# Tarifaço: Diversificação pode mitigar impacto, diz sócio da Pinheiro Neto

> Sócio da Pinheiro Neto Advogados defende que a diversificação de rotas e parceiros comerciais pode mitigar o impacto do tarifaço imposto pelos EUA sobre exportadores brasileiros. A análise considera dados de mercado e histórico do setor para embasar a estratégia de contenção de danos.

*Sucesso News · Serviços · 17 de julho de 2026 · Raíssa Vasconcelos*

O tarifaço imposto pelos EUA preocupa exportadores brasileiros, mas a diversificação de rotas e parceiros comerciais pode conter os danos. É o que defende o sócio da Pinheiro Neto Advogados, em análise que ouve o mercado e a história do setor.

Fui conversar com quem está na linha de frente da assessoria jurídica em comércio exterior para entender como o chamado tarifaço, a escalada de tarifas de importação imposta pelos Estados Unidos a produtos brasileiros, pode ser enfrentado. A resposta, segundo o sócio da Pinheiro Neto Advogados, está na diversificação.

O tarifaço, que elevou tarifas de importação dos EUA sobre produtos brasileiros, pode ter impacto atenuado pela diversificação de mercados e fornecedores. A estratégia reduz a dependência de um único parceiro comercial, diluindo riscos e abrindo novas oportunidades para exportadores.

## O que é o tarifaço e por que ele preocupa

O tarifaço não é um fenômeno novo, mas sua escala atual acendeu alertas. Em 2025, os Estados Unidos elevaram tarifas sobre uma cesta de produtos brasileiros, incluindo aço, alumínio e suco de laranja. A medida, segundo o governo americano, visa proteger a indústria local. Para o Brasil, que tem nos EUA um dos principais destinos de exportação, o impacto é direto.

Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) mostram que, em 2025, as exportações brasileiras para os EUA somaram US$ 31,5 bilhões. Uma fatia significativa desse total está agora sujeita a tarifas mais altas.

## Diversificação como estratégia central

O sócio da Pinheiro Neto com quem conversei explica que a diversificação não é apenas uma tática de curto prazo, mas uma mudança estrutural. "Empresas que concentram suas vendas em um único mercado ficam vulneráveis a choques como o tarifaço. Quem diversifica para Ásia, Europa e América Latina dilui o risco", afirma.

Na prática, a diversificação pode ocorrer em três frentes:

- Mercados de destino: buscar compradores na China, União Europeia e Mercosul.
- Fornecedores: substituir insumos americanos por alternativas de outros países.
- Produtos: desenvolver linhas que atendam a demandas regionais específicas.

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## O que diz a história recente

A história do comércio exterior brasileiro oferece exemplos concretos. Durante a guerra comercial entre EUA e China (2018-2020), o Brasil aumentou suas exportações de soja para a China em 30%, justamente por diversificar mercados. O mesmo raciocínio se aplica hoje.

Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), empresas que diversificaram destinos entre 2020 e 2025 tiveram, em média, uma queda de 12% na receita durante crises tarifárias, contra 28% das que mantiveram concentração.

## O papel da assessoria jurídica

A Pinheiro Neto Advogados, um dos escritórios mais respeitados do país em comércio exterior, tem orientado clientes a revisar contratos e cláusulas de força maior. O sócio ouvido destaca que a diversificação exige planejamento jurídico: "Não basta trocar de parceiro. É preciso renegociar prazos, moedas e garantias. Cada mercado tem suas regras."

A orientação inclui também a análise de acordos bilaterais. O Brasil tem acordos de livre comércio com países do Mercosul, além de preferências tarifárias com a União Europeia e a África do Sul. Esses acordos podem reduzir o impacto do tarifaço.

## Quem já está se movendo

No setor de suco de laranja, por exemplo, a Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos (CitrusBR) informou que associados estão redirecionando embarques para a Europa e o Japão. A medida já mostrou resultados: as exportações para a União Europeia cresceram 8% no primeiro trimestre de 2026.

Já no aço, o Instituto Aço Brasil registrou um aumento de 15% nas vendas para a América Latina no mesmo período, compensando parcialmente a queda para os EUA.

## Desafios da diversificação

Diversificar não é simples. Exige logística, conhecimento de mercado e capital de giro. Pequenas e médias empresas, que representam 60% dos exportadores brasileiros, enfrentam barreiras como falta de informação e custos de adaptação.

O sócio da Pinheiro Neto reconhece o desafio: "Para uma empresa de médio porte, entrar no mercado chinês pode levar de 6 a 12 meses. Mas o retorno, em termos de segurança, compensa."

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## O que esperar do cenário

O tarifaço não deve recuar no curto prazo. O governo americano sinalizou que a política protecionista continuará ao menos até o fim de 2026. Para o Brasil, a diversificação deixa de ser opção e passa a ser necessidade.

Dados do Banco Central indicam que a balança comercial brasileira com os EUA teve superávit de US$ 8,2 bilhões em 2025. Com o tarifaço, esse saldo pode encolher. A diversificação é a principal ferramenta para minimizar perdas.

## Perguntas Frequentes

### O tarifaço afeta todos os setores igualmente?

Não. Setores como aço e suco de laranja são os mais impactados, enquanto outros, como carne bovina, têm tarifas menores.

### Quanto tempo leva para diversificar?

O processo pode levar de 6 a 18 meses, dependendo do setor e do mercado-alvo.

### A diversificação garante proteção total?

Não, mas reduz significativamente o risco. Empresas diversificadas tendem a sofrer menos em crises tarifárias.

### Preciso de assessoria jurídica para diversificar?

Sim, especialmente para renegociar contratos e entender regras de cada mercado.

### O Brasil tem acordos que ajudam na diversificação?

Sim, acordos com Mercosul, União Europeia e África do Sul oferecem vantagens tarifárias.

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Fonte (canonical): https://sucessonews.com.br/servicos/tarifaco-diversificacao-pode-mitigar-impacto-diz-socio-pinheiro-neto/
