Ave ameaçada de extinção faz ninho em pilar da Terceira Ponte e queda de filhotes no mar mobiliza força-tarefa no ES
Filhotes de ave ameaçada de extinção caem no mar ao tentar voar do ninho construído em pilar da Terceira Ponte, no ES. Força-tarefa com biólogos e órgãos ambientais foi montada para resgate e monitoramento. Entenda os riscos e o plano de ação.
Uma ave ameaçada de extinção instalou ninho em um dos pilares centrais da Terceira Ponte, na Grande Vitória, e a queda de filhotes no mar durante tentativas de voo mobilizou uma força-tarefa com biólogos, órgãos ambientais e concessionária. O caso, registrado nesta semana, expõe o conflito entre infraestrutura viária e preservação de espécies sensíveis.
Uma ave ameaçada de extinção construiu ninho em um dos pilares da Terceira Ponte, na Grande Vitória (ES). Filhotes caíram no mar durante tentativas de voo. Uma força-tarefa com biólogos, IEMA e prefeituras foi montada para resgate, monitoramento e contenção. A estrutura metálica dificulta o acesso, mas o plano inclui barreiras de proteção e resgate imediato dos filhotes.
Ninho em pilar da Terceira Ponte: espécie ameaçada e riscos
A espécie identificada é o Sula leucogaster (atobá-pardo), classificada como "Vulnerável" na lista oficial do ICMBio. A ave escolheu o vão entre o concreto e a viga metálica de um dos pilares centrais, a cerca de 30 metros de altura, local de difícil acesso para equipes de resgate.
O ninho, feito de gravetos e algas secas, já teve três filhotes registrados. Dois caíram no mar nos últimos dias, segundo relato de moradores e da concessionária que administra a ponte. O terceiro permanece no ninho sob monitoramento.
Queda de filhotes no mar: o que acontece e quais os riscos
Os filhotes, ainda sem plumagem completa para voo estável, tentam sair do ninho e acabam caindo na água. O impacto pode causar fraturas, hipotermia ou afogamento. O mar na região tem correnteza moderada e tráfego de embarcações, o que agrava o perigo.
Biólogos do IEMA (Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos) foram acionados e já realizaram dois resgates. Um dos filhotes foi encaminhado ao Centro de Reabilitação de Animais Silvestres (CRAS) de Cariacica. O outro passou por avaliação e foi solto em área de restinga protegida.
Segundo o IEMA, a taxa de sobrevivência de filhotes resgatados com rapidez chega a 70%, desde que não haja lesões internas. O órgão recomenda que banhistas e pescadores não tentem capturar as aves, o manejo inadequado pode piorar ferimentos.
Força-tarefa: quem faz parte e o plano de ação
A força-tarefa reúne:
- IEMA (coordenação técnica e autorização de manejo)
- Prefeitura de Vila Velha (defesa civil e apoio logístico)
- Prefeitura de Vitória (guarda ambiental)
- Concessionária da Terceira Ponte (acesso à estrutura e sinalização)
- Biólogos voluntários da UFES
O plano inclui três frentes:
- Instalação de barreira de contenção com tela metálica abaixo do ninho para amortecer quedas.
- Monitoramento por câmera 24 horas para acionar resgate imediato.
- Campanha educativa nas comunidades de pescadores para evitar interferência.
A concessionária informou que a intervenção não exigirá interdição da ponte, o trabalho será feito por plataforma elevatória nos horários de menor fluxo cronograma de obras na Terceira Ponte.
O que diz a legislação ambiental
A construção de ninhos em estruturas artificiais não é crime, mas a remoção ou interferência sem autorização do órgão ambiental pode configurar infração com multa de R$ 5 mil a R$ 50 mil, conforme a Lei de Crimes Ambientais (Lei 9.605/1998). O IEMA já emitiu autorização especial para manejo emergencial.
Especialistas ouvidos pela reportagem apontam que o caso é inédito na Terceira Ponte, não há registro anterior de ninho de atobá-pardo na estrutura. A espécie costuma nidificar em ilhas rochosas e falésias, mas a escassez de locais seguros no litoral capixaba pode ter levado o casal a escolher o pilar.
Cronograma e próximos passos
A barreira de contenção deve ser instalada até o final da semana. O monitoramento seguirá até que o último filhote atinja idade de voo (cerca de 70 dias). Se houver novas quedas, a equipe será acionada em até 30 minutos.
O IEMA informou que, após o período reprodutivo, o ninho será removido para evitar nova tentativa de nidificação no local. A concessionária estuda instalar dispositivos antininhos em outros pilares.
Perguntas Frequentes
Qual ave fez ninho na Terceira Ponte?
É o atobá-pardo (Sula leucogaster), espécie classificada como Vulnerável na lista de espécies ameaçadas do ICMBio.
Quantos filhotes caíram no mar?
Dois filhotes caíram até o momento. Um foi resgatado e está em reabilitação; outro passou por avaliação e foi solto.
O ninho será removido?
Sim, após o fim do período reprodutivo, o IEMA autorizará a remoção para evitar novos ninhos no local.
Como ajudar se encontrar um filhote?
Não toque no animal. Ligue para o IEMA (27 3636-2500) ou para a guarda ambiental de Vila Velha. O resgate deve ser feito por profissional.
A ponte será interditada?
Não. O trabalho será feito com plataforma elevatória nos horários de menor movimento, sem fechamento de pistas.