Rubio diz que Lula não negociou com os EUA de boa-fé, entenda
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou que o presidente Lula e seu governo não negociaram de boa-fé com o país. A declaração gerou repercussão no Itamaraty e acendeu alerta sobre a relação bilateral. Entenda os bastidores.
"Lula e seu governo não negociaram com os EUA de boa-fé", diz Rubio
O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seu governo não negociaram de boa-fé com o país norte-americano. A declaração foi feita durante audiência no Comitê de Relações Exteriores do Senado dos EUA, em 12 de junho de 2026. Rubio criticou a postura brasileira em negociações comerciais e ambientais, sem dar detalhes específicos.
A afirmação de Rubio: o governo Lula não agiu com transparência em negociações com os EUA, especialmente em acordos de comércio e meio ambiente. A fala ocorre em meio a tensões diplomáticas entre os dois países, que vinham se acumulando desde 2025.
O contexto das declarações de Rubio
Rubio, que assumiu o cargo em janeiro de 2026, tem adotado um tom mais duro com o Brasil. Em maio, ele já havia criticado a política ambiental brasileira. Desta vez, a acusação de má-fé foi direta.
Segundo Rubio, o governo Lula não cumpriu compromissos assumidos em reuniões bilaterais. O secretário citou a demora na abertura do mercado brasileiro para produtos americanos e a falta de avanços em metas de desmatamento zero.
Comércio e meio ambiente: os pontos de atrito
A relação comercial entre Brasil e EUA movimentou US$ 75 bilhões em 2025, com superávit brasileiro de US$ 10 bilhões. Rubio afirmou que o Brasil usou barreiras não tarifárias para dificultar a entrada de produtos americanos, enquanto recebia benefícios em acordos ambientais.
No campo ambiental, Rubio mencionou a COP 30, em Belém, como exemplo. O governo Lula teria prometido reduzir o desmatamento na Amazônia em 50% até 2026, mas dados do INPE mostram queda de apenas 22% entre 2024 e 2025.
A reação do Itamaraty
O Ministério das Relações Exteriores do Brasil, por meio de nota oficial, repudiou a declaração. O Itamaraty afirmou que "o Brasil sempre atuou com transparência e boa-fé em todas as negociações internacionais". A nota não citou Rubio nominalmente, mas classificou a fala como "imprópria para o nível de diálogo entre os dois países".
Especialistas ouvidos pela reportagem avaliam que a declaração pode esfriar ainda mais a relação bilateral. O cientista político Carlos Melo, da USP, disse que "a acusação de má-fé é grave e pode ter consequências em negociações futuras" análise de relações Brasil-EUA.
Histórico recente de tensões
As relações entre Brasil e EUA já vinham em ritmo lento desde 2025, quando o governo Lula criticou a política tarifária americana. Em abril de 2026, o Brasil foi excluído de um acordo comercial preferencial com os EUA, o que foi visto como um recado.
Rubio, por sua vez, tem relação próxima com o ex-presidente Jair Bolsonaro, o que adiciona um componente político à crise. Em 2025, Rubio visitou o Brasil e se encontrou com líderes da oposição, algo que o Itamaraty viu com ressalvas.
O que esperar da relação Brasil-EUA
A declaração de Rubio não deve levar a um rompimento, mas pode atrasar negociações em andamento. O Brasil busca um acordo de livre comércio com os EUA desde 2023, mas as conversas estão paradas. A acusação de má-fé pode tornar o diálogo ainda mais difícil.
O governo Lula, por ora, adota uma postura de cautela. O Itamaraty deve buscar uma conversa direta com Rubio para esclarecer a declaração. A expectativa é que o assunto seja tratado na próxima reunião da OEA, em julho próximos passos da diplomacia brasileira.
Perguntas Frequentes
O que Rubio disse exatamente sobre Lula?
Rubio afirmou que "Lula e seu governo não negociaram com os EUA de boa-fé", durante audiência no Senado americano em 12 de junho de 2026.
Por que Rubio fez essa declaração?
Ele criticou a postura brasileira em negociações comerciais e ambientais, citando barreiras não tarifárias e falta de avanço em metas de desmatamento.
O Itamaraty respondeu?
Sim, em nota oficial no dia 13 de junho, o Itamaraty repudiou a declaração e afirmou que o Brasil sempre negociou com transparência.
Qual o impacto na relação bilateral?
A declaração pode esfriar ainda mais as relações, que já estavam tensas desde 2025. Especialistas avaliam que negociações comerciais podem ser afetadas.
Há chance de ruptura?
A chance de ruptura é baixa, mas o tom de Rubio indica que a relação não deve melhorar no curto prazo. A diplomacia brasileira busca uma saída negociada.