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Tarifaço dos EUA poupa ferro-gusa e minerais críticos após pressão interna

ResumoO tarifaço dos Estados Unidos, anunciado em maio de 2026, excluiu ferro-gusa e minerais críticos após pressão de setores internos. A decisão reflete a dependência americana desses insumos e pode beneficiar exportadores brasileiros, que mantêm acesso preferencial ao mercado norte-americano para esses produtos.

Após forte pressão de setores internos, o novo tarifaço dos Estados Unidos poupou o ferro-gusa e os minerais críticos. A decisão, anunciada em maio de 2026, reflete a dependência americana desses insumos e pode beneficiar exportadores brasileiros. Entenda os detalhes.

Nayara Couto
Nayara Couto Editora de Comportamento e Saúde · 16 de julho de 2026 · 4 min de leitura
Tarifaço dos EUA poupa ferro-gusa e minerais críticos após pressão interna

Circula nas redes e nos grupos de zap: o tarifaço dos Estados Unidos vai pegar pesado no Brasil? A notícia que chegou em maio de 2026 trouxe um alívio específico: o ferro-gusa e os minerais críticos ficaram de fora da lista de sobretaxas. Mas por que essa exceção? E o que ela significa para a indústria brasileira? Vamos checar com calma, com fonte na mão.

Após pressão de indústrias americanas, o tarifaço dos EUA, anunciado em maio de 2026, excluiu o ferro-gusa e os minerais críticos da lista de sobretaxas. A medida visa proteger setores que dependem desses insumos, como siderurgia e tecnologia. A decisão beneficia exportadores brasileiros, que seguem com acesso preferencial ao mercado americano.

Por que o ferro-gusa e os minerais críticos foram poupados?

A resposta está na dependência americana. Os Estados Unidos importam cerca de 60% do ferro-gusa que consomem, e o Brasil é o maior fornecedor, com 45% desse total, segundo dados do governo americano. Taxar esse insumo elevaria o custo da siderurgia doméstica, gerando inflação e desemprego.

No caso dos minerais críticos, como lítio, cobalto e terras raras, a situação é ainda mais sensível. Eles são essenciais para a produção de baterias, turbinas eólicas e chips eletrônicos. A China domina 70% do refino global, e os EUA tentam reduzir essa dependência. Taxar importações de países aliados, como Brasil e Canadá, sabotaria esse esforço.

A pressão interna que mudou a rota

Lobby de peso fez a diferença. A Associação Nacional de Siderurgia dos EUA (AISI) e a Câmara de Comércio americana enviaram cartas à Casa Branca alertando que o tarifaço sem exceções poderia paralisar fábricas e custar 200 mil empregos. A pressão veio também de governadores de estados do Meio-Oeste, onde estão as usinas que mais consomem ferro-gusa.

A indústria americana não pode simplesmente substituir o ferro-gusa brasileiro de uma hora para outra, afirmou o presidente da AISI, John Ferriola, em audiência no Congresso americano. Precisamos de transição, não de choque.

O que muda para o Brasil?

Para o Brasil, a notícia é positiva, mas não é festa. O ferro-gusa é um dos principais itens da pauta exportadora para os EUA, com embarques que somaram US$ 1,2 bilhão em 2025, segundo o Ministério da Economia. A exclusão mantém a competitividade do produto brasileiro frente a concorrentes como Ucrânia e Rússia.

Já os minerais críticos ainda são uma aposta. O Brasil tem reservas expressivas de nióbio, grafita e lítio, mas a produção ainda é incipiente. A decisão americana pode acelerar investimentos no setor, que hoje responde por menos de 5% das exportações brasileiras para os EUA.

E as barras de aço? O que ficou de fora

Nem tudo foi perdão. O tarifaço manteve a sobretaxa de 25% sobre barras de aço, tubos e chapas laminadas. Esses produtos representam 30% das exportações brasileiras de aço para os EUA, e a taxação deve reduzir o volume embarcado em até 15% no curto prazo, estimam analistas.

A exclusão do ferro-gusa é um respiro, mas o setor siderúrgico como um todo ainda sentirá o impacto das tarifas sobre produtos acabados, avalia o economista Pedro Mendes, do Instituto de Estudos para o Comércio Internacional (IECI).

O que esperar daqui para frente

A decisão americana não é definitiva. O governo Trump sinalizou que pode revisar a lista de exceções em 90 dias, após nova rodada de negociações. O Brasil, por sua vez, já articula uma contraproposta: reduzir tarifas de importação de etanol americano em troca da manutenção das cotas para o aço brasileiro.

Enquanto isso, o exportador brasileiro precisa ficar atento às regras de origem e aos certificados de qualidade. A exigência de teor mínimo de carbono no ferro-gusa, por exemplo, pode barrar cargas que não atendam aos padrões americanos.

Perguntas Frequentes

O tarifaço dos EUA já está valendo?

Sim. As novas tarifas entraram em vigor em 1º de junho de 2026, com exceção do ferro-gusa e dos minerais críticos, que seguem livres de sobretaxa.

Quais produtos brasileiros foram mais afetados?

Barras de aço, tubos e chapas laminadas, que agora pagam 25% a mais para entrar nos EUA.

O Brasil pode retaliar?

Sim. O governo brasileiro estuda medidas na OMC e pode elevar tarifas sobre produtos americanos, como etanol e carne suína.

Como saber se meu produto está na lista de exceções?

Consulte o site oficial do Departamento de Comércio dos EUA ou a lista atualizada publicada pela Apex-Brasil.

A exclusão beneficia todos os países?

Não. Apenas países com os quais os EUA têm acordos comerciais ou relações estratégicas, como Brasil, Canadá e México, foram beneficiados.

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