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Região de Campinas tem 10,6 mil crianças sem nome do pai desde 2016; mutirão oferece registro gratuito

ResumoA região de Campinas registrou 10.652 crianças nascidas sem o nome do pai na certidão desde 2016. A Defensoria Pública realiza mutirão gratuito com exames de DNA e reconhecimento de paternidade para reduzir esse número. Só em 2026, até julho, foram 565 novos casos.

Desde 2016, 10.652 crianças nasceram na região de Campinas sem o nome do pai na certidão. Só em 2026, até julho, foram 565 novos casos. Um mutirão gratuito da Defensoria Pública tenta mudar esse cenário com exames de DNA e reconhecimento de paternidade.

Nayara Couto
Nayara Couto Editora de Comportamento e Saúde · 19 de julho de 2026 · 4 min de leitura
Região de Campinas tem 10,6 mil crianças sem nome do pai desde 2016; mutirão oferece registro gratuito

Desde 2016, 10.652 crianças nasceram na região de Campinas sem o nome do pai na certidão de nascimento. Os dados, da Defensoria Pública do Estado de São Paulo (DPE-SP), mostram que só em 2026, até 15 de julho, foram 565 novos casos. Campinas lidera o ranking regional, com 7.571 registros sem paternidade desde 2016, sendo 410 apenas neste ano.

Para tentar reverter esse cenário, a edição 2026 do mutirão nacional "Meu Pai Tem Nome" está com inscrições abertas até 30 de julho. A campanha oferece atendimento gratuito para quem deseja reconhecer a paternidade formalmente, investigar o vínculo familiar ou regularizar o registro civil. O atendimento presencial será no dia 1º de agosto, em mais de 60 postos no estado. Na região, há pontos em Americana, Artur Nogueira, Campinas, Limeira, Piracicaba e Sumaré.

Por que o registro do pai importa?

A coordenadora da Defensoria Pública de Piracicaba, Carolina Brambila Bega, explica que o reconhecimento da paternidade garante acesso a direitos básicos e fortalece os vínculos familiares. "Juridicamente, a inclusão na certidão de nascimento permite a regulamentação da convivência, permite a possibilidade de cobrar alimentos, também dá direito à herança e tem diversos outros aspectos, por exemplo, previdenciários, como pensão por morte", frisa.

Sem o nome do pai, a criança fica sem acesso a esses direitos. O mutirão busca justamente preencher essa lacuna, oferecendo exame de DNA gratuito na hora, reconhecimento voluntário de paternidade (biológica ou socioafetiva), acordos de pensão alimentícia, guarda e visitas, além de orientação jurídica para ações judiciais.

Histórias que o mutirão pode mudar

A auxiliar de limpeza Andréia Pereira Barbosa, de Piracicaba, tenta há anos incluir o nome do pai no registro do filho mais velho. Ela conta que o ex-companheiro negou a paternidade assim que soube da gravidez. Andréia buscou a Defensoria Pública para fazer o exame de DNA, mas o homem não apareceu. Hoje, ela lida com as dúvidas da criança. "Marcou o exame para fazer pela Defensoria. Aí ele não compareceu. Ele [o filho] questiona, pergunta por que o pai dele não quis registrar ele", conta.

A faxineira Fabiana Fernanda do Prado Rodrigues vive situação parecida. Dos quatro filhos, os dois mais novos têm apenas o nome da mãe na certidão. "Eles não quiseram registrar e falaram que não era deles", relata. Ela afirma que buscou a Justiça e tentou conversar com os pais das crianças, mas não conseguiu resolver. Agora, espera conseguir o registro completo no mutirão.

Erros no registro que vão além da paternidade

A ajudante de cozinha Maria Aparecida Pereira procurou o mutirão no ano passado. Adotada na infância, ela descobriu que sua certidão de nascimento não tinha o nome do pai nem da mãe biológicos. "Nem tinha sobrenome. Pereira eu tenho porque eu casei. Eu fui procurar a Defensoria porque, para a gente fazer esse DNA, eu com a minha mãe, a gente ia ter que pagar e a gente não tinha condições", diz.

Durante o atendimento, Maria descobriu outros erros graves no documento: além de não ter filiação, ela havia sido registrada com o sexo masculino. "Daí, quando viram que o meu registro estava na situação que estava, sem nome de pai, sem nome de mãe, como masculino, a gente viu que precisava resolver aquela situação", conta. Maria aguarda a regularização e pretende aproveitar para mudar de nome.

Como participar do mutirão

As inscrições terminam em 30 de julho. Os interessados devem acessar a assistente virtual Júlia, no site da Defensoria Pública de São Paulo. O atendimento presencial ocorrerá no dia 1º de agosto, em mais de 60 postos do estado. Durante o evento, a Defensoria contará com equipes de cartórios e do Instituto de Medicina Social e de Criminologia (Imesc).

Os serviços incluem: exame de DNA gratuito na hora; reconhecimento voluntário de paternidade (biológica ou socioafetiva); acordos de pensão alimentícia, guarda e visitas; e orientação jurídica para abertura de ações judiciais.

Perguntas Frequentes

Quem pode participar do mutirão?

Qualquer pessoa que deseje reconhecer a paternidade formalmente, investigar o vínculo familiar ou regularizar o registro civil. O atendimento é gratuito.

Preciso levar algum documento?

A orientação é levar documentos pessoais, como RG e certidão de nascimento. No mutirão, a Defensoria orienta sobre os documentos necessários para cada caso.

O exame de DNA é realmente gratuito?

Sim. O mutirão oferece exame de DNA gratuito na hora, realizado pelo Instituto de Medicina Social e de Criminologia (Imesc).

E se o suposto pai não comparecer?

A Defensoria pode orientar sobre ações judiciais para investigação de paternidade. O não comparecimento pode ser considerado indício de paternidade.

O mutirão atende casos de paternidade socioafetiva?

Sim. O reconhecimento voluntário de paternidade socioafetiva também está entre os serviços oferecidos durante o evento.

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