Brasil figura em 69ª posição em ranking da indústria, 2º pior ano seguido
O Brasil caiu para 69ª posição em ranking global da indústria de transformação pelo segundo ano seguido. Dados do Iedi e Unido mostram perda de 36 posições desde 2024. Entenda o impacto no seu bolso.
Há uma cena que se repete em conversas de bar, em reuniões de família e até no cafezinho do escritório: alguém reclama que o emprego sumiu, que o produto nacional encareceu, que a fábrica da cidade fechou. Pois esses papos, que parecem só desabafo, têm um retrato frio e numérico. E ele veio agora, pior do que a gente esperava.
O Brasil caiu para a 69ª posição no ranking global da indústria de transformação, que reúne 90 países. É o segundo ano consecutivo de queda. Os dados foram compilados pelo Iedi (Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial), com base em números da Unido, braço da ONU para desenvolvimento industrial. A perda é de 36 posições desde o primeiro trimestre de 2024, quando o país aparecia em 33º lugar após registrar crescimento de 1,7%.
Como a indústria chegou a esse ponto?
No primeiro trimestre de 2025, o Brasil ocupava a 47ª colocação. Um ano depois, caiu 22 posições. A deterioração não é um susto repentino: vem de um contexto de juros altos e interrupção do ciclo de crescimento da indústria nacional. Naquele período, a atividade industrial teve queda de 1,8%, atribuída principalmente à taxa de juros de 15%.
Apesar de uma leve melhora no primeiro trimestre deste ano, alta de 1,5% na comparação com o último trimestre de 2025, o acumulado de 12 meses ainda é negativo, com recuo de 0,1%. Esse resultado levou o país à 69ª posição.
O que isso significa para quem trabalha e consome?
Quando a indústria encolhe, as consequências chegam ao prato, ao carro, ao emprego. Menos produção nacional significa mais dependência de importados, preços mais altos e menos vagas formais. A indústria de transformação é a que mais gera empregos de qualidade, com carteira assinada e salários acima da média.
Na comparação trimestral com ajuste sazonal, o avanço de 1,5% da indústria brasileira ficou ligeiramente acima da média global (1,2%). Mas no acumulado de 12 meses, a história é outra: enquanto o mundo cresceu 3,1%, o Brasil recuou 0,1%. impacto dos juros na indústria
E os piores e melhores do ranking?
O Brasil não figurou entre os piores desempenhos. As maiores quedas foram registradas por Catar (-4,5%), Suíça (-6,4%), Maldivas (-8,7%), Irlanda (-14,9%) e Guiné (-57,2%). Já os maiores avanços vieram de Angola (112,2%), Cazaquistão (40,1%), Uzbequistão (38,5%), Taiwan (24,6%) e Vietnã (13,7%). indústria global 2026
O recado que fica
A perda de 36 posições em dois anos não é um acidente de percurso. É um sinal de que a política econômica e o ambiente de negócios precisam de ajustes. Enquanto o juro real continuar entre os mais altos do mundo, investir em fábrica no Brasil vai continuar sendo um exercício de coragem, ou de teimosia.
Perguntas Frequentes
O que é indústria de transformação?
É o setor que transforma matérias-primas em produtos acabados, como alimentos, veículos, máquinas e roupas.
O que é o ranking da Iedi?
É um levantamento do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial, com base em dados da Unido, que compara o desempenho industrial de 90 países.
Por que o Brasil caiu no ranking?
A queda é atribuída à interrupção do ciclo de crescimento da indústria nacional e à taxa de juros de 15%, que desestimula investimentos.
O Brasil está entre os piores do mundo?
Não. Apesar da 69ª posição, o país não está entre os que mais recuaram. As maiores quedas foram de Catar, Suíça, Maldivas, Irlanda e Guiné.
O que pode melhorar o desempenho industrial?
A redução da taxa de juros e a retomada de investimentos em infraestrutura e inovação são caminhos apontados por especialistas.