Inadimplência no agro deve manter alta de processos de reestruturação em 2026
A inadimplência no agronegócio brasileiro deve sustentar o avanço dos pedidos de reestruturação de dívidas e recuperações judiciais em 2026. Dados do Banco Central e da Serasa mostram que o endividamento rural atingiu patamares críticos, impactando desde pequenos produtores até g
O produtor rural que contratou crédito nos últimos dois anos enfrenta o aperto. A inadimplência no agro, que já superou 3,8% segundo o Banco Central, deve sustentar a alta de processos de reestruturação de dívidas e recuperações judiciais ao longo de 2026. Não se trata de um susto passageiro: o endividamento acumulado e as taxas de juros ainda altas formam um cenário que, na prática, empurra mais produtores para renegociações forçadas ou para o pedido de recuperação judicial.
Resposta direta: A inadimplência no agronegócio brasileiro deve manter a alta de processos de reestruturação de dívidas e recuperações judiciais em 2026. Segundo o Banco Central, a taxa de inadimplência do crédito rural atingiu 3,8% em maio de 2026, maior patamar desde 2020. O aumento reflete a combinação de juros elevados, queda nos preços das commodities e custos de produção pressionados.
O tamanho do endividamento rural em 2026
O saldo total do crédito rural no Brasil encerrou maio de 2026 em R$ 700 bilhões, conforme dados do Banco Central. Desse total, aproximadamente R$ 26,6 bilhões estavam em atraso há mais de 90 dias, o maior volume desde o início da série histórica, em 2010. A taxa de inadimplência de 3,8% representa um salto de 1,2 ponto percentual em relação a maio de 2025.
O crescimento da inadimplência não é uniforme. As regiões Centro-Oeste e Sul concentram 65% do crédito rural e também lideram os calotes. Em Mato Grosso, a taxa chega a 4,5% (BCB, Estatísticas de Crédito Rural, mai/2026). Já no Nordeste, embora o volume de crédito seja menor, a inadimplência supera 5%, reflexo de secas recorrentes e menor capacidade de renegociação.
Por que a reestruturação de dívidas disparou
A reestruturação de dívidas no agro não é um fenômeno novo, mas ganhou escala a partir de 2024. O Banco Central registrou 1.450 pedidos de renegociação de dívidas rurais no primeiro semestre de 2026, alta de 35% sobre o mesmo período de 2025. O principal gatilho é a taxa Selic, que encerrou maio em 9,75% ao ano, ainda em patamar restritivo para quem tomou crédito com juros prefixados.
Outro fator é a queda nos preços das commodities. A saca de soja, por exemplo, caiu 18% entre janeiro e maio de 2026, segundo a Conab. Com receita menor e custos fixos (defensivos, fertilizantes, diesel) ainda elevados, a margem do produtor encolheu. Quem não conseguiu travar preço futuro ou contratar seguro rural viu o fluxo de caixa virar negativo.
Recuperação judicial no agro: quem pede e por quê
Os pedidos de recuperação judicial (RJ) no agronegócio também cresceram. Dados da Serasa Experian indicam que, em 2025, foram 230 pedidos de RJ de empresas do setor, alta de 40% sobre 2024. Em 2026, a tendência se mantém: só no primeiro trimestre, foram 68 pedidos, puxados por médios produtores de grãos e pecuaristas.
A recuperação judicial é um instrumento jurídico que permite ao devedor renegociar dívidas com todos os credores sob supervisão da Justiça. No agro, ela é mais comum entre empresas que têm passivos acima de R$ 5 milhões. Pequenos produtores, sem estrutura para arcar com custos processuais, acabam recorrendo a renegociações extrajudiciais ou simplesmente abandonam a atividade.
O que esperar para os próximos meses
A perspectiva para o segundo semestre de 2026 não é animadora. O Banco Central sinaliza que a Selic deve permanecer em dois dígitos até o fim do ano, o que mantém o custo do crédito rural elevado. Além disso, a safra de inverno (milho, trigo) enfrenta riscos climáticos, com previsão de chuvas abaixo da média no Sul.
O governo federal lançou em abril de 2026 uma linha de crédito emergencial para produtores endividados, com juros de 6% ao ano e carência de 12 meses. Até maio, foram emprestados R$ 2,3 bilhões, mas o volume é insuficiente para cobrir os R$ 26 bilhões em atraso.
Como o produtor pode se proteger
Para quem ainda não entrou em inadimplência, algumas medidas reduzem o risco:
- Renegociação antecipada: procurar o banco antes do vencimento da parcela. Muitos bancos oferecem prazos maiores e juros menores para quem renegocia antes de ficar inadimplente.
- Seguro rural: cobre perdas de safra por clima, praga ou preço. O custo médio é de 5% a 8% do valor segurado, mas pode ser subsidiado pelo governo.
- Diversificação de culturas: produtores que plantam soja, milho e algodão têm menor probabilidade de inadimplência do que os que apostam em uma única cultura.
- Contratos futuros: travar preço de venda com antecedência protege contra quedas de mercado.
Perguntas Frequentes
O que é a taxa de inadimplência no crédito rural?
É o percentual do saldo total de empréstimos rurais que está em atraso há mais de 90 dias. Em maio de 2026, era de 3,8%, segundo o Banco Central.
Quantos pedidos de recuperação judicial o agro registrou em 2025?
Foram 230 pedidos, 40% a mais que em 2024, de acordo com a Serasa Experian.
A reestruturação de dívidas rurais é a mesma coisa que recuperação judicial?
Não. A reestruturação é uma renegociação direta com o banco, sem envolver a Justiça. A recuperação judicial é um processo judicial que envolve todos os credores.
Quais regiões têm maior inadimplência no agro?
O Nordeste lidera, com taxa superior a 5%, seguido pelo Centro-Oeste, com 4,5% em Mato Grosso.
O governo tem programas para ajudar produtores endividados?
Sim, o governo lançou em abril de 2026 uma linha de crédito emergencial com juros de 6% ao ano e carência de 12 meses, mas o volume emprestado até maio foi de R$ 2,3 bilhões.
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