# ONS contrata 344 MW para reduzir demanda no horário de pico: entenda

> O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) contratou 344 megawatts (MW) de redução voluntária de carga para o horário de pico em leilão inédito. A medida visa aliviar a pressão sobre o sistema elétrico durante momentos de maior consumo, evitando o acionamento de usinas térmicas mais caras.

*Sucesso News · Serviços · 16 de julho de 2026 · Raíssa Vasconcelos*

Em leilão inédito, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) contratou 344 megawatts (MW) de redução voluntária de carga para o horário de pico, medida que visa aliviar a pressão sobre o sistema em momentos de maior consumo, sem necessidade de acionar térmicas caras.

Fui conversar com quem opera o sistema elétrico brasileiro, não nos bastidores de um escritório climatizado, mas na linha de frente de um leilão que, pela primeira vez, comprou não a geração de energia, mas a sua não-geração. O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) contratou 344 megawatts (MW) de redução voluntária de carga para o horário de pico, uma aposta na inteligência de consumidores que aceitam desligar máquinas nos momentos de maior aperto na rede.

O leilão de resposta da demanda, realizado em maio de 2026, selecionou propostas de grandes consumidores industriais e comerciais que se comprometeram a reduzir o consumo em até 4 horas por dia, durante os horários de pico do sistema, tipicamente entre 18h e 21h. O custo médio da redução foi de R$ 300 por MWh, valor inferior ao acionamento de usinas térmicas a óleo diesel, que chegam a R$ 800 por MWh.

## Como funciona o leilão de redução de demanda do ONS

A lógica é simples: em vez de construir uma nova usina para atender aos picos de consumo, que duram apenas algumas horas por dia, o ONS paga para que grandes consumidores desliguem equipamentos nesses momentos. O modelo é conhecido como "demand response" e já é usado há décadas nos Estados Unidos e na Europa.

No Brasil, a modalidade foi regulamentada pela Resolução Normativa 1.000/2021 da Aneel, mas só agora ganhou escala com este leilão. Participaram 47 agentes, entre siderúrgicas, fábricas de cimento, shoppings e redes de supermercado. Cada um apresentou o preço pelo qual aceita reduzir a carga.

### Quem pode participar e como se cadastrar

Podem participar consumidores com demanda contratada acima de 500 kW, conectados em alta tensão (grupo A). O cadastro é feito diretamente no sistema do ONS, que avalia a viabilidade técnica de cada unidade. A redução é monitorada em tempo real por medidores eletrônicos.

Para o consumidor, a vantagem é financeira: recebe pelo MW que deixa de consumir, além de evitar multas por ultrapassagem de demanda no horário de pico. Para o sistema, é ganho de segurança sem emissões extras.

## Impacto no sistema elétrico e na conta de luz

A contratação de 344 MW equivale a desligar uma usina termelétrica de médio porte durante 4 horas diárias. Em termos práticos, evita o acionamento de térmicas caras, que elevariam o custo da energia para todos os consumidores.

Segundo o ONS, o leilão gerou uma economia estimada de R$ 50 milhões por ano em custos operacionais, considerando o preço evitado das térmicas. Esse valor não aparece na conta de luz de forma direta, mas contribui para manter a modicidade tarifária.

### Diferença para os leilões de energia tradicional

Enquanto os leilões de energia nova contratam geração por 15 a 30 anos, a resposta da demanda é contratada por períodos curtos, tipicamente 1 a 3 anos. Isso dá flexibilidade ao sistema sem comprometer o planejamento de longo prazo.

## Histórico e regulação da resposta da demanda no Brasil

A resposta da demanda não é novidade no país. Em 2021, durante a crise hídrica, a Aneel autorizou programas voluntários de redução para grandes consumidores. Mas o marco regulatório definitivo veio com a REN 1.000/2021, que criou as bases para leilões específicos.

O leilão de maio de 2026 foi o primeiro a contratar exclusivamente redução de carga para o horário de pico. Antes disso, o ONS já havia feito testes pontuais com consumidores do setor siderúrgico, mas sem a formalidade de um certame público.

## Próximos passos: o que esperar para 2027

O ONS já anunciou que pretende realizar novos leilões de resposta da demanda em 2027, com meta de contratar até 1 GW de redução. A ampliação depende da adesão de novos consumidores e do aprimoramento dos sistemas de medição.

Há também estudos para incluir consumidores de média tensão (grupo B), como condomínios e pequenas indústrias, em programas de redução voluntária com pagamento por desempenho. A Aneel deve abrir consulta pública sobre o tema ainda em 2026.

## Perguntas Frequentes

### O que significa ONS?

ONS é a sigla para Operador Nacional do Sistema Elétrico, órgão responsável por coordenar e controlar a operação das usinas e das linhas de transmissão de energia no Brasil.

### Como funciona o leilão de resposta da demanda?

Grandes consumidores apresentam propostas para reduzir o consumo em horários de pico. O ONS seleciona as mais baratas e paga pelo MW que deixou de ser consumido.

### Quem pode participar do programa?

Consumidores com demanda contratada acima de 500 kW, conectados em alta tensão (grupo A), como indústrias, shoppings e grandes redes comerciais.

### Qual o custo para o consumidor final?

O custo do programa é rateado entre todos os consumidores na tarifa de energia, mas é menor que o custo de acionar usinas térmicas caras, gerando economia líquida.

### A redução de demanda é obrigatória?

Não. A participação é voluntária e contratada por meio de leilão. O consumidor só reduz se for financeiramente vantajoso para ele.

### Como a redução é monitorada?

Por medidores eletrônicos instalados na unidade consumidora, que enviam dados em tempo real para o ONS. O descumprimento do contrato gera multa.

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Fonte (canonical): https://sucessonews.com.br/servicos/ons-contrata-344-mw-reduzir-demanda-horario-pico/
