CapaCidade
Cidade

AVB vê avanço do aço verde na construção civil e descarta uso de hidrogênio

ResumoAVB, siderúrgica brasileira, aposta no aço verde para descarbonizar a construção civil. A empresa descarta o uso de hidrogênio como alternativa viável no curto prazo devido a custos elevados e falta de infraestrutura adequada. A estratégia foca em processos produtivos mais limpos para reduzir emissões no setor.

A AVB, uma das principais siderúrgicas do Brasil, aposta no aço verde como solução para descarbonizar a construção civil. A empresa descarta o hidrogênio como alternativa viável no curto prazo, citando custos e infraestrutura. Entenda os motivos e os impactos para o setor.

Nayara Couto
Nayara Couto Editora de Comportamento e Saúde · 16 de julho de 2026 · 5 min de leitura
AVB vê avanço do aço verde na construção civil e descarta uso de hidrogênio

AVB vê avanço do aço verde na construção civil e descarta uso de hidrogênio

Circula entre profissionais do setor a dúvida: afinal, o aço verde já é realidade na construção civil brasileira, ou ainda é promessa? A AVB, uma das maiores siderúrgicas do país, respondeu com dados e posicionamento claro. A empresa aposta no aço verde como caminho viável para descarbonizar a construção civil e, ao mesmo tempo, descarta o hidrogênio como alternativa no curto prazo. Vamos entender os motivos com base em evidências.

O que é aço verde e por que ele avança na construção civil

Aço verde é aquele produzido com baixa emissão de carbono. No caso da AVB, a rota tecnológica usa carvão vegetal de florestas plantadas, que sequestra CO₂ durante o crescimento, combinado com energia elétrica de fontes renováveis, como hidrelétricas. O resultado é uma redução significativa das emissões em comparação ao aço tradicional, que usa coque mineral (derivado do carvão fóssil).

Segundo o Instituto Aço Brasil, a siderurgia brasileira já emite, em média, 0,5 tonelada de CO₂ por tonelada de aço, enquanto a média global fica em 1,8 tonelada. A AVB afirma que seu aço verde consegue reduzir esse número para até 0,2 tonelada por tonelada, graças ao uso intensivo de biomassa.

Na construção civil, o aço verde ganha espaço porque atende às exigências de certificações ambientais, como LEED e Aqua-HQE, cada vez mais requisitadas por incorporadoras e investidores. A AVB já fornece chapas e perfis de aço verde para obras de grande porte, como pontes, edifícios comerciais e galpões logísticos.

Por que a AVB descarta o hidrogênio no curto prazo

O hidrogênio verde é apontado por muitos como o combustível do futuro para a siderurgia, mas a AVB é cautelosa. A empresa afirma que, no Brasil, o hidrogênio verde ainda enfrenta três barreiras intransponíveis no curto prazo: custo de produção elevado (cerca de US$ 5 a US$ 7 por quilo, contra US$ 1,5 do hidrogênio cinza), falta de infraestrutura de transporte e armazenamento, e baixa escala de produção.

Dados da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) indicam que o Brasil tem potencial para produzir hidrogênio verde competitivo até 2030, mas hoje a capacidade instalada é praticamente nula para uso industrial. A AVB prefere não depender de uma tecnologia que ainda não está madura no país.

Em vez disso, a siderúrgica investe em melhorias na eficiência dos fornos a carvão vegetal e na captura de carbono. "O hidrogênio é uma aposta de longo prazo. Para os próximos dez anos, o aço verde com carvão vegetal é a solução mais realista e escalável", afirmou o diretor de sustentabilidade da AVB em evento do setor em maio de 2025.

Impactos para a construção civil e o mercado imobiliário

A adoção do aço verde pela AVB tem efeitos diretos na cadeia da construção civil. Primeiro, reduz a pegada de carbono das obras, o que ajuda incorporadoras a obter financiamento verde, linhas de crédito com juros menores oferecidas por bancos como BNDES e Banco do Brasil para projetos sustentáveis.

Segundo, o aço verde da AVB já tem preço competitivo em relação ao aço tradicional, com diferença de apenas 5% a 10% para cima, segundo a empresa. Isso torna viável para construtoras de médio e grande porte adotarem o material sem comprometer o orçamento.

Terceiro, a AVB planeja ampliar a capacidade de produção de aço verde em 30% até 2027, com investimentos de R$ 1,2 bilhão em novas florestas plantadas e modernização de usinas. Isso deve aumentar a oferta e reduzir ainda mais os preços.

Desafios e ressalvas: o que ainda falta

Apesar do avanço, especialistas ouvidos pela reportagem fazem ressalvas. O engenheiro civil Marcos Oliveira, professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), alerta que o aço verde com carvão vegetal depende de grandes áreas de florestas plantadas, o que pode competir com terras agrícolas e biomas nativos se não houver planejamento.

Além disso, a AVB reconhece que o aço verde ainda não elimina 100% das emissões. Cerca de 30% do carbono ainda vem do processo químico de redução do minério de ferro, que exige carbono como agente redutor. Soluções como a injeção de hidrogênio nos fornos, que a empresa descarta agora, poderiam resolver isso no futuro.

Outro ponto é a falta de normas técnicas específicas para o aço verde na construção civil. A ABNT ainda não publicou uma certificação própria, o que obriga construtoras a usar selos internacionais, aumentando custos burocráticos.

Aço verde vs. concreto: qual é mais sustentável?

Uma dúvida comum entre engenheiros é comparar o aço verde com o concreto, outro material intensivo em carbono. O concreto convencional emite cerca de 0,8 tonelada de CO₂ por tonelada, enquanto o aço verde da AVB emite 0,2 tonelada. Porém, o aço é reciclável infinitamente, enquanto o concreto tem reciclagem limitada.

A AVB defende que o aço verde é mais adequado para estruturas que exigem alta resistência e leveza, como pontes e arranha-céus, enquanto o concreto segue sendo opção para fundações e paredes. A escolha ideal depende do projeto, mas o aço verde ganha pontos na análise do ciclo de vida.

Perguntas Frequentes

O aço verde da AVB já está disponível no mercado?

Sim. A AVB já comercializa chapas e perfis de aço verde para construção civil, com entrega em todo o Brasil. A empresa afirma que o produto responde por 15% de suas vendas totais de aço para o setor.

Qual a diferença de preço entre aço verde e aço comum?

Segundo a AVB, o aço verde custa de 5% a 10% mais caro que o aço tradicional. A diferença tende a cair com o aumento da escala de produção.

O hidrogênio verde vai substituir o carvão vegetal na siderurgia?

A médio prazo (2030-2040), sim, é possível. Mas a AVB descarta o hidrogênio no curto prazo devido a custos e infraestrutura. O carvão vegetal de florestas plantadas segue como rota principal.

Quais certificações o aço verde da AVB possui?

O aço verde da AVB tem certificação do Forest Stewardship Council (FSC) para a biomassa usada e atende aos requisitos das certificações LEED e Aqua-HQE para construções.

O aço verde reduz as emissões de CO₂ na obra?

Sim. O aço verde da AVB emite até 0,2 tonelada de CO₂ por tonelada, contra 0,5 tonelada da média brasileira e 1,8 tonelada da média global. A redução é de 60% a 90%.

guia completo de materiais sustentáveis para construção civil certificações ambientais LEED e Aqua-HQE: o que mudou em 2025 financiamento verde para construtoras: como acessar

// Leia também

Publicidade