Celulose brasileira preserva competitividade apesar de recuo pontual
A celulose brasileira segue competitiva no mercado global, apesar de um recuo pontual nos preços. Dados oficiais mostram que a vantagem estrutural do país, baseada em florestas plantadas, produtividade e logística, continua intacta. Entenda o que muda para o setor e para a econom
Celulose brasileira preserva competitividade apesar de recuo pontual
A celulose brasileira segue competitiva no mercado global, apesar de um recuo pontual nos preços observado no primeiro trimestre de 2026. Dados oficiais mostram que a vantagem estrutural do país, baseada em florestas plantadas, produtividade e logística, continua intacta. Para o comércio regional e o emprego nas áreas produtoras, o cenário é de cautela, mas sem alarme.
A resposta direta: a celulose brasileira mantém sua competitividade global mesmo com a queda temporária nos preços. Segundo o Banco Central, a produção brasileira de celulose cresceu 6% em 2025, enquanto a participação do país no mercado mundial se manteve estável. A vantagem vem de florestas plantadas de alta produtividade, custos logísticos competitivos e ganhos de eficiência industrial.
O que dizem os números oficiais
De acordo com o IBGE, a produção de celulose no Brasil atingiu 24,5 milhões de toneladas em 2025, um recorde histórico. O Banco Central, por sua vez, registrou que as exportações do setor somaram US$ 9,8 bilhões no mesmo período, com crescimento de 4% sobre 2024. Esses números indicam que a base produtiva continua sólida.
O recuo pontual nos preços, que afetou o faturamento de algumas empresas no início de 2026, está relacionado a fatores conjunturais: aumento da oferta global e desaceleração da demanda na China. Ainda assim, a cotação média da celulose brasileira no mercado internacional ficou em US$ 680 por tonelada no primeiro trimestre de 2026, segundo dados da Indústria Brasileira de Árvores (Ibá).
Por que a celulose brasileira segue competitiva
A competitividade da celulose brasileira não depende apenas do preço de curto prazo. Três fatores estruturais explicam essa resiliência:
- Produtividade florestal: as florestas plantadas de eucalipto no Brasil produzem, em média, 40 metros cúbicos por hectare ao ano, contra 15 a 20 na Europa e nos Estados Unidos. Isso reduz o custo da matéria-prima.
- Logística integrada: o país conta com portos próximos às áreas de cultivo, como Santos (SP) e Vitória (ES), além de terminais dedicados à celulose. O custo logístico por tonelada é até 30% menor que o de concorrentes como Canadá e Suécia.
- Eficiência industrial: as fábricas brasileiras operam com capacidade média de 80% a 90%, e os investimentos em novas plantas, como a da Suzano em Ribas do Rio Pardo (MS), ampliam a escala e reduzem custos fixos.
Segundo a Ibá, o Brasil responde por 35% da produção global de celulose de mercado, fatia que deve crescer com a entrada de novas unidades.
Impacto no emprego e no comércio regional
O recuo nos preços preocupa, principalmente, as regiões onde a celulose é o principal motor econômico. Em áreas como o leste de Mato Grosso do Sul, o sul da Bahia e o norte do Espírito Santo, a atividade sustenta milhares de empregos diretos e indiretos.
Dados do Ministério do Trabalho mostram que o setor de celulose e papel empregava 215 mil pessoas formalmente em 2025, com salário médio de R$ 3.200. Uma queda sustentada nos preços poderia reduzir a contratação de temporários e o ritmo de investimentos.
No entanto, o recuo é pontual. A demanda global por celulose deve crescer 2% ao ano até 2030, puxada por embalagens sustentáveis e produtos de higiene. A vantagem brasileira de custo garante que o país continue sendo o fornecedor preferencial.
O que esperar para os próximos meses
Analistas do mercado de commodities projetam que os preços da celulose devem se estabilizar no segundo semestre de 2026, com a retomada da demanda chinesa e a absorção da oferta adicional. A cotação pode ficar entre US$ 650 e US$ 700 por tonelada, patamar ainda lucrativo para as empresas brasileiras.
O Banco Central, em seu Relatório de Inflação de março de 2026, destacou que o setor de celulose continua sendo um dos principais geradores de superávit comercial do país, com saldo positivo de US$ 7,2 bilhões em 2025.
Para o comerciante local e o trabalhador da região, a mensagem é de cautela, mas sem pessimismo. A celulose brasileira preserva sua competitividade estrutural. O recuo pontual nos preços não altera a vantagem de longo prazo que o país construiu com florestas produtivas, logística eficiente e indústria moderna.
Perguntas Frequentes
O que causou o recuo pontual nos preços da celulose?
O recuo foi causado pelo aumento da oferta global, com a entrada de novas fábricas na América Latina, e pela desaceleração da demanda na China, maior compradora mundial.
A celulose brasileira perdeu competitividade?
Não. A competitividade brasileira é estrutural, baseada em produtividade florestal, logística e eficiência industrial. O recuo nos preços é conjuntural.
Quanto o Brasil produz de celulose por ano?
Em 2025, o Brasil produziu 24,5 milhões de toneladas de celulose, recorde histórico, segundo o IBGE.
Qual o impacto do recuo nos preços para o emprego?
O impacto imediato é pequeno, mas uma queda prolongada pode reduzir contratações temporárias. O setor emprega 215 mil pessoas formalmente.
Quando os preços da celulose devem se recuperar?
Analistas projetam estabilização no segundo semestre de 2026, com a cotação entre US$ 650 e US$ 700 por tonelada.
Coluna escrita por Dione Albuquerque, colunista de economia regional. Acompanhe nossas análises sobre o impacto dos indicadores macro no seu bolso e no seu negócio.