CapaCidade
Cidade

Corregedoria da PM conclui intenção de matar em abordagem na Zona Leste de SP

ResumoA Corregedoria da PM de São Paulo concluiu que a soldado Yasmin Cursino Ferreira agiu com intenção de matar Thawanna da Silva Salmázio, de 31 anos, na abordagem em Cidade Tiradentes, Zona Leste de São Paulo. O relatório aponta indícios de homicídio doloso qualificado e afasta a tese de legítima defesa apresentada pela policial militar.

A Corregedoria da PM de São Paulo concluiu que a soldado Yasmin Cursino Ferreira teve intenção de matar Thawanna da Silva Salmázio, de 31 anos, na abordagem em Cidade Tiradentes. O relatório aponta indícios de homicídio doloso qualificado e afasta a tese de legítima defesa.

Pedro Henrique Salles
Pedro Henrique Salles Repórter de Trânsito e Infraestrutura · 15 de setembro de 2026 · 3 min de leitura
Corregedoria da PM conclui intenção de matar em abordagem na Zona Leste de SP

A Corregedoria da Polícia Militar de São Paulo concluiu que a soldado Yasmin Cursino Ferreira teve intenção de matar Thawanna da Silva Salmázio, de 31 anos, durante uma abordagem em Cidade Tiradentes, na Zona Leste da capital, em abril deste ano. O relatório final foi enviado à Justiça Militar, e a soldado está afastada do cargo desde o episódio.

O documento aponta indícios claros de homicídio doloso qualificado e afirma não haver elementos que configurem legítima defesa. Yasmin atirou uma vez contra Thawanna, que estava desarmada. Segundo as informações da Corregedoria, a mulher permaneceu cerca de meia hora no chão à espera do Samu. As imagens das câmeras corporais dos policiais foram consideradas fundamentais para a apuração.

O que o inquérito apontou sobre o uso da força

O relatório do Inquérito Policial Militar, concluído em 1º de junho, já indicava indícios de autoria e materialidade de homicídio. Segundo o documento, Yasmin efetuou um disparo que atingiu Thawanna na região do abdome, provocando a morte horas depois.

A investigação também apontou problemas na forma como a força foi empregada. Para a encarregada do IPM, não havia elementos que demonstrassem risco iminente à vida que justificasse o uso da força letal. O relatório afirma que não ficou demonstrada uma atuação progressiva antes do disparo e aponta inadequação, falta de necessidade e desproporcionalidade no uso da força.

A versão apresentada pela PM era de legítima defesa. Conforme o relato incorporado ao inquérito, Thawanna teria dado um tapa no rosto da policial e avançado em sua direção durante um confronto físico. A versão afirma que Yasmin tentou afastá-la antes de disparar.

Os depoimentos, porém, apresentaram versões diferentes. Uma testemunha afirmou que a discussão teria começado pela policial e relatou que Yasmin teria agredido Thawanna antes de receber o tapa. Segundo esse depoimento, a PM deu dois passos para trás e efetuou o disparo sem dar ordem verbal.

O inquérito analisou, entre outras provas, imagens das câmeras operacionais, laudos necroscópico, de levantamento do local, de disparo de arma de fogo e de lesão corporal da policial. O relatório também apontou indícios de transgressão disciplinar contra o policial Weden Silva Soares por descumprimento do procedimento de abordagem de pessoa a pé. A investigação, no entanto, afirmou não haver indícios de crime militar ou comum contra ele.

Quem era Thawanna e o que a família cobra

Moradora de São Paulo, Thawanna Salmázio era mãe de cinco filhos, com idades entre 5 e 13 anos, e trabalhava como ajudante-geral. A morte ocorreu durante uma confusão com policiais militares na madrugada de 3 de abril. Thawanna e o companheiro, Luciano Gonçalvez dos Santos, caminhavam quando uma viatura da PM em patrulhamento passou pela rua, e o braço de Luciano esbarrou no veículo. O policial que conduzia o veículo deu ré e questionou o casal sobre andar na rua.

A câmera corporal de um policial militar registrou que Thawanna não encostou no retrovisor da viatura nem iniciou nenhuma agressão antes de ser baleada por Yasmin. Thawanna esperou mais de 30 minutos por resgate, apesar de haver bases do Corpo de Bombeiros a poucos minutos do local do disparo.

Em 10 de abril, o Instituto Médico Legal emitiu o atestado de óbito, que aponta hemorragia interna aguda como causa da morte. Socorristas ouvidos pela TV Globo afirmam que a demora no resgate contribuiu diretamente para o agravamento do quadro, já que o ferimento não foi estancado nos primeiros minutos após o tiro.

À época, a família disse que o sentimento era de revolta. Daiana Martins, irmã de Thawanna, afirmou que a policial estava despreparada e que poderia ter imobilizado, contido ou algemado a vítima. "A polícia matou uma pessoa incrível, tirou a chance de vida da minha irmã", declarou. "Não há indenização futura que pague a dor dos filhos, da ausência da mãe."

O relatório segue na Justiça Militar. A cronograma de obra a gente confere no edital; aqui, o que se acompanha é o andamento do processo e a resposta da corporação às conclusões da própria Corregedoria.

// Leia também

Publicidade