Tarifaço: Diversificação pode mitigar impacto, diz sócio da Pinheiro Neto
O tarifaço imposto pelos EUA preocupa exportadores brasileiros, mas a diversificação de rotas e parceiros comerciais pode conter os danos. É o que defende o sócio da Pinheiro Neto Advogados, em análise que ouve o mercado e a história do setor.
Fui conversar com quem está na linha de frente da assessoria jurídica em comércio exterior para entender como o chamado tarifaço, a escalada de tarifas de importação imposta pelos Estados Unidos a produtos brasileiros, pode ser enfrentado. A resposta, segundo o sócio da Pinheiro Neto Advogados, está na diversificação.
O tarifaço, que elevou tarifas de importação dos EUA sobre produtos brasileiros, pode ter impacto atenuado pela diversificação de mercados e fornecedores. A estratégia reduz a dependência de um único parceiro comercial, diluindo riscos e abrindo novas oportunidades para exportadores.
O que é o tarifaço e por que ele preocupa
O tarifaço não é um fenômeno novo, mas sua escala atual acendeu alertas. Em 2025, os Estados Unidos elevaram tarifas sobre uma cesta de produtos brasileiros, incluindo aço, alumínio e suco de laranja. A medida, segundo o governo americano, visa proteger a indústria local. Para o Brasil, que tem nos EUA um dos principais destinos de exportação, o impacto é direto.
Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) mostram que, em 2025, as exportações brasileiras para os EUA somaram US$ 31,5 bilhões. Uma fatia significativa desse total está agora sujeita a tarifas mais altas.
Diversificação como estratégia central
O sócio da Pinheiro Neto com quem conversei explica que a diversificação não é apenas uma tática de curto prazo, mas uma mudança estrutural. "Empresas que concentram suas vendas em um único mercado ficam vulneráveis a choques como o tarifaço. Quem diversifica para Ásia, Europa e América Latina dilui o risco", afirma.
Na prática, a diversificação pode ocorrer em três frentes:
- Mercados de destino: buscar compradores na China, União Europeia e Mercosul.
- Fornecedores: substituir insumos americanos por alternativas de outros países.
- Produtos: desenvolver linhas que atendam a demandas regionais específicas.
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O que diz a história recente
A história do comércio exterior brasileiro oferece exemplos concretos. Durante a guerra comercial entre EUA e China (2018-2020), o Brasil aumentou suas exportações de soja para a China em 30%, justamente por diversificar mercados. O mesmo raciocínio se aplica hoje.
Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), empresas que diversificaram destinos entre 2020 e 2025 tiveram, em média, uma queda de 12% na receita durante crises tarifárias, contra 28% das que mantiveram concentração.
O papel da assessoria jurídica
A Pinheiro Neto Advogados, um dos escritórios mais respeitados do país em comércio exterior, tem orientado clientes a revisar contratos e cláusulas de força maior. O sócio ouvido destaca que a diversificação exige planejamento jurídico: "Não basta trocar de parceiro. É preciso renegociar prazos, moedas e garantias. Cada mercado tem suas regras."
A orientação inclui também a análise de acordos bilaterais. O Brasil tem acordos de livre comércio com países do Mercosul, além de preferências tarifárias com a União Europeia e a África do Sul. Esses acordos podem reduzir o impacto do tarifaço.
Quem já está se movendo
No setor de suco de laranja, por exemplo, a Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos (CitrusBR) informou que associados estão redirecionando embarques para a Europa e o Japão. A medida já mostrou resultados: as exportações para a União Europeia cresceram 8% no primeiro trimestre de 2026.
Já no aço, o Instituto Aço Brasil registrou um aumento de 15% nas vendas para a América Latina no mesmo período, compensando parcialmente a queda para os EUA.
Desafios da diversificação
Diversificar não é simples. Exige logística, conhecimento de mercado e capital de giro. Pequenas e médias empresas, que representam 60% dos exportadores brasileiros, enfrentam barreiras como falta de informação e custos de adaptação.
O sócio da Pinheiro Neto reconhece o desafio: "Para uma empresa de médio porte, entrar no mercado chinês pode levar de 6 a 12 meses. Mas o retorno, em termos de segurança, compensa."
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O que esperar do cenário
O tarifaço não deve recuar no curto prazo. O governo americano sinalizou que a política protecionista continuará ao menos até o fim de 2026. Para o Brasil, a diversificação deixa de ser opção e passa a ser necessidade.
Dados do Banco Central indicam que a balança comercial brasileira com os EUA teve superávit de US$ 8,2 bilhões em 2025. Com o tarifaço, esse saldo pode encolher. A diversificação é a principal ferramenta para minimizar perdas.
Perguntas Frequentes
O tarifaço afeta todos os setores igualmente?
Não. Setores como aço e suco de laranja são os mais impactados, enquanto outros, como carne bovina, têm tarifas menores.
Quanto tempo leva para diversificar?
O processo pode levar de 6 a 18 meses, dependendo do setor e do mercado-alvo.
A diversificação garante proteção total?
Não, mas reduz significativamente o risco. Empresas diversificadas tendem a sofrer menos em crises tarifárias.
Preciso de assessoria jurídica para diversificar?
Sim, especialmente para renegociar contratos e entender regras de cada mercado.
O Brasil tem acordos que ajudam na diversificação?
Sim, acordos com Mercosul, União Europeia e África do Sul oferecem vantagens tarifárias.