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Crime organizado movimenta bilhões por meio de criptomoedas, alerta órgão global

ResumoÓrgão global de combate ao crime financeiro alerta que organizações criminosas movimentam bilhões de dólares anualmente por meio de criptomoedas. Apuração detalha rotas internacionais do fluxo ilícito e a reação das autoridades brasileiras para conter a lavagem de dinheiro digital.

Órgão global alerta que crime organizado movimenta bilhões por meio de criptomoedas. Apuração revela rotas, cifras e a reação das autoridades brasileiras ao novo fluxo ilícito.

Otávio Mancini
Otávio Mancini Repórter de Política e Bastidores · 16 de julho de 2026 · 6 min de leitura
Crime organizado movimenta bilhões por meio de criptomoedas, alerta órgão global

Crime organizado movimenta bilhões por meio de criptomoedas, alerta órgão global

O Financial Action Task Force (FATF), órgão global de combate à lavagem de dinheiro, alerta que o crime organizado movimenta bilhões de dólares anualmente por meio de criptomoedas. A apuração de bastidor revela que o alerta, emitido em maio de 2026, acendeu luzes vermelhas em Brasília. Nos corredores do Banco Central, a avaliação é de que o Brasil precisa de regras mais duras para exchanges e carteiras digitais. A decisão de endurecer a fiscalização, no entanto, se fecha no corredor: há resistência do setor de inovação.

O crime organizado movimenta bilhões de dólares anualmente usando criptomoedas, segundo alerta do FATF. As transações ilícitas exploram exchanges não reguladas e carteiras anônimas, desafiando a fiscalização global. No Brasil, o Banco Central e a Receita Federal monitoram o fluxo, mas lacunas na regulação persistem.

Como o crime organizado usa criptomoedas

Segundo o FATF, as organizações criminosas utilizam três rotas principais para movimentar recursos via criptomoedas. A primeira são as exchanges sem registro, que operam à margem dos sistemas de compliance. A segunda são as carteiras anônimas, que não exigem identificação do usuário. A terceira são os chamados "mixers", serviços que embaralham transações para ocultar a origem dos fundos (FATF, relatório de maio de 2026).

Checado por mais de uma fonte no setor de inteligência financeira, o padrão identificado globalmente se repete no Brasil. O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) já detectou operações suspeitas envolvendo criptomoedas em estados como São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná. O volume, segundo fontes, cresceu 40% desde 2024.

O papel das exchanges não reguladas

As exchanges sem registro são o elo mais frágil da cadeia. Elas permitem que criminosos convertam reais em criptomoedas sem passar por sistemas de verificação de identidade. O Banco Central, que regula o setor desde 2023, já multou três exchanges por descumprimento de regras. Mas a fiscalização ainda é insuficiente.

"A regulação existe, mas o enforcement é lento", avalia um analista do setor que acompanha o tema há anos. A experiência mostra que, sem punições rápidas, as exchanges não reguladas continuam operando.

O alerta do FATF e a reação do Brasil

O FATF, órgão global que reúne 39 países, emitiu em maio de 2026 um alerta específico sobre o uso de criptomoedas pelo crime organizado. O documento cita que o volume movimentado por organizações criminosas, incluindo tráfico de drogas e armas, já supera US$ 10 bilhões anuais. O Brasil, como membro do FATF, foi instado a reforçar os controles.

Nos bastidores, a reação foi imediata. O Ministério da Justiça e o Banco Central iniciaram conversas para propor uma nova resolução que obrigue exchanges a reportar transações acima de R$ 30 mil. A proposta, no entanto, enfrenta resistência de associações do setor, que alegam burocracia excessiva.

Dados oficiais do Banco Central

O Banco Central divulgou, em março de 2026, que o volume de transações com criptomoedas no Brasil cresceu 25% em relação ao ano anterior, atingindo R$ 200 bilhões. Desse total, estima-se que entre 3% e 5% tenham origem ilícita, segundo fontes do Coaf.

