Trump: medicamentos genéricos com tarifa zero por 2 anos, depois 100%
O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou que medicamentos genéricos importados terão tarifa zero por dois anos a partir de 1º de agosto. Depois, a alíquota sobe para 100% e, em seguida, 200%. A medida visa trazer a produção de volta aos EUA. Entenda como isso impacta o brasil
Trump anuncia tarifa zero para genéricos por 2 anos, mas alíquota pode chegar a 200%
O presidente Donald Trump afirmou nesta terça-feira (21) que todos os medicamentos genéricos importados pelos Estados Unidos continuarão com tarifa zero por dois anos, a partir de 1º de agosto. Após esse período, a alíquota subirá para 100% durante um ano e, depois, para 200%. "Isso é feito para TRAZER DE VOLTA a produção de medicamentos genéricos para os Estados Unidos, impondo uma penalidade às empresas que decidirem não construir fábricas e instalar equipamentos dentro do prazo estabelecido para elas", escreveu Trump na Truth Social.
O republicano vem pressionando as farmacêuticas, por meio de sua política de preços baseada na cláusula da nação mais favorecida ("most-favored-nation"), a reduzir os preços dos medicamentos para níveis semelhantes aos praticados em outros países de alta renda.
O que muda para o brasileiro?
Eu fui conversar com quem entende de economia e saúde para entender como essa decisão de Trump pode chegar até a farmácia da esquina. A verdade é que, num primeiro momento, a tarifa zero por dois anos pode até beneficiar o Brasil indiretamente. Isso porque muitos genéricos consumidos aqui são produzidos por laboratórios indianos ou chineses que também exportam para os EUA. Com a tarifa zero, a demanda americana pode crescer, e esses países podem redirecionar parte da produção para atender ao mercado americano, o que pressionaria a oferta global e, por tabela, os preços no Brasil.
Mas o susto mesmo vem depois. Se a alíquota subir para 100% e depois 200%, as farmacêuticas internacionais podem repassar o custo para todos os mercados, inclusive o brasileiro. "A indústria farmacêutica global opera em cadeia. Se um mercado grande como o dos EUA encarece, o efeito cascata atinge países como o Brasil", explica um economista especializado em comércio exterior que preferiu não se identificar.
O que dizem as farmacêuticas?
Até o momento, nenhuma grande empresa do setor se pronunciou oficialmente sobre a medida. O que se sabe é que Trump vem usando a cláusula da nação mais favorecida para pressionar os preços. Na prática, isso significa que os EUA querem pagar o mesmo que outros países de alta renda pelos medicamentos. Para o Brasil, que não está nesse grupo, a conta pode vir mais salgada.
E agora?
O prazo de dois anos começa em 1º de agosto. Até lá, o Brasil pode tentar fortalecer sua produção interna de genéricos e buscar acordos comerciais com países que não sejam tão impactados pela medida. Mas, no curto prazo, a dica é ficar de olho nos preços e, se possível, comprar estoques de medicamentos de uso contínuo antes que o efeito chegue aqui.
Perguntas Frequentes
Quando começa a tarifa zero?
A partir de 1º de agosto de 2026.
Quanto tempo dura a tarifa zero?
Dois anos.
Qual será a alíquota depois?
100% por um ano e, depois, 200%.
Por que Trump fez isso?
Para incentivar a produção de genéricos nos EUA e penalizar empresas que não construírem fábricas no prazo.
Isso afeta o Brasil?
Sim, indiretamente, pode pressionar os preços dos genéricos no mercado interno.
O que é a cláusula da nação mais favorecida?
É uma política de preços que busca equiparar os valores pagos pelos EUA aos de outros países de alta renda.