Cemitério Santa Rosa: túmulos de vítimas da gripe espanhola ameaçados pela duplicação da BR-101
O Cemitério Santa Rosa, com mais de 100 anos no Sul do ES, abriga túmulos de vítimas da gripe espanhola e pode desaparecer com a duplicação da BR-101. Moradores e estudiosos alertam para o risco.
Fui até Mimoso do Sul, no Sul do Espírito Santo, para entender o que está acontecendo com um pedaço da história que pouca gente conhece. O Cemitério Santa Rosa, com mais de 100 anos, fica às margens da BR-101, na altura do quilômetro 444. Ele é anterior à própria estrada, e hoje corre risco de desaparecer com as obras de duplicação da rodovia.
O Cemitério Santa Rosa, localizado às margens da BR-101 no quilômetro 444, em Mimoso do Sul (ES), tem mais de 100 anos e, segundo moradores, guarda túmulos de vítimas da gripe espanhola (1918-1920). A comunidade e estudiosos temem que ele desapareça com o avanço das obras de duplicação da rodovia.
O cemitério que veio antes da BR-101
O espaço, segundo moradores, é anterior à construção da rodovia. Foi danificado após o início de intervenções na região, e a preocupação é que o avanço das obras leve ao seu desaparecimento completo. Não se trata de um cemitério qualquer: ali estão sepulturas de famílias tradicionais da região, como Lopes, Rodrigues, Dalbom e Vieira. Parentes que morreram durante a pandemia de gripe espanhola, entre 1918 e 1920.
Fui conversar com quem conhece a história de perto. O professor universitário e bacharel em Direito Leonardo Lopes contou que descobriu recentemente que também tem laços com aquele lugar. A descoberta aconteceu depois que o cemitério começou a ser ameaçado pelas obras.
A gripe espanhola no interior do Espírito Santo
A pandemia de gripe espanhola, que assolou o mundo entre 1918 e 1920, também deixou marcas no interior capixaba. As famílias Lopes, Rodrigues, Dalbom e Vieira, citadas por moradores, são exemplos de linhagens que perderam parentes na época. O cemitério Santa Rosa se tornou, assim, um testemunho silencioso daquele período trágico.
O local, que hoje é um ponto de memória para a comunidade, pode ser engolido pela pista duplicada. A duplicação da BR-101 é uma obra de infraestrutura importante para a região, mas coloca em risco um patrimônio histórico que, para quem é de lá, não tem preço.
O que dizem os moradores e estudiosos
A comunidade está mobilizada. Moradores pedem a preservação do cemitério. O professor Leonardo Lopes, que também é bacharel em Direito, representa a voz de quem entende que a memória não pode ser simplesmente removida. Ele descobriu recentemente que sua própria família está entre as sepultadas ali.
A preocupação é que, com o avanço das máquinas, as sepulturas sejam destruídas antes que qualquer estudo ou medida de proteção seja feito. O cemitério, que já foi danificado com o início das intervenções, agora vive sob ameaça constante.
Um patrimônio histórico em risco
Cemitérios como o Santa Rosa são fontes primárias para a história local. Eles contam não apenas quem morreu, mas como a comunidade se formou. No caso, as vítimas da gripe espanhola representam um capítulo que a historiografia oficial muitas vezes ignora.
A duplicação da BR-101, embora necessária para o desenvolvimento, precisa dialogar com a preservação. O que está em jogo não é apenas um pedaço de terra, mas a memória de famílias inteiras que construíram a região.
Perguntas Frequentes
Onde fica o Cemitério Santa Rosa?
O cemitério fica às margens da BR-101, na altura do quilômetro 444, em Mimoso do Sul, no Sul do Espírito Santo.
Por que o cemitério corre risco de desaparecer?
Segundo moradores e estudiosos, o local foi danificado após o início de intervenções na região e pode desaparecer com o avanço das obras de duplicação da rodovia.
Quem está enterrado no Cemitério Santa Rosa?
O cemitério abriga sepulturas de famílias tradicionais da região, como Lopes, Rodrigues, Dalbom e Vieira, cujos parentes morreram durante a pandemia de gripe espanhola, entre 1918 e 1920.
O que a comunidade está fazendo para preservar o cemitério?
Moradores e estudiosos, como o professor Leonardo Lopes, estão pedindo a preservação do local e alertando para o risco de desaparecimento com as obras.
O cemitério é anterior à BR-101?
Sim, segundo a população, o espaço é anterior à construção da rodovia.