  • 25% de crescimento nas transações legítimas
  • Entre 3% e 5% de participação de atividades ilícitas
  • R$ 200 bilhões movimentados em 2025

Lavagem de dinheiro: a rota das criptomoedas

A lavagem de dinheiro por criptomoedas segue um padrão de três etapas. Primeiro, o criminoso insere o dinheiro sujo no sistema, comprando criptomoedas em exchanges não reguladas. Depois, realiza múltiplas transações para ocultar a origem. Por fim, converte os ativos em moeda fiduciária ou em bens de alto valor.

O FATF alerta que a sofisticação das operações aumentou. Organizações criminosas agora usam stablecoins, como USDT, para evitar a volatilidade do mercado. O rastreamento, que já era difícil, tornou-se ainda mais complexo (FATF, relatório de maio de 2026).

O que muda no Brasil

No Brasil, a Receita Federal já exige que exchanges informem transações acima de R$ 30 mil. Mas o alerta do FATF pressiona por regras mais rígidas. Uma das propostas em discussão é a obrigatoriedade de identificação do cliente final, mesmo em transações com carteiras anônimas.

"A decisão se fecha no corredor do Ministério da Fazenda", relata uma fonte que acompanha as negociações. "Há um grupo defendendo autorregulação, mas o FATF não aceita meios termos."

Os desafios da regulação global

O combate ao uso de criptomoedas pelo crime organizado enfrenta um desafio estrutural: a falta de coordenação global. Enquanto o FATF emite recomendações, cada país implementa as regras no seu ritmo. Paraísos fiscais e jurisdições com regulação frouxa continuam sendo portos seguros para o fluxo ilícito.

O alerta do FATF cita que 30% das transações ilícitas passam por exchanges localizadas em países com baixa supervisão. A recomendação é que os países membros intensifiquem a cooperação internacional.

O papel do Banco Central

O Banco Central brasileiro, que regula o mercado de criptomoedas desde 2023, tem atuado em duas frentes. A primeira é a fiscalização das exchanges. A segunda é o desenvolvimento de uma moeda digital oficial, o Real Digital, que pode oferecer mais rastreabilidade.

Segundo o Banco Central, o Real Digital está em fase de testes e deve ser lançado em 2027. A expectativa é que ele reduza o espaço para transações anônimas.

O que esperar para os próximos meses

Nos próximos meses, o Brasil deve apresentar ao FATF um plano de ação para endurecer o combate ao uso de criptomoedas pelo crime organizado. A expectativa é que novas regras sejam publicadas até o final de 2026. No tabuleiro político, a pressão do órgão global pode acelerar decisões que estavam engavetadas.

Uma fonte do Coaf resume: "O alerta do FATF é um tiro de partida. Quem não correr, vai ficar para trás."

Perguntas Frequentes

O que é o FATF?

O Financial Action Task Force (FATF) é um órgão global criado em 1989 para combater a lavagem de dinheiro e o financiamento do terrorismo. Reúne 39 países e emite recomendações que orientam as políticas nacionais.

Como o crime organizado usa criptomoedas?

O crime organizado usa criptomoedas para lavar dinheiro, comprar armas e drogas, e financiar operações ilícitas. As transações são feitas em exchanges não reguladas e carteiras anônimas.

O Brasil está preparado para combater esse crime?

O Brasil avançou com a regulação das exchanges, mas ainda há lacunas. O alerta do FATF pressiona por regras mais rígidas, como a obrigatoriedade de identificação do cliente final.

Quanto o crime organizado movimenta em criptomoedas?

Segundo o FATF, o volume movimentado por organizações criminosas já supera US$ 10 bilhões anuais. No Brasil, estima-se que entre 3% e 5% das transações com criptomoedas tenham origem ilícita.

O que é o Real Digital?

O Real Digital é a moeda digital oficial do Brasil, em fase de testes pelo Banco Central. Deve ser lançado em 2027 e promete mais rastreabilidade nas transações.

regulação de criptomoedas no Brasil lavagem de dinheiro e novas tecnologias como o Coaf monitora transações suspeitas

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