção nas cadeias de abastecimento global.

Segundo André Braz, economista do FGV/Ibre, a alta é puxada principalmente pelas novas ofensivas entre Estados Unidos e Irã. "Os ataques a navios no Mar Vermelho e os riscos à circulação pelo Estreito de Ormuz e pelo estreito de Bab el-Mandeb aumentaram o temor de interrupções no abastecimento", explica.

Essas rotas são estratégicas para o comércio mundial de petróleo. Qualquer incidente nos arredores dos estreitos gera efeito imediato no mercado e nas cotações, segundo o especialista.

Canais de contágio: câmbio, fretes e combustíveis

André Matos, CEO da MA7 Capital, adiciona que um choque de petróleo mais persistente tende a afetar combustíveis, fretes e câmbio, "são justamente os canais que contaminam a inflação mais à frente", afirma. Matos reforça que o aumento de preços chega a 35% apenas neste mês.

O repasse aos preços da gasolina, no entanto, não deve chegar por ora. "O reflexo tende a vir, mas com alguma defasagem, porque a Petrobras não repassa a variação diária e costuma esperar para ver se a alta é consistente antes de mexer nos preços da refinaria", explica Matos. Se o barril se firmar nesse patamar, a probabilidade de reajuste na gasolina e no diesel nas próximas semanas cresce bastante.

Cenário doméstico: inflação sob pressão

Com o aumento do petróleo, novas aflições relacionadas à inflação aparecem. Segundo Braz, se o movimento se mostrar persistente, a inflação pode piorar. O petróleo mais caro por várias semanas poderia levar o mercado a revisar para cima as projeções de inflação e reduzir o espaço para cortes de juros.

Braz também acredita que, no Brasil, ainda é cedo para afirmar quando ou em que magnitude o impacto chegará às bombas. "Se o petróleo permanecer próximo de US$ 100 e o dólar também avançar, a pressão por reajustes da gasolina, do diesel e do gás de cozinha cresce", diz.

O IPCA acumulou variação de 0,16% em junho de 2026 (Banco Central do Brasil), ante 0,58% em maio e 0,67% em abril. A trajetória de desaceleração pode ser interrompida por pressões externas.

Tensão militar e bloqueio naval ampliam risco de abastecimento

Na noite de quinta-feira (23), os houthis, alinhados ao Irã, afirmaram que atacaram dois petroleiros sauditas como parte de um bloqueio naval à Arábia Saudita. A ação ameaça criar um segundo ponto de estrangulamento no fornecimento global de petróleo, além do quase fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã.

Enquanto isso, as forças armadas dos EUA realizaram uma nova rodada de ataques contra o Irã, sob ordens do presidente Donald Trump, marcando a 12ª noite consecutiva de ataques americanos e provocando novas retaliações iranianas.

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou à margem da cúpula da ASEAN em Manila, capital das Filipinas: "O Irã está nos implorando, direta e indiretamente: 'Vamos fazer um acordo. Vamos conversar. Vamos conversar'."

Próximos passos no radar do mercado

O mercado acompanha de perto a evolução dos conflitos e a reação da Petrobras. Se o barril se mantiver no patamar de US$ 100, o repasse aos combustíveis deve ocorrer nas próximas semanas. A combinação de petróleo caro com dólar elevado pode reduzir o espaço para cortes de juros e pressionar a inflação doméstica.

Para quem acompanha o cenário macro, a recomendação é monitorar as cotações diárias do Brent e as declarações de autoridades americanas e iranianas. O desfecho dos ataques e das negociações diplomáticas definirá o tamanho do impacto sobre a economia global e brasileira. impacto do petróleo na inflação brasileira

Perguntas Frequentes

O que explica a alta atual do petróleo?

A alta é puxada pelas ofensivas entre Estados Unidos e Irã, ataques a navios no Mar Vermelho e riscos à circulação pelo Estreito de Ormuz e Bab el-Mandeb, segundo André Braz, economista do FGV/Ibre.

Qual o impacto da alta do petróleo sobre a inflação no Brasil?

Segundo André Matos, CEO da MA7 Capital, o choque persistente afeta combustíveis, fretes e câmbio, canais que contaminam a inflação mais à frente. O aumento chega a 35% apenas neste mês.

A gasolina vai subir no Brasil?

O repasse não deve chegar por ora, porque a Petrobras não repassa a variação diária. Se o barril se firmar em US$ 100, a probabilidade de reajuste nas próximas semanas cresce, segundo Matos.

O que são o Estreito de Ormuz e Bab el-Mandeb?

São rotas estratégicas para o comércio mundial de petróleo. Incidentes nos arredores causam efeito imediato no mercado e nas cotações, conforme o FGV/Ibre.

Como o conflito entre EUA e Irã afeta o preço do petróleo?

As forças armadas dos EUA realizaram a 12ª noite consecutiva de ataques contra o Irã. Os houthis, alinhados ao Irã, atacaram petroleiros sauditas, criando novo ponto de estrangulamento no fornecimento global.

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