Como pesquisadores encontraram fóssil de serpente ancestral em SP
Pesquisadores encontraram fóssil de serpente ancestral em SP, no Sítio Paleontológico 'José Martin Suárez', em Presidente Prudente. O estudo, publicado na Nature, analisa a espécie Tametara mirim, com crânio preservado em 3D e 103 vértebras, revelando hábitos subterrâneos.
Como pesquisadores encontraram fóssil de serpente ancestral em SP
Pesquisadores encontraram fóssil de serpente ancestral em SP, no Sítio Paleontológico 'José Martin Suárez', em Presidente Prudente. O fóssil, da espécie Tametara mirim, foi descoberto em 2020 na Formação Adamantina, Bacia Bauru, e tem entre aproximadamente 85 milhões e 75 milhões de anos. A preservação do material permitiu exames em alta resolução que reconstruíram o cérebro, nervos cranianos e o ouvido interno do animal.
O sítio paleontológico em Presidente Prudente
A descoberta ocorreu no Sítio Paleontológico 'José Martin Suárez', localizado em Presidente Prudente, interior de São Paulo. O local é reconhecido por abrigar fósseis do período Cretáceo Superior, quando a região era parte da Bacia Bauru. A Formação Adamantina, onde o fóssil foi encontrado, é uma unidade geológica que preserva restos de vertebrados que viveram entre 85 e 75 milhões de anos atrás.
A espécie Tametara mirim e seu fóssil
O estudo, publicado na quarta-feira (22) na revista Nature, analisa a espécie Tametara mirim. O fóssil é composto pela metade posterior de um crânio preservado em 3D, mandíbulas articuladas e a porção anterior do pós-crânio, incluindo 103 vértebras pré-sacrais. O crânio mede 17,8 milímetros, com comprimento total estimado em aproximadamente 33 milímetros, enquanto a parte preservada do corpo possui 419 milímetros.
Técnicas de alta resolução revelam o cérebro ancestral
A preservação excepcional do fóssil permitiu que os pesquisadores realizassem exames em alta resolução. Com a técnica, foi possível reconstruir em detalhes estruturas do crânio, incluindo o cérebro, nervos cranianos e o ouvido interno do animal. A análise revelou que o cérebro de Tametara mirim apresentava uma morfologia diferente da observada tanto em outras serpentes primitivas quanto nas espécies atuais.
Para os pesquisadores, essa diferença indica que, já no início da evolução das serpentes, existia uma diversidade na anatomia cerebral e, provavelmente, nas funções sensoriais desses animais. O formato do cérebro e outras características anatômicas também forneceram evidências de que Tametara mirim tinha um modo de vida associado a ambientes subterrâneos.
Comparação com a serpente Dinilysia
Os pesquisadores compararam as características encontradas no fóssil de Tametara mirim com as de outra serpente primitiva, Dinilysia. As diferenças identificadas indicam que as duas espécies ocupavam ambientes distintos. Enquanto Tametara apresentava evidências compatíveis com um modo de vida subterrâneo, Dinilysia apresentava características de uma espécie com hábitos terrestres superficiais.
Essa comparação sugere que, já no Cretáceo Superior, as serpentes primitivas haviam se diversificado em diferentes nichos ecológicos, ocupando tanto o subsolo quanto a superfície.
Origem das serpentes no Jurássico Médio
O estudo também confirma a origem das serpentes no Jurássico Médio e uma origem das serpentes modernas, chamadas de serpentes coroa, no início do Cretáceo Superior. A descoberta de Tametara mirim, com idade entre 85 e 75 milhões de anos, se encaixa nesse período de transição, ajudando a preencher lacunas na compreensão da evolução inicial desses répteis.
O que o fóssil revela sobre a evolução sensorial
A reconstrução do cérebro e do ouvido interno de Tametara mirim fornece pistas sobre como as serpentes desenvolveram sentidos especializados. A morfologia cerebral diferente sugere que as funções sensoriais, como a audição e o equilíbrio, podem ter evoluído de forma distinta em linhagens que ocupavam ambientes subterrâneos. Os pesquisadores destacam que a diversidade anatômica cerebral já existia no início da evolução das serpentes.
Implicações para a paleontologia brasileira
A descoberta no Sítio Paleontológico 'José Martin Suárez' reforça a importância dos depósitos fossilíferos da Bacia Bauru para o estudo da evolução dos vertebrados. O fóssil de Tametara mirim é um dos mais completos já encontrados para serpentes primitivas, permitindo análises detalhadas que antes eram limitadas a espécies de outras regiões do mundo.
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Perguntas Frequentes
Onde o fóssil de serpente ancestral foi encontrado em SP?
O fóssil foi descoberto no Sítio Paleontológico 'José Martin Suárez', em Presidente Prudente, interior de São Paulo.
Qual a idade do fóssil de Tametara mirim?
O fóssil tem entre aproximadamente 85 milhões e 75 milhões de anos, do período Cretáceo Superior.
O que o estudo revela sobre o cérebro da serpente ancestral?
A análise em alta resolução mostrou que o cérebro de Tametara mirim tinha morfologia diferente de outras serpentes primitivas e atuais, indicando diversidade cerebral no início da evolução.
Como Tametara mirim se diferencia da serpente Dinilysia?
Tametara mirim apresenta evidências de hábitos subterrâneos, enquanto Dinilysia tinha características de espécie terrestre superficial.
Qual a importância do fóssil para a evolução das serpentes?
O estudo confirma a origem das serpentes no Jurássico Médio e das serpentes modernas no início do Cretáceo Superior, ajudando a entender a diversificação inicial do grupo.
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